Pesquisadores buscam alternativas de tratamento para o autismo

O autismo é uma doença neurológica de causa ainda desconhecida. Os indivíduos com autismo têm dificuldade de comunicação e de interação social com outras pessoas. Geralmente, é diagnosticado na infância, e os comportamentos típicos são a dificuldade de olhar nos olhos, a repetição de movimentos do corpo ou de tarefas como empilhar ou organizar objetos de uma determinada maneira, ou mesmo o interesse muito específico e restrito a um assunto (obsessivo), além de outros sinais. Como já se sabe que existem sintomas muito diferentes de uma pessoa para outra, geralmente se fala em "transtornos do espectro autista", cada um deles sendo mais ou menos grave e com suas próprias características.

Não existe cura para o autismo, embora já se saiba de alguns estímulos que se pode dar, o mais cedo possível, para que as crianças afetadas possam levar uma vida melhor e as famílias se preparem para lidar com a situação. Isso exige, claro, que os sinais da doença sejam identificados cedo, o que nem sempre ocorre.

Os pesquisadores continuam procurando testar tratamentos que possam tornar mais fácil a vida dos autistas e de suas famílias. A Cochrane está envolvida nisso e já publicou diversas revisões sistemáticas de estudos sobre o autismo. 

A Cochrane Brasil acaba de traduzir o resumo de duas dessas revisões. Uma delas procurou por estudos que tivessem avaliado o poder da oxigenoterapia de alta pressão (também chamada de terapia hiperbárica) para crianças com autismo. Nessa revisão, somente uma pequena pesquisa foi encontrada, com 60 crianças. A oxigenoterapia, que é um tratamento eficaz para vários problemas, como por exemplo a cicatrização de feridas e queimaduras, não foi capaz de melhorar a interação social, os problemas de comunicação ou fala e nem a função mental das crianças com transtorno autista. Porém, como somente um estudo foi realizado, ainda há possibilidade de se encontrarem melhores resultados com mais pesquisa.

Na outra revisão, cinco estudos com 203 participantes avaliaram um tipo especial de terapia para os autistas, chamada de "intervenção comportamental intensiva precoce". Nesse tratamento, o paciente se submete a 20 a 40 horas semanais de terapia, ao longo de vários anos. Nos estudos, essa terapia intensiva foi comparada com a educação escolar especial para autistas. Os pacientes tinham todos menos de 6 anos de idade. Os estudos mostraram melhora no comportamento, na inteligência (medida pelo quociente intelectual, QI), nas habilidades de comunicação e habilidades da vida diária com a intervenção. Porém, a Cochrane considera que ainda é cedo para comemorar: os estudos eram pequenos e, na maioria deles, eram os pais que escolhiam o tipo de tratamento  que seu filho faria(não houve sorteio). Então ainda é necessária mais pesquisa para avaliar se essa terapia intensiva realmente dá resultado com as crianças autistas.

A Cochrane Brasil traduziu o resumo desse trabalho. Para saber mais detalhes: 

http://www.cochrane.org/pt/CD010922/oxigenoterapia-de-alta-pressao-para-criancas-e-adultos-com-transtorno-do-espectro-autista-tea

http://www.cochrane.org/pt/CD009260/intervencao-comportamental-intensiva-precoce-icip-para-aumentar-os-comportamentos-funcionais-e