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Quais são os benefícios e os riscos da reabilitação cardíaca baseada em exercícios para insuficiência cardíaca?

1 day 1 hour ago
Mensagens principais

- Em comparação com a ausência de exercício, não houve evidência de diferença nas mortes por qualquer causa em pacientes com insuficiência cardíaca. Participar de programas de reabilitação cardíaca baseados em exercícios provavelmente reduz o risco de internações hospitalares por qualquer causa e de internações relacionadas à insuficiência cardíaca, além de provavelmente resultar em melhorias importantes na qualidade de vida relacionada à saúde, avaliada pelo questionário "Minnesota Living with Heart Failure".

É importante destacar que esta revisão atualizada fornece evidência adicionais que apoiam o uso de modalidades alternativas de reabilitação cardíaca baseada em exercícios, incluindo programas domiciliares e com suporte digital.

- Estudos futuros devem recrutar pessoas que normalmente não estão representadas em estudos, como pacientes idosos e mulheres com insuficiência cardíaca, e pessoas com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

O que é insuficiência cardíaca?

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue bombear sangue para o corpo tão bem quanto deveria. Pessoas com insuficiência cardíaca apresentam fadiga e falta de ar. Isso dificulta a realização de atividades cotidianas e pode afetar a qualidade de vida das pessoas. Pessoas com insuficiência cardíaca apresentam maior risco de internação hospitalar e morte.

O que é reabilitação cardíaca?

A reabilitação cardíaca tem como objetivo ajudar as pessoas a se recuperarem de problemas cardíacos, incluindo insuficiência cardíaca. Os programas de reabilitação cardíaca podem incluir treinamento físico e também podem fornecer educação sobre estilo de vida e gerenciamento de fatores de risco, além de aconselhamento e apoio psicológico.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se a reabilitação baseada em exercícios era melhor do que a ausência de exercícios para melhorar:

- mortes;

- internações hospitalares;

- qualidade de vida relacionada à saúde;

O que fizemos?

Realizamos buscas por estudos que avaliaram os efeitos da reabilitação cardíaca baseada em exercícios em pessoas com insuficiência cardíaca. Comparamos e resumimos os resultados de estudos relevantes e classificamos nossa confiança nas evidências com base em fatores como métodos e tamanhos das amostras dos estudos.

O que encontramos?

Encontramos 60 estudos que envolveram 8728 pessoas com insuficiência cardíaca. Os estudos foram realizados em países de todo o mundo. Cerca de 40% das pessoas vieram de 2 grandes estudos. Todos os estudos duraram cerca de 6 meses ou mais.

Participação na reabilitação cardíaca baseada em exercícios:

• provavelmente reduz o risco de internações hospitalares por qualquer causa e por insuficiência cardíaca em até 12 meses a partir do início do estudo;
• provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença no risco de morte por qualquer causa;
• provavelmente melhora a qualidade de vida relacionada à saúde, conforme medido pelo questionário Minnesota Living with Heart Failure.

Os efeitos da reabilitação cardíaca baseada em exercícios parecem ser consistentes:

• se forem realizadas em um hospital, centro médico, ou em casa;
• independentemente da quantidade de exercício ou se o programa também inclui outros componentes, como educação ou aconselhamento;
• independentemente do tipo de treinamento (apenas aeróbico ou aeróbico combinado com treino de resistência).

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança nas evidência é limitada porque nem todos os estudos utilizaram métodos robustos. São necessários mais estudos para avaliar o impacto de modelos alternativos de reabilitação baseados em exercícios em comparação com os programas tradicionais realizados em centros, especialmente programas domiciliares e com suporte digital. Futuros estudos precisam considerar a generalização das populações dos estudos (mulheres, pessoas idosas e pessoas com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada continuam sub-representadas nas populações dos estudos), a aplicação de intervenções para melhorar a manutenção a longo prazo do treinamento físico e desfechos, bem como os custos.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Esta revisão atualiza nossa revisão anterior de 2018. A evidência está atualizada até dezembro de 2021.

Molloy C, Long L, Mordi IR, Bridges C, Sagar VA, Davies EJ, Coats AJS, Dalal H, Rees K, Singh SJ, Taylor RS

O verniz de fluoreto diamino de prata é um tratamento eficaz para prevenir e tratar cáries em crianças e adultos?

2 days 2 hours ago
Mensagens‐chave

Não podemos afirmar se o fluoreto diamino de prata (FDP) é melhor do que não fazer nenhum tratamento para prevenir ou tratar cáries dentária.

Também não podemos afirmar se o FDP é melhor ou pior do que outros tratamentos usados para prevenir ou tratar cáries dentária.

Novos estudos podem ajudar a entender melhor os possíveis efeitos indesejados do FDP, se as pessoas se incomodam com o escurecimento dos dentes causado por ele e qual é a melhor forma de uso.

O que é cárie dentária?

A cárie dentária acontece quando bactérias da boca usam o açúcar dos alimentos para produzir ácidos. Esses ácidos atacam o esmalte do dente, que é a parte dura que protege o dente. Com o tempo, isso pode causar buracos nos dentes, chamados de cáries. A cárie dentária afeta a parte do dente que fica acima da gengiva, tanto em dentes de leite quanto em dentes permanentes, e a raiz dos dentes permanentes. Quando não é prevenida ou tratada, a cárie pode causar dor de dente, infecções e até a perda do dente.

Como a cárie dentária é tratada?

Os tratamentos para cárie incluem líquidos, géis (vernizes) e selantes, que os profissionais aplicam diretamente sobre o dente para protegê-lo contra as bactérias. Em casos de cáries maiores, o tratamento pode incluir restaurações (obturações). O FDP é um líquido de baixo custo que o dentista ou outro profissional treinado aplica diretamente sobre o dente. Ele pode ser usado em pessoas de todas as idades, inclusive em pessoas com necessidades especiais de saúde. No entanto, o FDP pode escurecer de forma permanente a área do dente onde é aplicado, deixando preta ou marrom escura.

O que queríamos saber?

Queríamos saber:

- se o FDP é melhor do que não fazer nenhum tratamento ou usar outros tratamentos para prevenir novas cáries, interromper cáries já existentes ou impedir que a cárie avance;

- se aplicar o FDP mais vezes, usar concentrações diferentes ou manter o tratamento por mais tempo traz mais benefícios;

- se o FDP causa efeitos indesejados, dor nos dentes ou incômodo por causa do escurecimento dos dentes.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que comparassem o FDP com nenhum tratamento ou placebo (um tratamento “de mentira”), com outros tratamentos ou com diferentes formas de aplicação do FDP. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e avaliamos o quanto era possível confiar nessas evidências, levando em conta o tamanho dos estudos e a forma como eles foram conduzidos.

O que nós encontramos?

Encontramos 29 estudos, que incluíram 12.020 crianças e 1.016 adultos mais velhos.

Resultados principais

Quando comparado com nenhum tratamento ou placebo, não podemos afirmar se o FDP previne novas cáries em dentes de leite ou na parte visível dos dentes permanentes. O FDP provavelmente ajuda a prevenir novas cáries na raiz dos dentes permanentes. O FDP pode interromper completamente cáries já existentes em dentes de leite. No entanto, não temos certeza se o FDP interrompe totalmente cáries já existentes na parte visível ou na raiz dos dentes permanentes, impede que cáries já existentes piorem em qualquer tipo de dente, aumenta o risco de efeitos indesejados, causa incômodo nas pessoas por causa do escurecimento dos dentes.

Os estudos usaram diferentes formas de tratamento (número de aplicações, intervalo entre aplicações, concentração do produto e duração do tratamento). Não foi possível saber se uma forma de aplicação é melhor do que outra para prevenir ou interromper a cárie, reduzir efeitos indesejados ou diminuir o incômodo com a aparência dos dentes escurecidos.

Quando o FDP foi comparado com o verniz fluoretado, nenhum dos dois tratamentos parece ser melhor que o outro para prevenir novas cáries em dentes de leite. Não temos certeza sobre o efeito nas superfícies da coroa e da raiz dos dentes permanentes. Também não podemos afirmar se um tratamento é melhor que o outro para interromper a cáries já existentes, evitar que a cárie piore, reduzir dor de dente, efeitos indesejáveis ou o incômodo com o escurecimento dos dentes.

Quando o FDP foi comparado com selantes, não foi possível saber se há diferenças entre os tratamentos na prevenção de novas cáries na parte visível dos dentes permanentes ou nos efeitos indesejáveis.

Quando o FDP foi comparado com restaurações apenas com instrumentos manuais, não foi possível saber se houve diferenças entre os tratamentos parar a cárie em dentes de leite, nem quanto a efeitos indesejados, dor ou incômodo com a aparência dos dentes.

Quais são as limitações das evidências?

Tivemos pouca confiança nos resultados pelos seguintes motivos:

- O FDP escurece os dentes, então as pessoas sabiam qual tratamento estavam recebendo, o que pode ter influenciado seus hábitos de higiene bucal; Na maioria dos estudos, quem avaliou os dentes também sabia qual tratamento foi aplicado;

- Os estudos que compararam diferentes formas de aplicação do FDP eram muito diferentes entre si, o que impossibilitou a comparação dos resultados.

- Apesar de existirem 29 estudos, a maioria tinha poucos participantes, e muitos resultados vieram de apenas um ou poucos estudos.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até junho de 2023.

Worthington HV, Lewis SR, Glenny A-M, Huang SS, Innes NPT, O'Malley L, Riley P, Walsh T, Wong MC, Clarkson JE, Veitz-Keenan A

Quais são os benefícios e os efeitos indesejáveis das diferentes formas de opções de suporte respiratório nasal em bebés prematuros quando utilizadas pouco depois do nascimento?

3 days 2 hours ago
Mensagens-chave
  • Descobrimos que, embora alguns métodos possam ser melhores do que outros na prevenção do insucesso do tratamento e da necessidade de reinserir um tubo de respiração na traqueia, a evidência é muito incerta.

  • É necessária mais investigação que incorpore diretrizes rigorosas nos desenhos dos estudos, comparando também os diferentes métodos utilizando as mesmas pressões e incluindo mais bebés extremamente prematuros nascidos antes das 28 semanas de gravidez.

O que é o suporte respiratório não invasivo?

Os bebés prematuros necessitam frequentemente de ajuda para respirar, uma vez que os seus pulmões não estão completamente desenvolvidos. O suporte respiratório nasal (através do nariz) ajuda os bebés prematuros a respirar sem a necessidade de tubos de respiração na traqueia. Inclui vários métodos que administram ar ou oxigénio através do nariz ou da boca para manter os pulmões abertos e apoiar a respiração.

O que pretendíamos descobrir?

Comparámos sete métodos diferentes de apoio à respiração nasal para ver quais os que melhor evitavam o insucesso do tratamento (quando a respiração do bebé piora e é necessária ajuda adicional, como mais oxigénio ou um tubo de respiração), a necessidade de entubação (colocação de um tubo de respiração) e reduziam a gravidade dos problemas pulmonares de longa duração em bebés prematuros.

O que fizemos?

Revisámos estudos que compararam diferentes combinações de caudais, pressões e tempos utilizados para apoiar a respiração de bebés prematuros.

O que encontrámos?

Encontrámos 61 estudos (7554 bebés prematuros).

A ventilação nasal com pressão positiva intermitente (que utiliza dois níveis de pressão com pequenas rajadas de ar) ou a ventilação oscilatória não invasiva de alta frequência (que fornece pequenas respirações rápidas) podem diminuir o risco de insucesso do tratamento em comparação com a pressão nasal positiva contínua nas vias respiratórias (um fluxo constante de ar) ou a cânula nasal de alto fluxo (ar administrado através de pequenos tubos nasais a taxas de fluxo mais elevadas). Além disso, a ventilação nasal com pressão positiva intermitente ou a ventilação oscilatória não invasiva de alta frequência podem evitar a necessidade de um tubo de respiração, em comparação com a pressão positiva contínua nas vias respiratórias ou a cânula nasal de alto fluxo. Não se registou qualquer diferença no risco de desenvolver problemas pulmonares moderados a graves de longa duração.

Estes resultados foram semelhantes nos bebés nascidos com ou após as 28 semanas de gravidez, mas não se verificaram diferenças nos bebés nascidos antes das 28 semanas de gravidez, embora os dados relativos a este grupo de bebés fossem escassos.

Quais são as limitações da evidência?

A evidência é limitada para os bebés extremamente prematuros nascidos antes das 28 semanas de gravidez. Os estudos também variaram na forma como compararam os diferentes métodos, especialmente no que respeita aos níveis de pressão nas vias respiratórias. Este facto pode ter afetado os resultados. Por último, temos pouca ou nenhuma confiança nos resultados devido a uma série de problemas com a forma como os estudos foram efetuados.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até janeiro de 2024.

Mukerji A, Shah PS, Kadam M, Borhan S, Razak A

Quais são os benefícios e os malefícios dos medicamentos para baixar a tensão arterial em adultos com 60 anos ou mais?

3 days 2 hours ago
Mensagens-chave

- Os medicamentos para baixar a tensão arterial reduzem a probabilidade de morte e provavelmente reduzem os ataques cardíacos e os acidentes vasculares cerebrais em pessoas com hipertensão (tensão arterial elevada) com 60 ou mais anos de idade.

- Pode haver mais desistências do estudo entre os que tomam medicamentos para baixar a tensão arterial do que entre os que recebem um placebo (tratamento simulado) ou nenhum tratamento.

O que é a hipertensão?

A hipertensão é a pressão arterial elevada. É comum em adultos com 60 anos ou mais. A hipertensão aumenta a probabilidade de doenças do coração e dos vasos sanguíneos.

Como é que a hipertensão é tratada?

A hipertensão é normalmente tratada com diferentes medicamentos para baixar a tensão arterial.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber os benefícios e os malefícios da utilização de medicamentos para baixar a tensão arterial em adultos com 60 anos ou mais com hipertensão. Esta é a terceira atualização desta revisão, que foi publicada pela primeira vez em 1998 e previamente atualizada em 2009 e 2019.

O que fizemos?

Procurámos estudos que comparassem o tratamento com medicamentos para baixar a pressão arterial versus placebo (tratamento simulado) ou nenhum tratamento em adultos com 60 anos ou mais com hipertensão. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos 16 estudos envolvendo um total de 26.795 adultos com 60 anos ou mais com hipertensão que compararam medicamentos para baixar a pressão arterial com placebo ou nenhum tratamento durante uma média de 3,8 anos. Não encontrámos nenhum novos ensaio clínico nesta atualização da pesquisa bibliográfica. Os medicamentos para baixar a tensão arterial em pessoas com 60 anos ou mais com hipertensão reduziram a probabilidade de morte e provavelmente reduziram os acidentes vasculares cerebrais e os ataques cardíacos. O benefício foi semelhante se os valores da tensão arterial superior e inferior estivessem elevados e se apenas o valor superior estivesse elevado. O primeiro tratamento utilizado na maioria dos estudos foi uma tiazida. Poderá haver mais desistências do estudo devido a efeitos indesejáveis no grupo que recebe medicamentos para baixar a tensão arterial.

Quais são as limitações da evidência?

Estamos confiantes de que os medicamentos para baixar a tensão arterial reduzem a probabilidade de morte e estamos moderadamente confiantes de que os medicamentos para baixar a tensão arterial reduzem a probabilidade de ataque cardíaco ou AVC. Nos casos em que a nossa confiança foi reduzida, isso deveu-se ao facto de alguns dos ensaios poderem não ter comunicado todos os dados recolhidos ou terem sido seletivos na comunicação dos seus resultados.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

A evidência encontra-se atualizada até junho de 2024. Dado que é improvável que sejam realizados novos estudos que abordem esta questão de investigação, não atualizaremos esta revisão no futuro.

Musini VM, Tejani AM, Bassett K, Puil L, Thompson W, Wright JM

As tecnologias digitais ajudam as pessoas com fibrose quística a aderir aos seus tratamentos inalados?

3 days 2 hours ago
Mensagens-chave

A curto prazo, a tecnologia digital pode ajudar as pessoas com fibrose quística (FC) a aderir (ou a "manter-se fiéis") aos seus tratamentos inalados, mas tem pouco ou nenhum efeito na função pulmonar ou nas exacerbações pulmonares (crises da doença).

A médio prazo, a combinação da monitorização digital com o apoio personalizado através de uma plataforma em linha provavelmente incentiva as pessoas a aderirem ao tratamento inalado e reduz as exigências de tratamento impostas às pessoas com FC pelas suas necessidades de cuidados de saúde e o impacto que isso tem no seu bem-estar, mas sem melhorar a sua qualidade de vida.

A investigação futura deve avaliar a tecnologia digital para ajudar as crianças e os adultos com FC a aderirem aos seus tratamentos inalados e considerar a forma como isso afeta outras áreas do seu tratamento.

O que é a FC?

A FC é uma doença hereditária com risco de vida em que se acumula muco espesso e pegajoso nos pulmões e no sistema digestivo. Com o tempo, os pulmões ficam danificados e podem acabar por deixar de funcionar corretamente.

Como é que a FC é tratada?

Atualmente, não existe cura para a FC, mas o tratamento ajuda a controlar os sintomas e a reduzir as complicações. Os tratamentos incluem antibióticos para prevenir e tratar infeções no peito e medicamentos para diluir o muco nos pulmões, facilitando a tosse. As pessoas com FC utilizam inaladores e nebulizadores para administrar medicamentos rapidamente nos pulmões. Os nebulizadores são pequenas máquinas que transformam um medicamento líquido numa névoa que é inalada através de um bocal ou de uma máscara.

O tratamento da FC é complicado e consome muito tempo; as pessoas com FC passam normalmente 2 a 2,5 horas por dia em tratamento.

As pessoas utilizam cada vez mais as tecnologias digitais para monitorizar a sua saúde e a sua forma física através de rastreadores de atividade e de aplicações para telemóveis. As pessoas com FC utilizam as tecnologias digitais para acompanhar e melhorar a forma como gerem o seu tratamento. Algumas tecnologias permitem que a informação seja carregada na Internet, para que os indivíduos e as suas equipas de saúde possam utilizar imediatamente essa informação para monitorizar e melhorar o tratamento.

O que pretendíamos descobrir?

A tecnologia digital pode ajudar as pessoas com FC a aderir aos seus tratamentos inalados?

As tecnologias digitais de controlo da adesão têm efeitos indesejáveis ou prejudiciais?

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinassem qualquer tipo de tecnologia digital para monitorizar a adesão a tratamentos inalados para a FC. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como a metodologia e tamanho dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos dois estudos, com 628 pessoas com idades compreendidas entre os cinco e os 41 anos, que utilizaram diferentes tecnologias digitais. Não foi possível combinar os seus resultados e analisámo-los separadamente. Ambos os estudos colocaram as pessoas participantes num de dois grupos aleatoriamente, com as mesmas probabilidades de pertencer a qualquer um deles.

Um pequeno estudo comparou dois modos de respiração de um nebulizador digital em 20 crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 16 anos (o nebulizador administrava um antibiótico sob a forma de uma névoa inalada). Um modo encorajava as crianças a respirar mais longa e profundamente através de um bocal adaptado; o outro modo consistia no padrão de respiração habitual. O estudo teve a duração de 10 semanas.

O estudo mais alargado envolveu 608 pessoas com 16 anos ou mais. Comparou um nebulizador de rastreio de dados emparelhado com uma plataforma baseada na Web chamada CFHealthHub com o mesmo nebulizador utilizado sem a plataforma baseada na Web. O CFHealthHub deu aos participantes acesso aos seus dados de adesão e apoio individual dos autores do estudo, que recolheram dados durante 12 meses.

Resultados-chave

O estudo que comparou os modos de inalação concluiu que as crianças que utilizaram o modo de respiração digitalmente melhorado registaram uma maior adesão ao tratamento com nebulizador do que as crianças que utilizaram o modo de respiração habitual. No entanto, isto pode fazer pouca diferença na função pulmonar. Não se registaram efeitos adversos (nocivos ou indesejáveis) decorrentes da utilização dos diferentes modos de inalação.

O segundo estudo mostrou que a combinação de um programa em linha com um nebulizador de rastreio de dados melhora provavelmente a adesão em comparação com a simples utilização do nebulizador. A combinação de nebulizador e apoio em linha também reduz provavelmente o "peso do tratamento". No entanto, é provável que faça pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida ou no número de crises da doença. O grupo que utilizou a plataforma online relatou um pouco mais de eventos adversos, mas não encontrámos qualquer diferença entre os grupos nos efeitos adversos que considerámos diretamente relacionados com o tratamento (medidos através de pontuações de ansiedade e depressão).

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência do estudo mais pequeno é limitada porque este era muito pequeno e centrava-se em crianças, enquanto a nossa pergunta era mais abrangente. Além disso, só comunicou dois dos resultados previstos.

A nossa confiança na evidência do estudo de maior dimensão variou entre baixa e moderada. Este estudo foi maior e analisou mais dos nossos resultados. No entanto, este estudo apenas incluiu pessoas com 16 anos ou mais, pelo que não sabemos se as suas conclusões se aplicam a crianças mais novas.

Os dados atuais sobre a forma como a tecnologia digital pode melhorar a adesão aos tratamentos inalados são limitados. A investigação futura deve avaliar o modo como a tecnologia pode melhorar a adesão aos tratamentos inalados em crianças e adultos e considerar o modo como isso afeta o plano de tratamento total (a adesão aos tratamentos inalados pode diminuir o tempo gasto noutros tratamentos).

Quão atualizada se encontra esta evidência?

A evidência encontra-se atualizada até 27 de fevereiro de 2025.

Calthorpe R, Smith S, Jahnke N, Smyth AR, supported by the Cochrane Cystic Fibrosis Review Group

Os tratamentos não-medicamentosos ajudam os adultos com epilepsia?

3 days 2 hours ago
Mensagens-chave

- É provável que os tratamentos psicocomportamentais reduzam ligeiramente a frequência das crises, mas não sabemos qual o seu efeito na qualidade de vida das pessoas.
- Os tratamentos mente-corpo (como o ioga) podem reduzir ligeiramente a frequência das crises, mas podem fazer pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida.
- Em geral, os efeitos do tratamento foram inconsistentes entre os estudos e a força da evidência variou.

O que é a epilepsia?

A epilepsia é uma doença comum que afeta o cérebro e provoca convulsões. Numa convulsão, os sinais elétricos do cérebro são subitamente interrompidos ou tornam-se demasiado ativos.

Qual é o papel dos tratamentos não medicamentosos na epilepsia?

A maioria das pessoas com epilepsia toma diariamente medicação anti-convulsiva para ajudar a controlar as crises. Um terço das pessoas com epilepsia não responde bem apenas à medicação: as crises persistem. Outros tratamentos não medicinais podem ajudar as pessoas com epilepsia a gerir os efeitos mentais, emocionais e do estilo de vida da doença. Dividimos estes tratamentos em seis grandes categorias, com base na forma como cada tratamento foi concebido para funcionar:

- tratamentos psicocomportamentais, que têm por objetivo alterar o comportamento da pessoa;
- tratamentos mente-corpo, como o relaxamento muscular e o ioga;
- tratamentos de auto-gestão, que têm como objetivo ajudar as pessoas a compreender e gerir melhor a sua doença;
- exercício físico, como treino cardiovascular ou aeróbico;
- abordagens de prestação de serviços lideradas por enfermeiros, em que enfermeiros especializados em epilepsia prestam cuidados de saúde;
- outras abordagens de prestação de serviços, como o apoio aos cuidados por telefone ou o apoio de equipas multidisciplinares.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se os tratamentos destas categorias eram melhores do que os cuidados habituais para a epilepsia que os adultos recebem nas clínicas:

- reduzir o número de convulsões que as pessoas sofrem;
- melhorar a sua qualidade de vida relacionada com a saúde (QVRS).

Também queríamos saber se estes tratamentos conduziam a quaisquer acontecimentos indesejáveis e prejudiciais.

O que fizemos?

Procurámos estudos que comparassem dois tipos diferentes de tratamentos não medicinais ou qualquer um destes tipos de ajuda com os cuidados habituais. Concentrámo-nos em pessoas com idade igual ou superior a 16 anos. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos o nível de confiança na evidência, com base em fatores como os métodos e o tamanho dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos 36 estudos que envolviam 5.834 pessoas com epilepsia. Os estudos incluíram diferentes grupos de pessoas: a maioria envolveu pessoas com qualquer tipo de epilepsia (26 estudos); seis estudos centraram-se nas pessoas com epilepsia grave ou epilepsia que não respondia à medicação; e quatro estudos incluíram pessoas com problemas de saúde adicionais, como depressão ou dificuldades de aprendizagem.

Os estudos foram realizados a nível mundial: 21 em países de rendimento elevado, sete em países de rendimento médio-alto e oito em países de rendimento médio-baixo.

Principais resultados

Frequência das convulsões

- Dois estudos mostraram que as intervenções psicocomportamentais são suscetíveis de reduzir o número de convulsões nos seis meses após o início da intervenção.
- Os métodos mente-corpo, como o relaxamento muscular ou o ioga, podem reduzir ligeiramente a frequência das crises.
- Três estudos mostraram que os métodos de auto-gestão podem não reduzir o número de crises por mês. No entanto, três outros estudos mostraram que são suscetíveis de ajudar mais pessoas a ficarem livres de convulsões. O efeito global permanece incerto.
- Não sabemos ao certo de que forma o exercício físico afeta as convulsões.
- Um estudo mostrou que a prestação de serviços liderada por enfermeiros especializados em epilepsia não reduziu a frequência das crises a curto prazo.
- Os resultados de outras abordagens de prestação de serviços foram mistos.

Qualidade de vida

- Não temos a certeza se as intervenções psicocomportamentais melhoram a qualidade de vida das pessoas.
- As abordagens mente-corpo e exercício podem fazer pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida das pessoas.
- Os métodos de auto-gestão podem melhorar ligeiramente a qualidade de vida. Este benefício não foi demonstrado em todos os estudos.
- Três estudos mostraram que o exercício físico pode não fazer qualquer diferença na qualidade de vida a curto prazo.
- As abordagens de prestação de serviços lideradas por enfermeiros provavelmente não fazem qualquer diferença na qualidade de vida.
- Uma abordagem de prestação de serviços revelou melhorias prováveis em alguns aspetos da qualidade de vida.

Outros desfechos

A evidência acerca dos efeitos destes tratamentos para ajudar as pessoas a aprender mais sobre a epilepsia, do uso de medicamentos, da saúde geral e da função social e psicológica foi muito limitada. É importante salientar que nenhuma das intervenções causou qualquer dano ou piorou o controlo das crises ou a qualidade de vida.

Quais são as limitações da evidência?

Em geral, temos uma confiança baixa ou muito baixa em muitos dos resultados porque os estudos eram muito diferentes uns dos outros. Testaram diferentes tipos de tratamentos, foram efetuados em diferentes formas e locais e mediram a frequência das crises e a qualidade de vida de forma diferente. Muitos estudos eram pequenos e tinham problemas na forma como foram concebidos ou relatados.

A maior parte da evidência diz respeito aos efeitos a curto prazo dos tratamentos, até seis meses. A evidência dos efeitos a longo prazo são muito limitadas, e temos muitas dúvidas sobre esta evidência. Os resultados desta revisão Cochrane são complexos. Muitos dos resultados foram mistos, alguns positivos, outros negativos, e com diferentes forças de evidência.

Quão atualizada se encontra a evidência?

Esta evidência encontra-se atualizada até agosto de 2023.

Huang Y, Nevitt SJ, Mayer J, Fleeman N, Hill RA, Doherty AJ, Wilson N, Boland P, Clegg AJ, Bilsborough H, Williams EJ, Maden M, Shaw EJ, Tudur Smith C, Kelly R, Marson AG

Quais são os benefícios e os malefícios da imunoglobulina para as pessoas com miastenia gravis?

3 days 2 hours ago
Mensagens-chave
  • A imunoglobulina intravenosa - um tratamento feito a partir de anticorpos de um dador - pode melhorar ligeiramente os sintomas e a capacidade de realizar atividades diárias em pessoas com miastenia gravis, uma doença em que o sistema imunitário - as defesas do organismo - ataca a comunicação entre os nervos e os músculos, causando fraqueza. No entanto, os efeitos podem não ser suficientemente grandes para serem importantes para os doentes.

  • Em comparação com a troca de plasma - um procedimento que filtra os anticorpos nocivos do sangue - a imunoglobulina intravenosa pode ser menos benéfica na melhoria dos sintomas e pode prolongar o internamento hospitalar, mas não estamos confiantes na evidência destes resultados.

  • A imunoglobulina intravenosa causa provavelmente dores de cabeça num terço dos doentes e pode levar à degradação dos glóbulos vermelhos, embora não seja claro se isso faria uma diferença real na saúde dos doentes.

  • Relativamente a muitos resultados, temos pouca ou nenhuma confiança na evidência devido à limitação dos dados e da qualidade dos estudos, o que realça a necessidade de mais estudos bem concebidos.

O que é a miastenia gravis?

A miastenia gravis é uma doença rara em que o sistema imunitário ataca a comunicação entre os nervos e os músculos, causando fraqueza. Afeta frequentemente os músculos utilizados para o movimento dos olhos, as expressões faciais e a deglutição, o que pode reduzir a qualidade de vida e, em alguns casos, aumentar o risco de morte.

Como é que a miastenia gravis é tratada?

O tratamento da miastenia gravis é personalizado e começa frequentemente com medicamentos que ajudam os nervos a enviar sinais aos músculos de forma mais eficaz. Outros tratamentos podem incluir medicamentos que reduzem a atividade do sistema imunitário, tratamentos imunitários específicos, remoção cirúrgica da glândula timo, troca de plasma ou imunoglobulina.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir se a imunoglobulina administrada através de uma veia (chamada imunoglobulina intravenosa, ou IVIg) ou sob a pele (chamada imunoglobulina subcutânea) proporciona mais benefícios do que outros tratamentos, como a troca de plasma, os corticosteroides ou o placebo (um tratamento simulado), na redução dos sintomas da doença avaliados pelo médico e na melhoria da capacidade dos doentes para realizarem as suas atividades diárias. Também investigámos se a imunoglobulina afeta a duração do internamento hospitalar, se conduz a hospitalizações relacionadas com a miastenia gravis e se provoca efeitos indesejáveis específicos relacionados com o tratamento, como hipotensão (tensão arterial baixa), dores de cabeça ou degradação dos glóbulos vermelhos.

O que fizemos?

Procurámos estudos que comparassem a imunoglobulina com outros tratamentos em pessoas que ainda apresentavam sintomas apesar de terem recebido outras terapias, incluindo apenas os que distribuíram as pessoas aleatoriamente por grupos de tratamento.

Comparamos e resumimos os resultados e classificamos a nossa confiança na evidência, com base em fatores tais como métodos e tamanhos dos estudos.

O que encontrámos?

Incluímos 12 estudos com 515 pessoas realizados na Europa, América do Norte e Ásia entre 1997 e 2025. Todos os estudos avaliaram a IgIV; nenhum estudo avaliou a imunoglobulina subcutânea.

  • IVIg versus placebo: A IgIV pode melhorar ligeiramente os sintomas avaliados pelo médico e a capacidade auto-relatada de realizar atividades diárias durante um período máximo de seis meses, embora os efeitos possam não ser suficientemente grandes para serem importantes para os doentes, mas temos pouca confiança na evidência. Estamos moderadamente confiantes de que a IgIV causa provavelmente cefaleias em até um terço dos doentes. Pode levar à degradação dos glóbulos vermelhos, embora não seja claro se isto faria uma diferença real na saúde dos doentes, e temos pouca confiança na evidência. A IgIV pode não alterar a duração do internamento hospitalar, mas não estamos confiantes na evidência desta evidência. Também pode não levar a mais hospitalizações relacionadas com a miastenia gravis, mas, mais uma vez, temos pouca confiança na evidência.

  • IVIg versus troca de plasma: A IgIV pode ser menos benéfica do que a plasmaferese na melhoria dos sintomas avaliados pelo médico, mas ambos os tratamentos podem melhorar a capacidade auto-relatada de realizar atividades diárias num grau semelhante nas primeiras duas semanas. No entanto, não estamos confiantes na evidência destes resultados. A IgIV também pode levar a estadias hospitalares mais longas do que a troca de plasma, mas temos pouca confiança na evidência. Os dois tratamentos podem não diferir nos seus efeitos indesejáveis, mas, mais uma vez, não estamos confiantes na evidência.

  • IVIg versus corticosteroides: A IgIV e os corticosteroides podem não diferir na melhoria dos sintomas avaliada pelo médico nas primeiras duas semanas, mas não estamos confiantes na evidência. Não existiu evidência disponível para outros resultados.

  • IgIV versus imunoglobulina subcutânea: nenhum estudo avaliou a imunoglobulina subcutânea ou a comparou com a IgIV ou outros tratamentos.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência foi reduzida devido aos dados limitados, às preocupações sobre a forma como as pessoas foram atribuídas aos tratamentos e ao facto de muitos resultados só terem sido relatados por um estudo. Não foi encontrada evidência que avaliassem a imunoglobulina subcutânea ou a sua comparação com a IgIV ou a troca de plasma. Também não encontrámos dados utilizáveis para muitos resultados que tínhamos planeado estudar.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A revisão está atualizada à data de setembro de 2024.

Manolopoulos A, Alzuabi M, Elmashala A, Cashwell J, Murad MH, Naddaf E

A riboflavina (vitamina B ₂ ) reduz a tensão arterial nos adultos?

3 days 2 hours ago
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  • O efeito dos suplementos orais de riboflavina (vitamina B 2 ) na tensão arterial é incerto.

  • São necessários ensaios de grande dimensão e bem conduzidos para avaliar o efeito da riboflavina na redução da tensão arterial.

O que é a tensão arterial?

A tensão arterial é a pressão do sangue circulante contra as paredes dos vasos sanguíneos. A pressão arterial sistólica é a pressão mais elevada durante um batimento cardíaco e a pressão arterial diastólica é a pressão mais baixa entre os batimentos cardíacos. Uma pressão arterial sistólica e diastólica mais elevada aumenta o risco de doença cardíaca e de acidente vascular cerebral.

O que é a riboflavina?

A riboflavina é uma vitamina (vitamina B 2 ) que se encontra naturalmente em muitos alimentos, como o leite e os produtos lácteos, extratos de levedura, ovos, fígado e rim. A riboflavina também pode ser tomada como suplemento.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se a toma de suplementos de riboflavina reduz a tensão arterial.

O que fizemos?

Procurámos estudos em adultos que comparassem os efeitos da riboflavina com um placebo (comprimidos "fictícios") na pressão arterial. Fizemos juízos de valor sobre a qualidade dos estudos incluídos e resumimos os seus resultados. Em seguida, classificámos a nossa confiança na evidência.

O que encontrámos?

Incluímos quatro estudos com um total de 374 pessoas. A evidência é muito incerta sobre o efeito da riboflavina na tensão arterial sistólica e na tensão arterial diastólica. A evidência sugere que a riboflavina pode resultar em pouca ou nenhuma diferença nos acontecimentos adversos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

Procurámos toda a evidência disponível até outubro de 2024.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência de que a riboflavina reduz a tensão arterial foi muito baixa, porque os resultados de algumas das pessoas que participaram nos estudos incluídos não foram comunicados e porque os estudos incluídos eram relativamente pequenos.

O que significam estes resultados?

O efeito da riboflavina na tensão arterial é muito incerto. Além disso, são necessários estudos de grande dimensão e de elevada qualidade para determinar se a riboflavina reduz a tensão arterial.

Bradbury KE, Coffey S, Earle N, Ni Mhurchu C, Jull AB

A terapia cognitivo-comportamental para a insónia (TCC-I) ajuda as pessoas com cancro?

3 days 2 hours ago
Mensagens-chave

- A terapia cognitivo-comportamental para a insónia (TCC-I) - um tipo de terapia de conversação que ajuda as pessoas a perceberem os pensamentos inúteis, a desafiá-los e a aprenderem formas mais saudáveis de pensar e de se comportar - pode reduzir ligeiramente a gravidade da insónia e pode melhorar ligeiramente a qualidade do sono em pessoas com cancro, em comparação com outros tratamentos, mas estamos muito incertos quanto a estes resultados.
- A CBT-I não parece conduzir a acontecimentos indesejáveis e prejudiciais, mas também não temos a certeza deste resultado.
- A investigação futura deve centrar-se na compreensão da forma como as pessoas com diferentes tipos de cancro e em diferentes fases do tratamento do cancro respondem à TCC-I.

Porque é que a insónia é um problema para as pessoas com cancro?

Muitas pessoas com cancro lutam contra a insónia, ou seja, têm dificuldade em dormir, mesmo quando têm oportunidade de dormir. As pessoas com cancro são mais propensas a ter insónias do que a população em geral. Podem ter dificuldade em dormir devido a dores, stress, preocupações ou efeitos secundários do tratamento do cancro. O facto de não dormirem bem pode fazer com que se sintam mais cansados, ansiosos ou deprimidos e pode tornar mais difícil lidar com o cancro e o seu tratamento.

Como é tratada a insónia nas pessoas com cancro?

Existem duas formas principais de tratar a insónia: medicação ou abordagens não-medicamentosas, como a TCC-I e o exercício físico. A TCC-I é uma terapia estruturada que ajuda as pessoas a aprenderem a pensar de forma diferente sobre o sono, a compreenderem como o sono funciona e a utilizarem ferramentas práticas, tais como:

- criar melhores hábitos de sono;
- Treinar o cérebro para ligar a cama ao sono;
- limitar o tempo na cama para melhorar a qualidade do sono.

Embora a TCC-I seja amplamente reconhecida como o tratamento de primeira escolha para o controlo da insónia na população em geral, a sua eficácia em pessoas com cancro necessita ainda de uma avaliação exaustiva, atualizada e pormenorizada.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se a CBT-I era melhor do que (1) nenhum tratamento ativo ou (2) outros tratamentos para melhorar a gravidade da insónia, a qualidade do sono e os parâmetros do diário do sono, ou seja, coisas como a hora a que se deitaram, o tempo que demoraram a adormecer e o número de vezes que acordaram durante a noite. Também queríamos saber se a TCC-I levou a algum evento indesejado ou prejudicial grave.

O que fizemos?

Procurámos estudos que comparassem a TCC-I com outros tratamentos para pessoas com cancro. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência.

O que encontrámos?

Encontrámos 21 estudos que envolviam 2.431 pessoas, predominantemente mulheres adultas diagnosticadas com cancro da mama. Dezassete dos 21 estudos foram realizados na América do Norte. Identificamos cinco comparações. Neste resumo, apresentamos os resultados das duas principais comparações:

- CBT-I versus nenhum tratamento ativo;
- CBT-I versus atividades aeróbicas.

Principais resultados

- CBT-I versus nenhum tratamento ativo;

Em pessoas com cancro, a TCC-I pode melhorar ligeiramente a gravidade da insónia, a qualidade do sono e a maioria dos parâmetros do diário de sono sem introduzir eventos adicionais indesejados ou prejudiciais. No entanto, temos muitas dúvidas quanto aos resultados relativos à gravidade da insónia, à frequência ou rapidez com que as pessoas acordam depois de adormecerem e aos eventos indesejáveis e prejudiciais graves.

- CBT-I versus atividades aeróbicas.

A TCC-I pode melhorar ligeiramente a gravidade da insónia e a qualidade do sono sem introduzir outros eventos indesejáveis ou prejudiciais graves. No entanto, a TCC-I pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na maioria dos parâmetros do diário de sono. Temos muitas dúvidas quanto aos resultados relativos aos acontecimentos indesejáveis ou prejudiciais graves e à duração total do sono registada pelo diário de sono.

Quais são as limitações da evidência?

Não estamos confiantes na evidência porque as pessoas nos estudos podem ter sabido qual o tratamento que estavam a receber, o que poderia ter afetado a forma como responderam ao tratamento. Além disso, o número de estudos era demasiado reduzido para se poder ter certezas quanto aos resultados dos nossos resultados de interesse.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

Esta evidência é atual até abril de 2025.

Cai Z, Tang Y, Liu C, Li H, Zhao G, Zhao Z, Zhang B

O semaglutide é um tratamento eficaz para a perda de peso em adultos com obesidade e causa efeitos indesejáveis?

3 days 2 hours ago
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  • Os adultos com obesidade perdem mais peso com o semaglutide do que com o placebo (um medicamento simulado). No entanto, o risco de acontecimentos indesejáveis é provavelmente mais elevado do que com o placebo após 24 meses. O semaglutide faz pouca ou nenhuma diferença - ou tem efeitos incertos - na qualidade de vida, eventos cardiovasculares major e morte.

  • O fabricante do semaglutide esteve envolvido em 17 dos 18 estudos incluídos, o que suscita preocupações quanto à fiabilidade dos resultados. É necessária mais investigação independente que incida sobre pessoas de diferentes origens e locais.

O que é obesidade?

A obesidade é uma condição crónica na qual a pessoa possui excesso de gordura corporal. Pode aumentar o risco de problemas de saúde como a diabetes tipo 2, doenças do coração e dos vasos sanguíneos (doenças cardiovasculares) e alguns tipos de cancro. Os níveis de obesidade estão a aumentar em todo o mundo, o que representa um grande encargo para os sistemas de saúde. A gestão da obesidade envolve frequentemente mudanças no estilo de vida, como uma dieta mais saudável e uma maior atividade física. No entanto, muitas pessoas têm dificuldade em manter estas mudanças, e os médicos podem prescrever medicamentos para apoiar a perda de peso.

O que é o semaglutide?
O semaglutide é um medicamento que imita uma hormona intestinal natural. Reduz o apetite, ajudando as pessoas a perder peso. Pode ser administrado por injeção ou por ingestão. Algumas pessoas que tomam semaglutide sofrem efeitos indesejáveis, como sentir-se ou estar doente, diarreia e indigestão. Medicamentos semelhantes incluem liraglutide e tirzepatide.

O que pretendíamos descobrir?
Queríamos saber até que ponto o semaglutide funciona bem em adultos com obesidade a médio prazo (6 a 24 meses) e a longo prazo (24 meses ou mais). Examinámos os seus efeitos na perda de peso, efeitos indesejáveis, problemas de saúde associados à obesidade, qualidade de vida e risco de morte.

Não analisámos o que acontece depois de as pessoas deixarem de tomar semaglutide.

O que fizemos?
Procurámos estudos que comparassem o semaglutide com um placebo (medicamento simulado), mudanças no estilo de vida ou outro medicamento para perder peso em pessoas com obesidade. Comparamos e analisamos os resultados e avaliamos nossa confiança nas evidência.

O que encontrámos?
Incluímos 18 estudos com 27.949 homens e mulheres, com idades entre 41 e 69 anos, que tomaram semaglutide entre 6 meses e 4 anos ou mais. Os estudos foram realizados principalmente em países de rendimento médio-alto ou alto e incluíram sobretudo pessoas brancas e asiáticas. Compararam o semaglutide com placebo, liraglutide e tirzepatide. A principal comparação com o placebo apresenta os seguintes resultados.

  • A médio prazo (16 estudos, 10.041 pessoas): o semaglutide leva a uma maior perda de peso em percentagem do peso corporal e a um maior número de pessoas que perdem 5% do seu peso corporal do que o placebo. As pessoas podem sentir efeitos indesejáveis ligeiros a moderados com o semaglutide, mas estes efeitos indesejáveis provavelmente fazem pouca ou nenhuma diferença para as pessoas que decidem parar o tratamento. Os efeitos do semaglutide nos efeitos indesejáveis graves não são claros. É provável que o semaglutide faça pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida e pode não reduzir significativamente os eventos cardiovasculares major ou as mortes.

  • A longo prazo (2 estudos, 17.908 pessoas): a perda de peso provavelmente continua com o semaglutide em percentagem do peso corporal e no número de pessoas que perdem 5% do seu peso corporal. É provável que o semaglutide faça pouca ou nenhuma diferença nos efeitos indesejáveis graves, e não temos a certeza dos seus efeitos nos efeitos indesejáveis ligeiros a moderados. No entanto, estes efeitos indesejáveis fazem provavelmente com que mais pessoas decidam interromper o tratamento. É provável que o semaglutide faça pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida, nos eventos cardiovasculares major ou na morte.

Quais são as limitações da evidência?

Estamos muito confiantes de que as pessoas que tomam semaglutide perdem mais peso do que as que tomam placebo. No entanto, o fabricante do semaglutide esteve envolvido na maioria dos estudos, pelo que a nossa confiança nos resultados é limitada. Os locais de estudo e os participantes eram bastante semelhantes, pelo que não sabemos como o semaglutide funciona em pessoas de diferentes origens e locais.

Quão atualizada se encontra esta revisão?
A evidência encontra-se atualizada até 17 de dezembro de 2024.

Bracchiglione J, Meza N, Franco JVA, Escobar Liquitay CM, Novik A V, Ocara Vargas M, Lazcano G, Poloni D, Rinaldi Langlotz F, Roqué-Figuls M, Munoz SR, Madrid E

Quais são os benefícios e os riscos do uso de metilxantinas (fármacos com leve efeito estimulante) em bebês prematuros que apresentam pausas respiratórias durante o sono (apneia)?

3 days 2 hours ago
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- Em comparação com nenhum tratamento ou um medicamento placebo (inativo), as metilxantinas provavelmente levam a menos episódios de apneia (pausas na respiração), provavelmente reduzem a necessidade de aparelhos de respiração e reduzem a ocorrência de lesão pulmonar em bebês prematuros.
- As metilxantinas provavelmente fazem pouca ou nenhuma diferença no risco de bebês prematuros morrerem antes de receberem alta do hospital. Houve pouca evidência sobre os efeitos colaterais das metilxantinas.
- Mais pesquisas são necessárias sobre os efeitos a longo prazo desses medicamentos.

O que é apneia da prematuridade?
Apneia da prematuridade é quando bebês nascidos muito cedo (prematuros) param de respirar por pelo menos 20 segundos durante o sono. Mais da metade de todos os bebês prematuros têm apneia. Episódios de apneia podem resultar em baixa frequência cardíaca e baixo nível de oxigênio no sangue, levando à necessidade de suporte com respirador artificial (ventilação mecânica). Bebês prematuros, especialmente aqueles nascidos antes de 28 semanas no útero (gestação), têm maior risco de morrer ou ter doenças pulmonares, dificuldades intelectuais, cegueira ou surdez do que bebês nascidos na data prevista para o parto ou próximos a ela.

Como é tratada a apneia em bebês prematuros?
É comumente tratada com metilxantinas – substâncias encontradas no chá, café e chocolate. Três tipos de metilxantinas são cafeína, aminofilina e teofilina. Eles agem como estimulantes leves para acelerar os sistemas do corpo e facilitar a respiração. Os médicos administram metilxantinas aos bebês por três razões principais: (1) para prevenir episódios de apneia; (2) para tratar/reduzir episódios de apneia e, assim, evitar que o bebê precise usar aparelhos de respiração (ventilação mecânica); e (3) para aumentar as chances de que os bebês que já estão usando aparelhos de respiração consigam ser “desmamados” desses aparelhos (extubação) e voltem a respirar sozinhos. Em todos os casos, o objetivo é minimizar as chances dos bebês desenvolverem os problemas descritos acima.

O que se buscou descobrir?
Queríamos descobrir se a administração de metilxantinas a bebês prematuros por qualquer um dos motivos descritos acima reduz os episódios de apneia e o risco de morte e melhora o desenvolvimento a longo prazo destes bebês.

O que nós fizemos?
Buscamos estudos que administraram metilxantinas a recém-nascidos prematuros com risco de apneia da prematuridade ou com ela. Comparamos e resumimos os resultados destes estudos, classificando nossa confiança nas evidências com base em critérios como os métodos utilizados e o tamanho das amostras.

O que encontramos?
Encontramos 18 estudos em que participaram 2.705 bebês prematuros com ou em risco de apneia. O maior e mais longo estudo incluiu 2.006 bebês de 9 países ao longo de 5 anos, o qual relatou os desfechos de alguns dos bebês até eles se tornarem adolescentes. Os 17 estudos restantes foram muito menores, variando de 18 a 86 bebês; esses estudos foram conduzidos nos EUA (6 estudos), Reino Unido (3 estudos), Canadá, Irã (2 estudos em cada país), Austrália, França, Espanha e Suíça (1 estudo em cada país). A maioria desses estudos concentrou-se em desfechos imediatos e de curto prazo e não analisou o desenvolvimento dos bebês a longo prazo. Dos 18 estudos, 14 foram conduzidos nas décadas de 1980 e 1990.

O uso de metilxantina nos estudos variou: 6 estudos exploraram a prevenção da apneia; 5 estudos exploraram o tratamento da apneia; 6 estudos investigaram a metilxantina para desmame de respiradores (extubação); e 1 estudo (o maior) investigou a metilxantina administrada para todos os 3 motivos.

Resultados principais
Comparado a não administrar nenhum tratamento ou administrar um medicamento placebo (inativo), administrar metilxantinas a bebês prematuros por qualquer motivo:

- provavelmente leva a uma redução no risco de episódios de apneia;
- provavelmente aumenta o número de bebês que apresentam menos episódios de apneia após 2 a 7 dias;
- provavelmente reduz a necessidade de respiradores após o início do tratamento;
- reduz a displasia broncopulmonar, uma forma de lesão pulmonar.

Um único estudo de grande porte demonstrou que administrar metilxantinas (especificamente, cafeína) melhora o desenvolvimento de crianças entre 18 e 24 meses de idade.

Quais são as limitações das evidências?
Nossa confiança nas evidências varia. O grande estudo usou métodos robustos: os bebês foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos de tratamento, e os pesquisadores que coletavam as informações sobre os resultados não sabiam a qual grupo cada bebê pertencia (procedimento chamado de “mascaramento” ou cegamento). Estes métodos tendem a produzir evidências de alta qualidade. Este estudo dominou a revisão e forneceu a única evidência sobre o desenvolvimento cerebral dos bebês na infância. Os métodos dos estudos restantes foram de qualidade variável. Muitos não mascararam os pesquisadores, e a maioria relatou desfechos que não são críticos para o desenvolvimento dos bebês a longo prazo. Entretanto, não tínhamos razão para acreditar que esses estudos omitiram erroneamente qualquer informação ou relataram apenas resultados favoráveis, apesar de não relatarem desfechos de longo prazo, como morte.

Quão atuais são essas evidências?
As evidências estão atualizadas até novembro de 2022.

Marques KA, Bruschettini M, Roehr CC, Davis PG, Fiander M, Soll RF

O treinamento cardiovascular alivia a fadiga relacionada ao câncer antes, durante ou depois da terapia anticâncer?

5 days 5 hours ago
Mensagens principais
  • O treinamento cardiovascular durante a terapia anticâncer provavelmente reduz ligeiramente a fadiga relacionada ao câncer por até 12 semanas.

  • Os efeitos a longo prazo do treinamento cardiovascular na fadiga relacionada ao câncer e na qualidade de vida são incertos e não há evidência sobre os efeitos do treinamento cardiovascular antes da terapia anticâncer.

  • Encontramos quase 50 estudos sobre treinamento cardiovascular antes, durante e depois do tratamento do câncer que estão em andamento e que aumentarão as evidência quando os resultados forem publicados.

O que é a fadiga relacionada ao câncer?

A fadiga relacionada ao câncer é uma sensação extrema de cansaço por um longo período de tempo. Pode ser causado pelo tratamento do câncer ou pelo próprio câncer. É o sintoma mais comum entre pessoas com câncer. Não pode ser aliviada pelo repouso e afeta o corpo e a mente.

O que é treinamento cardiovascular?

O treinamento cardiovascular é qualquer atividade que utiliza os grandes grupos musculares das nádegas e coxas e aumenta a frequência cardíaca e respiratória. Exemplos são caminhada, corrida, ciclismo e natação.

Por que o treinamento cardiovascular é possivelmente efetivo para a fadiga relacionada ao câncer?

A fadiga relacionada ao câncer está ligada à resposta do corpo às citocinas, que regulam o aumento de tamanho dos tecidos e órgãos (chamado crescimento celular). O câncer ou a terapia contra o câncer podem produzir proteínas chamadas citocinas pró-inflamatórias, que causam ou pioram a inflamação (a resposta do corpo a uma lesão ou doença, que inclui sintomas como inchaço e dor). O treinamento cardiovascular pode ajudar a reduzir a inflamação.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se o treinamento cardiovascular reduz a fadiga relacionada ao câncer em comparação com nenhum treinamento. Exploramos os efeitos em curto (até 12 semanas), médio (até seis meses) e longo prazo (mais de seis meses). Também analisamos a qualidade de vida, efeitos indesejados, ansiedade e depressão.

O que fizemos?

Buscamos estudos que investigassem o treinamento cardiovascular antes, durante ou depois da terapia anticâncer em comparação com nenhum treinamento. Esses estudos precisavam avaliar a fadiga relacionada ao câncer ou a qualidade de vida ou ambas. O treinamento cardiovascular deveria ter pelo menos cinco sessões de exercícios e ser ministrado por meio de instruções presenciais (por vídeo ou pessoalmente). Não consideramos estudos com menos de 20 pessoas por grupo ou que estavam disponíveis apenas em forma de resumo curto.

O que encontramos?

Encontramos 23 estudos com 2135 pessoas. A maioria dos estudos foi conduzida em países de alta renda (97%; onde as pessoas têm fácil acesso a cuidados de saúde de boa qualidade). Um total de 1101 pessoas receberam treinamento cardiovascular e 1034 pessoas não receberam nenhum treinamento. As pessoas incluídas nos estudos eram, em sua maioria, mulheres e tinham câncer de mama.

Também encontramos 36 estudos em andamento e 12 estudos concluídos que ainda não foram publicados.

Principais resultados

Não houve estudos comparando o treinamento cardiovascular antes da terapia anticâncer com nenhum treinamento. Incluímos 10 estudos sobre treinamento cardiovascular durante terapia anticâncer, mas só pudemos usar os resultados de oito. Para treinamento cardiovascular após terapia anticâncer versus nenhum treinamento, encontramos 13 estudos para inclusão, mas só pudemos usar os resultados de nove.

Treinamento cardiovascular durante a terapia anticâncer versus nenhum treinamento:
  • provavelmente reduz ligeiramente a fadiga a curto prazo relacionada ao câncer (6 estudos, 593 pessoas);

  • provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida a curto prazo (6 estudos, 612 pessoas);

  • não sabemos se o treinamento cardiovascular aumenta ou diminui a fadiga relacionada ao câncer a médio e longo prazo , a qualidade de vida e quaisquer efeitos indesejados.

Treinamento cardiovascular após terapia anticâncer versus nenhum treinamento:
  • não sabemos se o treinamento cardiovascular aumenta ou diminui a fadiga relacionada ao câncer a curto e longo prazo , a qualidade de vida e quaisquer efeitos indesejados;

  • não conseguimos encontrar dados sobre fadiga relacionada ao câncer e qualidade de vida em médio prazo .

Quais são as limitações das evidências?

Temos moderada confiança nas evidências sobre o efeito do treinamento cardiovascular durante a terapia anticâncer na fadiga relacionada ao câncer e na qualidade de vida a curto prazo . Nossa confiança nas outras evidência é muito baixa, pois houve menos estudos ou estudos menores, e as pessoas sabiam qual tratamento receberam. Não houve evidência de treinamento cardiovascular antes da terapia anticâncer e de treinamento cardiovascular após a terapia anticâncer na fadiga relacionada ao câncer e na qualidade de vida em médio prazo.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Nossas evidências estão atualizadas até 16 de outubro de 2023.

Wagner C, Ernst M, Cryns N, Oeser A, Messer S, Wender A, Wiskemann J, Baumann FT, Monsef I, Bröckelmann PJ, Holtkamp U, Scherer RW, Mishra SI, Skoetz N

Intervenções terapêuticas e sociais dirigidas às perturbações conversivas e dissociativas

1 week ago

O objetivo desta revisão consiste em proporcionar uma melhor compreensão do que é uma intervenção (tratamento) eficaz e útil para pessoas com perturbações conversivas e perturbações dissociativas. As intervenções analisadas são não-farmacológicas. Em alternativa, dizem antes respeito a terapia e intervenções sociais.
 
Contexto

As perturbações conversivas e dissociativas são doenças em que as pessoas apresentam sintomas neurológicos invulgares (relacionados com os nervos e o sistema nervoso) ou alterações da consciência ou da identidade. Estes sinais clínicos não são explicados por doenças neurológicas ou outras patologias médicas; frequentemente, encontram-se presentes fatores de stress ou trauma psicológico (que afetam ou surgem na mente). Os sintomas são reais e podem causar angústia ou perturbar o funcionamento da vida quotidiana das pessoas que os apresentam.

Esta revisão procura ajudar estes doentes, bem como os clínicos, os decisores políticos e os serviços de saúde que lidam com estas perturbações.

Pergunta de revisão

Qual a evidência da intervenção psicossocial (relacionada com fatores sociais e com o pensamento e comportamento individuais) nas perturbações conversivas e dissociativas?

Data da pesquisa

Pesquisámos bases de dados médicas entre 16 de julho e 16 de agosto de 2019.

Resultados da pesquisa

Lemos 3.048 resumos de artigos, o que resultou em 17 estudos que preencheram os nossos critérios para as perturbações, grupos de pessoas, intervenções e para os tipos de estudos que são o foco desta revisão.

Os 17 estudos tinham 894 participantes e cada estudo era relativamente pequeno. 

Estão em curso mais estudos, que serão incluídos nas atualizações desta revisão.

Caraterísticas dos estudos

Os estudos foram realizados em nove países diferentes de todo o mundo, com adultos de idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos, com diagnóstico de perturbação conversiva ou dissociativa por qualquer período de tempo. Alguns estudos foram realizados em contexto psiquiátrico ou neurológico. Alguns incluíam pessoas já hospitalizadas, outros incluíam pessoas em contexto ambulatório. 

As intervenções eram todas psicossociais, o que significa que se centravam em intervenções psicológicas ou sociais tais como terapia, hipnose ou simplesmente educar as pessoas relativamente à sua doença. O número de sessões foi variável.

Todos os estudos incluídos compararam a intervenção ao grupo de controlo para verificar se as intervenções resultavam nalguma diferença. Os grupos de controlo receberam uma intervenção psicossocial diferente, medicação ou os cuidados que as pessoas habitualmente receberiam se tivessem a mesma doença mas não fizessem parte de um estudo de investigação.

O resultado primário que procurámos obter foi a redução de sinais físicos.

Resultados-chave

Investigámos o efeito de diferentes tipos de intervenções psicossociais, desde a hipnose à terapia comportamental. Nenhum dos estudos foi efetuado com um nível de qualidade suficientemente elevado para se poder concluir algo sobre a evidência dos resultados.

Verificou-se uma redução dos sinais físicos no final do tratamento em três das intervenções.

A hipnose reduziu a gravidade da disfunção em comparação com as pessoas em lista de espera para tratamento; a terapia comportamental complementar aos cuidados de rotina em doentes internados reduziu o número de convulsões semanais e a gravidade dos sintomas, em comparação com as pessoas que foram sujeitas apenas a cuidados de rotina; e a psicoterapia precedida de entrevista motivacional (uma terapia que tenta fazer com que uma pessoa passe de um estado de indecisão ou incerteza para uma atitude positiva) reduziu a frequência das convulsões, em comparação com a psicoterapia isoladamente.

Qualidade da evidência

A maioria dos estudos incluídos apresentavam falhas metodológicas e a qualidade da evidência utilizada para avaliar a eficácia dos diferentes tratamentos foi considerada baixa ou muito baixa. Devido a esta evidência de baixa qualidade, não podemos dizer o quão fiáveis são os resultados.

Conclusão

Os resultados da meta-análise e dos estudos individuais sugerem que há falta de evidência relativamente aos efeitos de qualquer tipo de intervenção psicossocial na perturbação conversiva e nas perturbações dissociativas em adultos. Consequentemente, não é possível retirar dos estudos incluídos quaisquer conclusões sobre os potenciais benefícios ou prejuízos .

No entanto, a revisão evidencia que é possível a investigação nesta área.

Ganslev CA, Storebø OJ, Callesen HE, Ruddy R, Søgaard U

Videojogos para a esquizofrenia

1 week ago
Questão da revisão

Serão os videojogos um tratamento eficaz (por si só ou de forma complementar) a fim de melhorar o bem-estar e o funcionamento das pessoas com esquizofrenia ou perturbação esquizoafetiva?

Contexto

A esquizofrenia é uma doença mental grave que afeta pessoas por todo o mundo. As pessoas com esquizofrenia têm frequentemente uma visão distorcida da realidade - percecionando coisas que não estão presentes (alucinações) e acreditando em coisas que não são verdadeiras (delírios). As pessoas com esquizofrenia podem ter dificuldade em se auto-motivar, experienciar ansiedade e depressão, e apresentar sintomas cognitivos, tendo frequentemente dificuldade em se manter concentradas nas atividades do dia-a-dia e desorientando-se. As alucinações e os delírios são habitualmente tratados com medicamentos antipsicóticos, enquanto que os outros sintomas podem ser difíceis de gerir apenas com medicação isoladamente.

As terapias psicológicas são por vezes utilizadas em conjunto com a medicação para ajudar a tratar alguns sintomas da esquizofrenia. No entanto, estas terapias podem ser complexas e financeiramente dispendiosas. Os videojogos são um tratamento relativamente pouco dispendioso e, para muitos, cativante. Estes foram propostos como potencial ajuda para melhorar as disfunções cognitivas, como a falta de concentração ou o défice de memória, que frequentemente apresentam as pessoas com esquizofrenia. Se eficazes, os videojogos poderão providenciar um tratamento adicional simples e relativamente barato para as pessoas com esquizofrenia.

Pesquisa

Procurámos ensaios clínicos controlados e aleatorizados (um tipo de estudo em que os participantes são atribuídos a um de dois ou mais grupos de tratamento através de um método aleatório) que envolvessem pessoas com esquizofrenia a receber ora uma intervenção com o uso de videojogos, ora outro tipo de tratamento, como terapia (cognitiva) ou placebo (tratamento simulado). Realizámos a pesquisa em março de 2017, agosto de 2018 e agosto de 2019.

Resultados

Sete ensaios preencheram os nossos critérios de inclusão e forneceram dados viáveis. As intervenções com o uso de videojogos foram classificadas em intervenções que envolviam movimentos do corpo ("exergames") e intervenções que não envolviam estes movimentos ("não-exergames"). Os ensaios que utilizaram «não-exergames» compararam a intervenção com videojogos com uma forma de terapia de "treino cerebral", conhecida como reabilitação cognitiva. Um ensaio comparou os «exergames» ao tratamento habitual e outro ensaio comparou os «não-exergames» com os «exergames». Todas as intervenções dos ensaios clínicos incluídos foram administradas em complementaridade aos cuidados habituais.

A evidência atualmente disponível sugere que os «não-exergames» podem não ser tão benéficos para o funcionamento cognitivo como a reabilitação cognitiva, mas não existiram outras diferenças evidentes entre os «não-exergames» e a reabilitação cognitiva na melhoria do funcionamento em pessoas com esquizofrenia. Os videojogos mais dirigidos para o exercício físico podem ter algum benefício, em comparação com o tratamento habitual, na melhoria da aptidão física. Não podemos retirar nenhuma conclusão significativa relativamente aos efeitos dos videojogos até que evidência de maior qualidade esteja disponível.

Roberts MT, Lloyd J, Välimäki M, Ho GWK, Freemantle M, Békefi AZ

Poderão os programas nas redes sociais ajudar a população a melhorar a sua saúde?

1 week ago
Mensagens-chave

Programas nas redes sociais (como o Facebook ou o Twitter) que visam aumentar a atividade física podem ajudar as pessoas a tornarem-se mais fisicamente ativas e podem melhorar o seu bem-estar.

São necessários estudos futuros para averiguar se existem efeitos indesejáveis associados à participação em programas interativos nas redes sociais.

O que são as redes sociais?

As redes sociais são tecnologias computacionais que ajudam as pessoas a partilhar ideias, pensamentos e informações através da criação de redes e comunidades virtuais na Internet; exemplos incluem Facebook, Twitter ou WhatsApp. As redes sociais são "interativas": o utilizador comunica diretamente com um computador ou outro dispositivo para partilhar e receber informação.

O que pretendíamos descobrir?

As pessoas que utilizam as redes sociais podem trocar ideias e partilhar atualizações sobre os seus comportamentos, tais como se tornar mais ativo ou a comer de forma mais saudável. Queríamos descobrir se os programas de saúde que utilizam as redes sociais interativas podem mudar comportamentos e melhorar a saúde das pessoas.

O que fizemos?

Procurámos estudos que testassem os efeitos de programas em redes sociais interativas na saúde das pessoas. Estávamos interessados em como os programas podem afetar, nas pessoas:

- os seus comportamentos na saúde (como fumar, beber álcool, amamentar, seguir uma dieta, atividade física; procurar e utilizar serviços de saúde);

- a sua saúde (por exemplo, condição física, função pulmonar, episódios de asma);

- a sua saúde mental (por exemplo, instrumentos de avaliação de depressão, stress, capacidade de lidar com as situações);

- o seu bem-estar; e

- se as pessoas comunicaram quaisquer efeitos indesejáveis associados aos programas das redes sociais interativas.

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Incluímos evidência publicada até 1 de junho de 2020.

O que descobrimos?

Encontrámos 88 estudos que envolveram 871.378 adultos (com 18 anos ou mais). A maioria dos estudos (49) foram realizados nos EUA; todos os estudos foram realizados tanto em países de elevado rendimento como em países de rendimento médio-alto. O Facebook foi a plataforma de redes sociais mais utilizada; outros incluíram o WeChat, Twitter, WhatsApp e o Google Hangouts.

Na maioria dos estudos, os efeitos dos programas nas redes sociais interativas foram comparados com programas não-interativos, incluindo programas em papel ou presenciais, ou com nenhum programa. Dez estudos compararam dois programas de redes sociais entre si; para estes estudos, escolhemos o programa mais interativo dos dois como o "programa de redes sociais interativas".

Quais são os principais resultados da nossa revisão?

Em comparação com os programas não-interativos, os programas nas redes sociais:

- podem melhorar alguns comportamentos na saúde, como o aumento do número de passos diários efetuados ou a participação em testes de rastreio, mas podem evidenciar pouco ou nenhum efeito noutros, como uma melhor dieta ou na redução do consumo de tabaco (evidência de 54 estudos em 20 139 pessoas).

- podem causar pequenas melhorias na saúde, tais como um pequeno aumento quantitativo na perda de peso e uma pequena redução na frequência cardíaca em repouso (evidência de 30 estudos em 4.521 pessoas).

- podem melhorar o bem-estar das pessoas (evidência de 16 estudos em 3.792 pessoas).

- podem ter pouco ou nenhum efeito na saúde mental das pessoas, como na depressão (evidência de 12 estudos em 2.070 pessoas).

Nenhum estudo relatou quaisquer efeitos indesejáveis associados à utilização das redes sociais.

Quais são as limitações da evidência?

De um modo geral, a nossa confiança na evidência é baixa. Muitos estudos não reportaram claramente como tinham sido concretizados. Na maioria dos estudos, as pessoas sabiam se estavam a participar num programa interativo, e isso pode ter afetado os resultados do estudo. Alguns dos estudos não reportaram todos os seus resultados, e houve grandes variações nos resultados de alguns estudos. É provável que mais investigação aumente a nossa confiança na evidência.

Petkovic J, Duench S, Trawin J, Dewidar O, Pardo Pardo J, Simeon R, DesMeules M, Gagnon D, Hatcher Roberts J, Hossain A, Pottie K, Rader T, Tugwell P, Yoganathan M, Presseau J, Welch V

Quais são os benefícios e os malefícios dos medicamentos utilizados para tratar a tensão arterial ligeiramente elevada?

1 week ago
Mensagens-chave
  • Em pessoas com tensão arterial ligeiramente elevada, mas que não sofrem de doenças cardiovasculares (por exemplo, ataques cardíacos) ou outros riscos de saúde relacionados (por exemplo, diabetes), os medicamentos para baixar a tensão arterial podem não reduzir o risco de morte ou o risco de desenvolver doenças cardiovasculares (coração e vasos sanguíneos) graves.

  • Os medicamentos para baixar a tensão arterial podem reduzir o risco de AVC, mas também podem aumentar o risco de efeitos indesejáveis que resultam na suspensão do estudo.

  • É necessária investigação adicional para compreender os efeitos dos medicamentos para baixar a tensão arterial em pessoas com tensão arterial ligeiramente elevada sem doença cardiovascular ou outros riscos relacionados com a saúde (por exemplo, diabetes).

O que é a hipertensão?

A hipertensão é a pressão arterial consistentemente elevada.

Como é que a hipertensão é tratada?

Dependendo da gravidade da hipertensão de um indivíduo e de outras condições médicas que possa ter, a hipertensão pode ser tratada com um estilo de vida saudável, incluindo dieta e atividade física regular. Também é frequente serem prescritos medicamentos.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber os benefícios e os riscos dos medicamentos que baixam a tensão arterial prescritos a pessoas com hipertensão ligeira (tensão arterial sistólica 140 a 159 mmHg, tensão arterial diastólica 90 a 99 mmHg) e que não sofriam de doenças cardiovasculares (coração e vasos sanguíneos) graves ou de outros riscos de saúde relacionados.

O que fizemos?

Procurámos estudos sobre medicamentos para baixar a tensão arterial em pessoas com hipertensão ligeira para saber se estes reduzem o risco de morte e de doenças cardiovasculares graves (incluindo acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos). Também analisámos o risco de efeitos indesejáveis. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como a metodologia e o tamanho dos estudos.

O que descobrimos?

Incluímos cinco estudos que envolveram um total de 9.124 pessoas, 4.593 que receberam medicamentos para baixar a pressão arterial e 4.531 que receberam placebo (tratamento simulado) ou nenhum tratamento. Descobrimos que os medicamentos podem não reduzir o risco de morte ou de doenças cardiovasculares graves. Os medicamentos para baixar a tensão arterial podem reduzir o risco de AVC, mas também podem aumentar o risco de efeitos indesejáveis que resultam na suspensão do estudo.

Principais resultados

O benefício de um menor risco de AVC com medicamentos para a tensão arterial em pessoas com hipertensão ligeira e sem outras doenças cardíacas ou condições que aumentem o risco de doenças cardiovasculares tem de ser ponderado em relação aos efeitos indesejáveis destes medicamentos.

Quais são as limitações da evidência?

Temos pouca confiança na evidência porque os estudos não abrangeram todas as pessoas em que estávamos interessados; os estudos eram muito pequenos; e não havia estudos suficientes para ter a certeza sobre os resultados. Um dos estudos que demonstrou uma redução do risco de AVC foi realizado em pessoas com doença renal, pelo que pode não ser aplicável a todas as pessoas com hipertensão ligeira. Apenas um estudo relatou efeitos indesejáveis dos medicamentos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até junho de 2024.

Wang D, Wright JM, Adams SP, Cundiff DK, Gueyffier F, Grenet G, Ambasta A

Quais são os benefícios e os riscos dos suplementos de ómega-3 no tratamento de lesões nervosas em adultos com diabetes?

1 week ago
Mensagens-chave
  • Muito poucos ensaios clínicos avaliaram os benefícios e os malefícios dos suplementos de ácidos gordos ómega 3 no tratamento das lesões dos nervos periféricos (lesões dos nervos fora do cérebro e da espinal medula) associadas à diabetes.

  • São ainda necessários estudos maiores e melhor desenhados para compreender se os suplementos de ácidos gordos ómega-3 podem reduzir o risco de desenvolver deficiências, como a perda de funções ou capacidades normais, e sintomas associados a lesões nervosas em pessoas com diabetes.

  • Poderá haver pouca ou nenhuma diferença entre os suplementos de ácidos gordos ómega-3 e o placebo (tratamento “simulado”) na ocorrência de efeitos secundários indesejáveis entre as pessoas com diabetes, quando o tratamento é tomado ao longo de seis meses, mas estamos muito incertos quanto aos resultados.

O que é a polineuropatia simétrica distal difusa?

A polineuropatia simétrica distal difusa é uma doença dos nervos que pode ocorrer em pessoas com diabetes. Afeta os nervos que transmitem a sensação e os nervos que controlam os movimentos musculares. Os sintomas mais comuns incluem formigueiro, ardor, dormência e dor nas mãos e nos pés. As pessoas com esta doença podem também sofrer de fraqueza muscular, perda de reflexos, feridas ou úlceras nos pés que não cicatrizam bem, ou perda de sensibilidade nas mãos e nos pés, o que pode afetar a coordenação e a marcha.

Como é tratada a polineuropatia simétrica distal difusa?

A polineuropatia simétrica distal difusa é atualmente tratada através do controlo dos sintomas, como a dor, e da prevenção de mais lesões nervosas, controlando os níveis de açúcar no sangue através de dieta, exercício e medicamentos para a diabetes. Atualmente, não existem tratamentos que possam prevenir, reverter ou curar eficazmente a lesão do nervo em si.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir se os suplementos orais de ómega-3 eram melhores do que o tratamento com placebo ou nenhum tratamento para melhorar a incapacidade e os sintomas associados a lesões nervosas na diabetes.

O que fizemos?

Procurámos ensaios clínicos que analisaram suplementos de ómega-3, em comparação com placebo ou nenhum tratamento, em adultos com diabetes com polineuropatia simétrica distal difusa. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e classificamos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos de estudo.

O que descobrimos?

Encontrámos dois estudos que, em conjunto, envolveram 87 pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2, que receberam suplementos de ómega-3 ou um tratamento com placebo durante seis meses.

Em comparação com o tratamento com placebo, os suplementos de ácidos gordos ómega-3 tomados durante seis meses podem fazer pouca ou nenhuma diferença no comprometimento da neuropatia periférica, nos sintomas da neuropatia periférica ou no bem-estar. Embora não seja um dos principais resultados desta revisão, é possível que os suplementos de ómega-3 possam melhorar a saúde dos nervos na córnea (a parte transparente da frente do olho) em comparação com os suplementos placebo. No entanto, estas conclusões baseiam-se nos resultados de um único ensaio clínico, uma vez que o segundo ensaio não estudou este resultado. Consequentemente, não sabemos ao certo se estes resultados são generalizáveis a todas as pessoas com diabetes ou até que ponto quaisquer benefícios podem ser clinicamente significativos.

Os suplementos de ácidos gordos ómega-3 podem não causar mais efeitos indesejáveis em comparação com o tratamento com placebo, mas estamos muito inseguros quanto aos resultados.

Quais são as limitações da evidência?

Temos pouca confiança na evidência, uma vez que apenas dois ensaios clínicos avaliaram os benefícios e os danos da suplementação com ómega-3 no tratamento de lesões nervosas em adultos com diabetes, e ambos os estudos envolveram apenas um pequeno número de pessoas. Apenas um dos dois estudos estava disponível como publicação científica e era o único estudo que fornecia dados sobre as medidas de eficácia em que estávamos interessados. Mais evidência pode muito bem alterar estes resultados.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até junho de 2024.

Britten-Jones AC, Linstrom TA, Makrai E, Singh S, Busija L, MacIsaac RJ, Roberts LJ, Downie LE

Que medicamentos, tomados por via oral ou injetados, funcionam melhor para tratar a psoríase em placas (uma condição de pele com manchas elevadas)?

1 week ago
Mensagens-chave
  • Após seis meses de tratamento, os medicamentos chamados "biológicos" parecem funcionar melhor para eliminar as manchas elevadas de psoríase na pele.

  • São necessários estudos mais longos para avaliar os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de um tratamento mais longo com medicamentos injetáveis ou administrados por via oral para tratar a psoríase.

  • São necessários mais estudos que comparem diretamente estes tipos de medicamentos entre si.

O que é a psoríase?

O sistema imunitário mantém os germes e outras substâncias estranhas fora do corpo e destrói as que entram. A psoríase é uma doença imunitária em que o sistema imunitário não funciona como deveria. A psoríase afeta a pele e, por vezes, as articulações. A psoríase acelera a produção de novas células da pele, que se acumulam para formar manchas elevadas na pele, conhecidas como "placas". As placas podem ser escamosas, com prurido e avermelhadas na pele branca e manchas mais escuras nos tons de pele mais escuros. A psoríase em placas é a forma mais comum de psoríase.

Como é que a psoríase é tratada?

Os tratamentos dependem da gravidade dos sintomas. Cerca de uma em cada 10 a duas em cada 10 pessoas com psoríase moderada ou grave terão de tomar medicamentos que afetam o sistema imunitário para ajudar a controlar a psoríase. Estes medicamentos são chamados tratamentos sistémicos, porque afetam todo o organismo. Estes são normalmente tomados por via oral ou injetados.

Porque é que fizemos esta revisão Cochrane?

Existem três tipos diferentes de medicamentos sistémicos para tratar a psoríase.

  • "Biológicos" - proteínas, como os anticorpos, que têm como alvo as interleucinas e as citocinas (partes do sistema imunitário que afetam o comportamento das células).

  • Tratamentos sintéticos direcionados - medicamentos produzidos por seres humanos que afetam as células imunitárias (por exemplo, apremilast).

  • Medicamentos não direcionados - medicamentos utilizados há muito tempo no tratamento da psoríase, como o metotrexato, a ciclosporina e os retinoides.

Queríamos compreender os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de tomar medicamentos sistémicos para tratar a psoríase, e ver se alguns medicamentos funcionam melhor do que outros.

O que fizemos?

Procurámos estudos que testaram medicamentos sistémicos em adultos com psoríase em placas moderada a grave.

O que encontrámos?

Encontrámos 204 estudos, incluindo 26 novos estudos desde a nossa última pesquisa em julho de 2024. Os estudos testaram 26 medicamentos diferentes, abrangendo 67.889 adultos com psoríase (idade média de 44,4 anos) e tiveram uma duração de dois a seis meses. Dos 177 estudos que indicaram a sua fonte de financiamento, 157 foram financiados por empresas farmacêuticas e 27 não indicaram a fonte de financiamento.

A maioria dos estudos compararam os medicamentos sistémicos com um placebo (um tratamento inativo que não contém qualquer medicamento, mas que parece idêntico ao medicamento que está a ser testado). Utilizaram uma escala de medição comum denominada Índice de Gravidade da Área de Psoríase para comparar a forma como cada medicamento eliminava as placas de psoríase da pele, procurando uma melhoria de 90%. Poucos estudos referiram o bem-estar das pessoas.

Comparámos todos os medicamentos entre si.

Quais são os principais resultados da nossa revisão?

Todos os medicamentos testados funcionaram melhor do que um placebo no tratamento da psoríase, quando medido como uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase.

Os medicamentos biológicos (que tinham como alvo moléculas denominadas interleucinas 17, 23, 12/23 e a citocina TNF-alfa) trataram a psoríase melhor do que os tratamentos sintéticos dirigidos e os medicamentos não dirigidos.

Em comparação com o placebo, cinco medicamentos biológicos funcionaram melhor no tratamento da psoríase, com poucas diferenças entre eles:

  • infliximab (tem como alvo o TNF-alfa);

  • ixekizumab, bimekizumab, xeligekimab (têm como alvo a interleucina-17); e

  • risankizumab (tem como alvo a interleucina-23).

Não encontrámos evidência de uma diferença no número de acontecimentos indesejáveis graves para todos os medicamentos sistémicos testados quando comparados com um placebo. No entanto, os estudos não apresentaram de forma consistente resultados sobre danos, tais como acontecimentos indesejáveis graves. Por conseguinte, não temos certezas quanto a esta questão.

Limitações da evidência

Descobrimos que, em comparação com o placebo, os medicamentos biológicos infliximab, xeligekimab, bimekizumab, ixekizumab e risankizumab foram os tratamentos mais eficazes para alcançar uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase em pessoas com psoríase moderada a grave. Estamos confiantes nos nossos resultados para o bimekizumab e moderadamente confiantes nos nossos resultados para o infliximab, ixekizumab, xeligekimab e risankizumab.

Estamos menos confiantes nos nossos resultados relativamente aos acontecimentos indesejáveis graves, devido ao número reduzido de casos notificados.

Também estamos menos confiantes nos resultados relativos aos medicamentos não-alvo devido a preocupações sobre a forma como alguns dos estudos foram conduzidos. É provável que novos estudos venham a alterar estes resultados.

Não encontrámos muitos estudos para alguns dos 26 medicamentos incluídos na nossa revisão. As pessoas que participaram nos estudos tinham frequentemente psoríase grave no início do estudo, pelo que os nossos resultados podem não ser úteis para pessoas cuja psoríase é menos grave. Os nossos resultados referem-se apenas ao tratamento com medicamentos sistémicos durante um período máximo de seis meses.

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Incluímos estudos até julho de 2024.

Nota editorial: esta é uma revisão sistemática viva. As revisões sistemáticas vivas oferecem uma nova abordagem à atualização de revisões, na qual a revisão é continuamente atualizada, incorporando evidência nova relevante à medida que a mesma se torna disponível.

Sbidian E, Chaimani A, Guelimi R, Tai CC, Beytout Q, Choudhary C, Mubuanga Nkusu A, Ollivier C, Samaran Q, Hughes C, Afach S, Le Cleach L

Quão eficazes são vacinas contra o papilomavírus humano para as mulheres que foram submetidas a um procedimento cirúrgico para remover células anormais do colo do útero, e se têm efeitos indesejáveis?

1 week ago
Mensagens-chave
  • A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização (remoção de um cone de tecido que contém células anormais, também conhecida como biópsia de cone) pode reduzir o risco de alterações celulares pré-cancerosas do colo do útero (principalmente CIN 2+).

  • Devido a limitações nos dados, não temos a certeza se a vacinação contra o HPV (administrada pouco antes, durante ou após a conização), em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, afeta o risco de cancro do colo do útero ou a infeção persistente pelo HPV.

  • São necessários mais estudos de elevada qualidade para avaliar a eficácia e os efeitos indesejáveis da vacinação contra o HPV em mulheres com conização. Estes ensaios devem também ter em conta grupos específicos, como as mulheres que já tinham sido vacinadas contra o HPV e os diferentes grupos etários.

O que é o papilomavírus humano e como é tratado?

O cancro do colo do útero é o quarto cancro mais comum que afeta mulheres em todo o mundo. É causada por uma infeção persistente com tipos específicos de papilomavírus humano (HPV). Embora as infeções por HPV sejam comuns e normalmente desapareçam sem qualquer problema, as infeções persistentes por HPV podem progredir para alterações celulares anormais no colo do útero (ou seja, condições pré-cancerosas), denominadas neoplasia intra-epitelial cervical (CIN). Estas condições pré-cancerosas podem ser classificadas em lesões de baixo grau (designadas CIN 1) e lesões de alto grau (designadas CIN 2 e CIN 3). Enquanto as lesões de baixo grau geralmente diminuem espontaneamente sem tratamento, as lesões de alto grau têm uma maior probabilidade de progredir para cancro do colo do útero. O CIN 3 corresponde ao carcinoma in situ (células anormais confinadas ao local onde surgiram inicialmente) e ao adenocarcinoma in situ (células anormais que se deslocaram para as glândulas); é bem aceite que estes precedem imediatamente o cancro do colo do útero.

Existem mais de 200 tipos de HPV e mais de 40 deles infetam a zona genital. Sete em cada 10 cancros do colo do útero são causados pelos tipos 16 e 18 do HPV. As mulheres diagnosticadas com CIN 2 e CIN 3 são normalmente consideradas para conização cervical (também conhecida como biópsia em cone), um procedimento cirúrgico para remover células anormais e evitar a progressão para cancro do colo do útero.

Na Europa, existem três vacinas contra o HPV aprovadas: uma vacina bivalente (que protege contra dois tipos de HPV), uma quadrivalente (que protege contra quatro tipos de HPV) e uma nonavalente (que protege contra nove tipos de HPV). A vacina contra o HPV é utilizada para prevenir o cancro do colo do útero, mas a sua eficácia nas mulheres com conização continua a ser incerta. De notar que utilizamos o termo "com conização" de forma indistinta para nos referirmos a sempre que a vacinação contra o HPV foi administrada na altura do procedimento de conização, ou seja, antes, durante ou após o procedimento.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber quão eficaz é a vacina contra o HPV nas mulheres que fizeram ou fazem conização para remover lesões pré-cancerosas do colo do útero e se esta tem efeitos indesejáveis.

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinaram os efeitos da vacinação contra o HPV em mulheres de qualquer idade com conização para tratar alterações pré-cancerosas das células cervicais causadas pelo HPV. Resumimos os resultados, avaliámos a sua fiabilidade e classificámos a nossa confiança na evidência.

O que encontrámos?

Encontrámos 13 estudos que incluíram 21.453 mulheres com conização. Os estudos variam em termos de conceção e qualidade. A maioria dos estudos foi realizada na Europa (10 estudos) e utilizou a vacina quadrivalente (sete estudos) ou nonavalente (um estudo) contra o HPV. Alguns estudos acompanharam as mulheres durante mais de 60 meses.

Principais resultados
  • A vacinação contra o HPV, em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, pode reduzir o risco de lesões pré-cancerosas. No entanto, os resultados têm de ser interpretados com precaução.

  • Não temos a certeza de que a vacinação contra o HPV, em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, tenha um efeito no cancro do colo do útero e na infeção persistente pelo HPV.

  • Não existiam dados sobre novas infeções por HPV, adenocarcinoma in situ e qualidade de vida, e a restante evidência era, na sua maioria, inconclusiva.

  • Os efeitos indesejáveis incluíram reações ligeiras (vermelhidão e erupção cutânea: 92 em cada 100 mulheres; dor de cabeça: 8 em cada 100 mulheres) e alergias graves (1 em cada 100 mulheres).

Quais são as limitações da evidência?

A evidência provinha principalmente de estudos que tinham potenciais problemas com a forma como foram efetuados. Apenas dois estudos foram concebidos para produzir evidência mais sólida. Os estudos não forneceram informações suficientes para saber se uma vacinação anterior contra o HPV significa que outra vacinação e o seu momento em relação ao procedimento de conização dão resultados diferentes. Precisamos também de saber mais sobre os efeitos nos diferentes grupos etários.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até maio de 2023.

Kapp P, Schmucker C, Siemens W, Brugger T, Gorenflo L, Röbl-Mathieu M, Grummich K, Thörel E, Askar M, Brotons M, Andersen PH, Konopnicki D, Lynch J, Ruta S, Saare L, Swennen B, Tachezy R, Takla A, Učakar V, Vänskä S, Zavadska D, Adel Ali K, Olsson K,…

Pergunta da revisão

1 week ago
Qual é a eficácia das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso ou da obesidade em crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos?Mensagens-chave

- Não é claro se as intervenções baseadas no microbioma intestinal (intervenções nutricionais que visam os micróbios intestinais) têm um efeito no índice de massa corporal (IMC), peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, medidas da pressão arterial e eventos adversos em crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade.

- É necessária mais investigação, incluindo ensaios de maior dimensão, para compreender os efeitos das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso e da obesidade em crianças e adolescentes.

O que é o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso é uma condição de depósitos excessivos de gordura, e a obesidade é uma doença crónica caracterizada por depósitos excessivos de gordura que podem afetar a maioria dos sistemas do corpo, prejudicar a qualidade de vida e reduzir a esperança de vida. O IMC, calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilogramas pela sua altura em metros, ao quadrado, é frequentemente utilizado para definir o excesso de peso e a obesidade.

Como se controla o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso ou a obesidade podem ser tratados através de alterações na dieta, aconselhamento comportamental para modificar o estilo de vida, medicamentos ou cirurgia. Apesar destas abordagens, esta epidemia mundial afeta mais de 390 milhões de crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 5 e os 19 anos e 37 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade em 2022. O excesso de peso ou a obesidade estão associados a um metabolismo anormal e a um desequilíbrio do microbioma intestinal. Trabalhos publicados demonstraram que as intervenções nutricionais que visam o "microbioma intestinal" podem ter efeitos benéficos no peso corporal e na percentagem de gordura corporal. O microbioma intestinal é a comunidade de bactérias inofensivas e outros microorganismos no intestino humano necessários para uma saúde ótima.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir o efeito de várias intervenções nutricionais dirigidas à comunidade microbiana intestinal sobre o IMC, o peso corporal, o perímetro da cintura, a percentagem total de gordura corporal, a pressão arterial e os eventos adversos associados às intervenções entre crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos.

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinaram os efeitos de intervenções baseadas no microbioma intestinal, incluindo prebióticos (ingredientes alimentares que promovem micróbios benéficos no intestino), probióticos (micróbios vivos que são bons para a saúde), simbióticos (uma combinação de prebióticos e probióticos), ácidos gordos de cadeia curta (ou seja pequenas moléculas de gordura produzidas por bactérias intestinais através da fermentação de fibras alimentares e hidratos de carbono não digeríveis) e transplante de microbiota fecal (ou seja, uma cápsula contendo micróbios das fezes de um dador saudável), em comparação com os cuidados habituais, placebo, controlo ou nenhuma intervenção em crianças e adolescentes até aos 19 anos de idade. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos 17 estudos que envolviam 838 crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade. Os estudos foram realizados em diferentes países, incluindo Espanha, China, Taiwan, Canadá, México, Itália, Polónia, Turquia, Irão, Tailândia, Dinamarca, Nova Zelândia e EUA.

Adolescentes dos 10 aos 19 anos

As intervenções nutricionais dirigidas aos micróbios intestinais podem ter pouco ou nenhum efeito sobre o IMC, o peso corporal, o tamanho da cintura, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os acontecimentos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Crianças e adolescentes dos 0 aos 19 anos

Não é claro se os prebióticos têm um efeito no tamanho da cintura, na percentagem de gordura corporal, na pressão arterial e nos eventos adversos, em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os prebióticos, quando comparados com um tratamento simulado (ou seja, uma intervenção que não contém qualquer medicamento, mas que tem um aspeto ou sabor idêntico ao da intervenção que está a ser testada), podem resultar numa pequena redução do IMC e do peso corporal, mas a evidência é muito incerta.

Os probióticos comparados com um tratamento simulado podem ter pouco ou nenhum efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial e eventos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os simbióticos têm um efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial diastólica e eventos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os simbióticos podem resultar numa redução da pressão arterial sistólica, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os ácidos gordos de cadeia curta têm um efeito sobre o peso corporal, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os efeitos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os ácidos gordos de cadeia curta podem resultar numa redução do IMC e do perímetro da cintura, mas a evidência é muito incerta.

Os efeitos secundários das intervenções não foram, em geral, relatados nos estudos incluídos, mas um estudo observou potenciais efeitos secundários, como cólicas abdominais, desconforto abdominal, dor abdominal, diarreia, vómitos e enxaqueca no grupo dos prebióticos; no entanto, a ocorrência foi muito baixa. Náuseas e dores de cabeça foram notificadas noutro estudo no grupo dos ácidos gordos de cadeia curta, mas foram mínimas.

Quais são as limitações da evidência?

As conclusões da revisão são limitadas pelo pequeno número de participantes, pelo reduzido número de estudos disponíveis para cada uma das comparações, pela falta de dados a longo prazo e pela insuficiente notificação de efeitos adversos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência inclui estudos publicados até janeiro de 2025.

Fahim SM, Huey SL, Palma Molina XE, Agarwal N, Ridwan P, Ji N, Kibbee M, Kuriyan R, Finkelstein JL, Mehta S
Checked
57 minutes 23 seconds ago
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