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Quais são os efeitos da nutrição personalizada (nutrição de precisão) no tratamento da obesidade em crianças e adolescentes?

2 months 2 weeks ago
Mensagens principais

• Não está claro se a nutrição de precisão (ou seja, dietas personalizadas de acordo com características individuais) tem efeito sobre a alteração do peso corporal ou índice de massa corporal (IMC: uma medida percentil do peso da pessoa em relação à média para uma determinada idade) em crianças e adolescentes com obesidade.

• São necessários mais estudos, especialmente pesquisas maiores e de melhor qualidade, para entender se esse tipo de abordagem realmente funciona no manejo da obesidade em crianças e adolescentes.

O que são sobrepeso e obesidade?

O índice de massa corporal (IMC) é calculado dividindo o peso (em quilos) pela altura ao quadrado (em metros). Ele ajuda a identificar sobrepeso (quando há excesso de gordura corporal) e obesidade (uma doença crônica caracterizada por um acúmulo ainda maior de gordura, que pode prejudicar a saúde).

Como o sobrepeso e a obesidade são tratados?

O tratamento pode envolver mudanças na alimentação, mudanças no estilo de vida (como atividade física), uso de medicamentos e em alguns casos cirurgia. Mesmo assim, a obesidade continua sendo um grande desafio. Em 2022, cerca de 37 milhões de crianças menores de cinco anos viviam com obesidade no mundo. Entre adolescentes, os casos quadruplicaram desde 1990. Isso sugere que abordagens alternativas ou complementares ao tratamento podem ser necessárias, como intervenções personalizadas ou baseadas em nutrição de precisão.

O que queríamos descobrir?

Nos últimos anos, a ideia de nutrição de precisão (nutrição personalizada), ganhou destaque. A nutrição de precisão busca adaptar a alimentação às características de cada pessoa. Estudos iniciais sugerem que esse tipo de abordagem pode ajudar no controle do peso, especialmente em crianças e adolescentes.

Queríamos descobrir se intervenções baseadas em nutrição de precisão funcionam melhor do que orientações alimentares padronizadas (iguais para todos) em crianças de 0 a 9 anos, adolescentes de 10 a 19 anos, ou em ambos os grupos (0 a 19 anos) no:

• bem-estar físico e mental;

• nível de atividade física;

• qualidade de vida relacionada à saúde;

• limitações causadas pela obesidade;

• efeitos indesejados das intervenções;

• mudanças no peso, avaliadas pelo IMC ou pelo peso corporal.

O que fizemos?

Buscamos por estudos que avaliavam intervenções baseadas em nutrição de precisão, como orientações ou educação alimentar apoiadas por inteligência artificial, ou métodos que avaliam características do corpo humano, como genes, proteínas e outras substâncias. Comparamos essas intervenções personalizadas com orientações alimentares tradicionais (iguais para todos, como apenas reduzir calorias ou seguir um padrão alimentar sem considerar diferenças individuais) ou com nenhuma intervenção, em crianças e adolescentes de até 19 anos. Resumimos os resultados e avaliamos a confiança nas evidências, considerando o tamanho dos estudos e a forma como foram conduzidos.

O que nós encontramos?

Encontramos 2 estudos, com um total de 105 crianças e adolescentes, que duraram entre 1 e 3 meses.

Em crianças de 0 a 9 anos, não está claro se a nutrição de precisão tem efeitos sobre o IMC ou o peso corporal quando comparada a uma intervenção padronizada

Em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, também não está claro se a nutrição de precisão causa mudanças no IMC ou no peso corporal quando comparada com intervenção padronizada.

Quais são as limitações das evidências?

As principais limitações das evidências são o número pequeno de estudos e o baixo número de participantes. Isso reduz nossa confiança nos resultados. Atualmente, não há evidências suficientes para afirmar se a nutrição de precisão funciona ou não no manejo da obesidade em crianças e adolescentes. Mais pesquisas são necessárias, especialmente estudos maiores e bem planejados.

Quão atualizadas estão essas evidências?

Essas evidências estão atualizadas até julho de 2024.

Huey SL, Mehta NH, Steinhouse RS, Jin Y, Kibbee M, Kuriyan R, Finkelstein JL, Mehta S

Quais são os benefícios e riscos das diferentes formas de acessar a articulação do quadril durante a cirurgia de substituição (cirurgia de prótese) parcial do quadril?

2 months 2 weeks ago
Mensagens principais
  • As evidências disponíveis ainda estão em desenvolvimento, e novos estudos podem modificar as nossas conclusões.

  • No momento, não temos confiança suficiente para afirmar que uma via cirúrgica (forma de acessar a articulação do quadril) seja melhor do que outra em relação à realização de tarefas do dia a dia, à qualidade de vida relacionada à saúde, à mobilidade ou ao estado funcional, à mortalidade ou à dor nos primeiros quatro meses após a cirurgia.

O que é a hemiartroplastia do quadril?

A hemiartroplastia do quadril, também chamada de substituição parcial do quadril, é uma cirurgia em que a cabeça do fêmur (osso da coxa) é substituída por uma prótese artificial, enquanto a cavidade do quadril, onde o fêmur se encaixa, é preservada.

Por que isso é importante para pessoas com fraturas do quadril?

As fraturas do quadril são frequentes, especialmente em adultos mais velhos. Elas costumam causar muita dor e dificultar a caminhada ou a vida independente. A substituição parcial do quadril é uma forma de tratar essas fraturas, ajudando a aliviar a dor e a permitir uma recuperação mais rápida. Durante a cirurgia, existem diferentes maneiras de acessar a articulação do quadril, e cada uma pode ter vantagens e desvantagens.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir qual é o efeito das diferentes vias cirúrgicas para a substituição parcial do quadril na recuperação das pessoas após a cirurgia.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que compararam diferentes vias de realizar a substituição parcial do quadril. Esses estudos precisavam distribuir as pessoas de forma aleatória entre as vias cirúrgicas (ou usar métodos semelhantes, como a data de nascimento) e acompanhar sua recuperação após a cirurgia. Incluímos apenas estudos com adultos que sofreram fratura do quadril. Em seguida, reunimos e analisamos os resultados desses estudos e avaliamos o quanto podemos confiar nas evidências, considerando fatores como o número de participantes e a qualidade dos métodos utilizados.

O que encontramos?

Encontramos 27 estudos com 3.369 participantes. Esses estudos foram realizados na Europa e na Ásia. O maior estudo incluiu 843 pessoas, enquanto o menor incluiu 29 participantes. O tempo de acompanhamento variou de 40 dias a cinco anos.

Via anterior versus posterior: pode haver pouca ou nenhuma diferença na capacidade de realizar tarefas diárias, no estado funcional, no risco de morte ou na dor três meses após a cirurgia. No entanto, os resultados são muito incertos. Nenhum estudo avaliou a qualidade de vida relacionada à saúde nos primeiros quatro meses após a cirurgia.

Via anterior versus lateral: pode haver pouca ou nenhuma diferença na realização de tarefas diárias, no estado funcional ou na dor após três meses da cirurgia. No entanto, os resultados são muito incertos. Encontramos que a abordagem anterior pode reduzir ligeiramente a claudicação (mancar) três meses após a cirurgia. Nenhum estudo avaliou a qualidade de vida relacionada à saúde nos primeiros quatro meses após a cirurgia. Também não temos certeza do efeito sobre a mortalidade nesse mesmo período.

Via lateral versus posterior: pode haver pouca ou nenhuma diferença na realização de tarefas diárias, na qualidade de vida relacionada à saúde, no estado funcional ou na dor três meses após a cirurgia. Os resultados são muito incertos. Da mesma forma, pode não haver diferença no risco de morte nos primeiros três meses após a cirurgia.

Quais são as limitações das evidências?

De modo geral, nossa confiança nas evidências disponíveis é baixa ou muito baixa. Dois fatores principais reduziram nossa confiança nas evidências. Primeiro, muitos estudos incluíram poucos participantes, o que dificulta ter certeza sobre os resultados, além de apresentar resultados inconsistentes entre os estudos. Segundo, o tamanho reduzido dos estudos dificultou a identificação de efeitos raros, mas importantes, que muitas vezes não foram relatados ou foram descritos de forma inadequada.

Quão atualizadas estão essas evidências?

As evidências estão atualizadas até 1º de novembro de 2024. Os estudos foram publicados entre 1981 e 2024.

Morrell AT, Lindsay SE, Schabel K, Parker MJ, Griffin XL

Os suplementos de cálcio tomados antes da gravidez ajudam a prevenir a tensão arterial elevada e as suas complicações?

2 months 2 weeks ago
Mensagens-chave
  • Evidência de um estudo (1.355 mulheres) mostra que a ingestão de cálcio extra antes da gravidez pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na pré-eclâmpsia (uma complicação da gravidez) ou na perda gestacional e na pré-eclâmpsia. Os dados de 633 mulheres que engravidaram durante o estudo mostraram resultados semelhantes, exceto uma ligeira redução de pré-eclâmpsia ou de perda gestacional.

  • O estudo não forneceu evidência de efeitos indesejáveis do cálcio ou da morte do bebé durante a gravidez e o início da vida.

  • São necessários mais estudos para decidir se os suplementos de cálcio iniciados antes da gravidez ajudam as mulheres a evitar a tensão arterial elevada, a pré-eclâmpsia e outras complicações. A investigação deve também abordar a forma como as mulheres consideram aceitáveis os suplementos de cálcio.

Porque é que a tensão arterial elevada é um problema na gravidez e como é que o cálcio pode ajudar?

A tensão arterial elevada durante a gravidez é uma das principais causas de morte e de doenças graves nas mães e nos bebés. A pré-eclâmpsia é a complicação mais grave. É diagnosticada quando a grávida desenvolve tensão arterial elevada com sinais de lesões na placenta e noutros órgãos, como os rins ou o fígado. Atualmente, não existe qualquer tratamento para a pré-eclâmpsia para além do parto. O cálcio pode ajudar a baixar a tensão arterial. Muitas pessoas, especialmente nos países com baixos rendimentos, não têm cálcio suficiente na sua alimentação, pelo que a administração de suplementos de cálcio antes da gravidez pode prevenir a pré-eclâmpsia e salvar muitas mães e bebés.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se a administração de suplementos de cálcio às mulheres antes de engravidarem poderia ajudar a prevenir a tensão arterial elevada, a pré-eclâmpsia e outros problemas de saúde graves para a mãe e o bebé. Também estávamos interessados em quaisquer efeitos indesejáveis dos suplementos de cálcio.

O que fizemos?

Procurámos estudos que comparassem a administração de suplementos de cálcio antes da gravidez com um placebo (medicamento simulado) ou cuidados normais. As mulheres que participaram nos estudos tinham de estar a planear uma gravidez. Podem ser de qualquer idade e viver em qualquer parte do mundo. As suas dietas normais podem incluir qualquer quantidade de cálcio e podem ter qualquer risco de tensão arterial elevada. Os estudos podem administrar qualquer dose de cálcio durante qualquer período de tempo, desde que os suplementos sejam iniciados antes da gravidez. Analisámos a evidência para todas as mulheres do estudo e apenas para as mulheres que engravidaram durante o estudo.

Comparamos e resumimos os resultados e classificámos a nossa confiança na evidência, com base em fatores tais como os métodos e o tamanho dos estudos.

O que descobrimos?

Encontrámos um estudo com 1.355 mulheres. Todas elas tinham tido pré-eclâmpsia na sua gravidez mais recente, pelo que corriam um risco elevado de a voltar a ter. Foram-lhes administrados diariamente cálcio extra ou um comprimido de placebo até às 20 semanas de gravidez. Após 20 semanas, todas as mulheres passaram a receber cálcio diário extra até ao parto. Viviam na Argentina, na África do Sul e no Zimbabué.

Os suplementos de cálcio antes da gravidez podem fazer pouca ou nenhuma diferença:

  • pré-eclâmpsia ou perda de gravidez;

  • pré-eclâmpsia;

  • perda gestacional; e

  • parto antes das 37 semanas.

Não temos a certeza sobre o efeito do cálcio extra antes da gravidez na morte da mãe, na morte ou doença grave da mãe e nado-morto.

Os resultados relativos a 633 mulheres que engravidaram durante o estudo são muito semelhantes, exceto no que se refere a uma ligeira redução da pré-eclâmpsia ou da perda gestacional.

Não foi encontrada evidência sobre efeitos indesejáveis, morte do bebé durante a gravidez e no início da vida, morte do recém-nascido, morte de recém-nascidos nos primeiros 7 dias de vida, ou morte ou doença grave de recém-nascidos.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência deste estudo é limitada pelo facto de quase um terço das mulheres incluídas não terem sido acompanhadas ou terem abandonado o estudo. Não sabemos se estas mulheres engravidaram e quais foram os seus resultados.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

A evidência inclui estudos publicados até janeiro de 2025.

Cluver CA, Rohwer C, Rohwer A, Puga MEdSSantos, Torloni MR, Hofmeyr GJ

Tomar suplementos de cálcio durante a gravidez ajuda a prevenir pressão alta e complicações relacionadas?

2 months 2 weeks ago
Mensagens principais
  • Encontramos pouca ou nenhuma diferença no número de mulheres que desenvolveram pré-eclâmpsia quando tomaram suplementos de cálcio durante a gravidez. Também não temos certeza sobre os efeitos do cálcio em desfechos graves para mães e bebês.

  • A maioria das mulheres começou a tomar cálcio no segundo trimestre da gravidez. Por isso, esta revisão não traz informações sobre o uso do cálcio no início da gestação. Além disso, não temos dados suficientes para comparar mulheres que já consomem cálcio suficiente na alimentação com aquelas que não consomem, nem para comparar mulheres com alto risco de pré-eclâmpsia com aquelas de baixo risco.

  • Quando analisamos apenas estudos grandes, com mais de 500 mulheres, encontramos evidências confiáveis. É improvável que novos estudos mudem essas conclusões. Por isso, pesquisas futuras podem focar em outras formas de prevenir problemas de pressão alta durante a gravidez.

Por que a pressão alta é um problema durante a gravidez?

A pressão alta na gravidez é uma das principais causas de morte e de doenças graves em mães e bebês. A complicação mais grave é a pré-eclâmpsia. Ela afeta a placenta e pode prejudicar outros órgãos, como rins, fígado e cérebro. Atualmente, não existe tratamento para a pré-eclâmpsia além do parto.

Como o cálcio pode ajudar?

Alguns estudos sugerem que o cálcio pode reduzir a pressão arterial em pessoas com pressão normal e em mulheres que já tiveram pré-eclâmpsia. No entanto, outros estudos não confirmam esse efeito. Mesmo assim, o cálcio é fácil de obter, tem baixo custo e provavelmente é seguro para mães e bebês. As mulheres tomam os suplementos de cálcio por via oral (engolidos), em forma de comprimidos. Se o cálcio prevenisse a pré-eclâmpsia, ele poderia reduzir mortes e doenças graves em mães e bebês.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se tomar cálcio durante a gravidez ajuda a prevenir a pré-eclâmpsia e outros problemas de pressão alta. Também queríamos saber se o cálcio causa efeitos indesejados e se reduz mortes de bebês durante a gravidez ou logo após o nascimento, além de mortes ou doenças graves em mães e bebês e partos antes do tempo.

O que fizemos?

Buscamos estudos que avaliaram o uso de suplementos de cálcio durante a gravidez. Usamos critérios rigorosos para incluir apenas estudos confiáveis. Avaliamos a qualidade dos estudos antes de comparar e resumir os resultados. Por fim, analisamos o quanto podemos confiar nas conclusões.

O que nós encontramos?

Encontramos 10 estudos com 37.504 mulheres que avaliaram o uso de suplementos de cálcio junto com os cuidados habituais da gravidez. Oito estudos compararam cálcio com placebo (tratamento falso). Dois estudos compararam uma dose baixa de cálcio (500 mg por dia) com uma dose alta (1.500 mg por dia). Os estudos foram realizados em vários países, incluindo países de alta e de baixa renda. Algumas mulheres tinham ingestão adequada de cálcio na alimentação, e outras não. Algumas tinham alto risco de pré-eclâmpsia, e outras não.

Cálcio comparado com placebo (8 estudos, 15.504 mulheres) : Evidências de seis estudos, com 15.364 mulheres, mostraram que o cálcio pode fazer pouca ou nenhuma diferença na pré-eclâmpsia em comparação com placebo. Quando analisamos apenas estudos grandes, com mais de 500 mulheres (4 estudos, 14.730 mulheres), encontramos evidência forte de que o cálcio tem pouco ou nenhum efeito sobre a pré-eclâmpsia em comparação com o placebo.

O cálcio provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença no risco de a mãe morrer ou desenvolver complicações graves da pré-eclâmpsia. Ele também pode fazer pouca ou nenhuma diferença no risco de morte do bebê durante a gravidez ou logo após o nascimento.

Ainda há muita incerteza sobre o efeito do cálcio no risco de morte materna, no parto prematuro antes de 37 semanas e nos efeitos indesejados.

Dose baixa comparada com dose alta de cálcio (2 estudos, 22.000 mulheres): Uma dose baixa de cálcio pode fazer pouca ou nenhuma diferença no risco de pré-eclâmpsia quando comparada com uma dose alta. Há muita incerteza sobre o efeito da dose baixa no risco de morte materna em comparação com doses mais elevadas. A dose baixa não faz diferença na perda do bebê durante a gravidez ou logo após o nascimento e provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença no risco de parto antes de 37 semanas.

Quais são as limitações das evidências?

Como a maioria das mulheres começou a tomar cálcio no segundo trimestre da gravidez, não sabemos se o cálcio funciona quando usado no início da gestação. Também não sabemos se os efeitos são diferentes em mulheres que já consomem cálcio suficiente na alimentação ou em mulheres com maior ou menor risco de pré-eclâmpsia.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até janeiro de 2025.

Cluver CA, Rohwer C, Rohwer AC

O propofol é melhor para realizar sedação durante a colonoscopia em comparação com os sedativos tradicionais (opioides ou benzodiazepínicos, ou ambos)?

2 months 3 weeks ago
Mensagens principais
  • A sedação com propofol em vez de sedativos tradicionais pode melhorar o tempo de recuperação e os índices de satisfação dos pacientes submetidos à colonoscopia. A sedação com propofol tem pouco ou nenhum efeito nas taxas de conclusão da colonoscopia ou nas complicações, em comparação com os sedativos tradicionais (opioides ou benzodiazepínicos, ou ambos). Os efeitos sobre o tempo de alta hospitalar e a score da dor são incertos.

  • A sedação com propofol para colonoscopia realizada por profissionais que não sejam anestesiologistas pode resultar em uma pequena redução no tempo de recuperação em comparação com a sedação com propofol realizada por anestesiologistas. No entanto, há pouca ou nenhuma diferença entre os grupos em relação à taxa de conclusão da colonoscopia, score da dor, satisfação do paciente e eventos respiratórios que requerem intervenção.

  • São necessários estudos adicionais com um número maior de participantes e relatórios de alta qualidade para se chegar a conclusões mais robustas sobre os efeitos do propofol na sedação durante a colonoscopia, em comparação com os sedativos tradicionais, e para analisar os desfechos da sedação não guiada por anestesiologista, como óbitos e internações hospitalares.

O que é uma colonoscopia?

A colonoscopia é um procedimento comum usado para diagnosticar muitas doenças do trato digestivo. Um tubo longo e flexível (colonoscópio) com uma pequena câmera de vídeo na ponta é inserido pelo ânus até o reto e o intestino grosso (cólon) para procurar doenças intestinais, incluindo inflamações, infecções, pólipos ou cânceres. Além de usar o colonoscópio para tirar fotos e gravar vídeos que auxiliam no diagnóstico, amostras de tecido (biópsias) também podem ser coletadas durante a colonoscopia. Em alguns casos, uma remoção mais extensa de tecido, incluindo a remoção de pólipos ou mesmo de cânceres em estágio inicial, pode ser feita durante uma colonoscopia. Frequentemente, são utilizados medicamentos para sedar os pacientes, de modo que eles possam tolerar confortavelmente o procedimento de colonoscopia.

O que queríamos descobrir?

Diversos estudos compararam diferentes medicamentos sedativos utilizados neste procedimento e quem pode administrá-los com segurança. Nosso objetivo era conhecer os efeitos da sedação com propofol para colonoscopia em pacientes adultos, em comparação com os sedativos tradicionais (opioides ou benzodiazepínicos, ou ambos). Também analisamos os efeitos da sedação com propofol em pacientes adultos submetidos a colonoscopia, administrada por anestesiologistas, em comparação com a sedação administrada por profissionais não anestesiologistas.

O que nós fizemos?

Realizamos buscas por estudos que comparassem o propofol com sedativos tradicionais para colonoscopia, e também por estudos que comparassem a sedação com propofol administrada por anestesiologistas com a administrada por profissionais não anestesiologistas. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e avaliamos a certeza da evidência, considerando os métodos utilizados e o tamanho das amostras.

O que nós encontramos?

Identificamos 30 estudos (12.036 pessoas) que compararam o propofol com os sedativos tradicionais e três estudos (449 pessoas) que compararam o propofol administrado por anestesiologistas com o administrado por profissionais não anestesiologistas para colonoscopia. Os estudos ocorreram entre 1993 e 2024.

Principais resultados

A sedação com propofol para colonoscopias pode levar a um tempo de recuperação mais rápido e a melhores índices de satisfação do paciente. Os efeitos sobre o tempo de alta hospitalar e os níveis de dor são incertos. As taxas de conclusão da colonoscopia, perfuração colônica (perfuração acidental do cólon) e eventos respiratórios (falta de oxigênio) que levaram à intervenção médica por um profissional de saúde não foram diferentes com o uso de propofol em comparação com os sedativos tradicionais. A sedação com propofol para colonoscopia administrada por profissionais que não sejam anestesiologistas resulta em pouca ou nenhuma diferença na taxa de conclusão do exame, no score da dor, na satisfação do paciente ou em eventos respiratórios que levam a uma intervenção médica, em comparação com a sedação com propofol administrada por anestesiologistas, mas pode reduzir ligeiramente o tempo de recuperação.

Quais são as limitações das evidências?

Para a comparação entre propofol e sedativos tradicionais durante a colonoscopia, temos, em sua maioria, baixa confiança nas evidência, pois houveram problemas com a apresentação dos desfechos nos estudos, o que pode ter influenciado os resultados. Na comparação entre sedação dirigida por anestesiologista e sedação dirigida por não anestesiologista, nossa confiança nas evidências variou de alta a baixa; nos casos em que nossa confiança foi limitada, houveram poucos estudos, e eles não relataram todos os desfechos de interesse.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até fevereiro de 2024.

Johnson G, Okoli GN, Askin N, Abou-Setta AM, Singh H

O que se sabe sobre os benefícios do contato pele a pele imediato ou precoce para mães e bebês?

2 months 3 weeks ago
Mensagens principais
  • Mães que têm contato pele a pele com seus bebês na primeira hora após o nascimento provavelmente têm maior probabilidade de amamentar exclusivamente até um mês depois e de seis semanas a seis meses depois.

  • O contato pele a pele entre mães e recém-nascidos provavelmente ajuda os recém-nascidos a se adaptarem à vida fora do útero, mantendo sua temperatura corporal estável e aumentando seus níveis de açúcar no sangue. Também pode ajudar na respiração e na frequência cardíaca.

  • O contato pele a pele pode resultar em pouca ou nenhuma diferença no tempo até a expulsão da placenta. O efeito sobre a perda de sangue da mãe após um parto vaginal não é incerto.

Por que isso é importante?

Grandes organizações globais de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), recomendam que, logo após o nascimento, o recém-nascido seja colocado diretamente sobre a pele nua da mãe. O bebê deve ficar nu e permanecer ali sem interrupção por pelo menos uma hora, idealmente até depois da primeira mamada. Isso se chama contato pele a pele. No entanto, em muitos contextos, é prática comum separar os recém-nascidos de suas mães, envolvê-los em panos ou vesti-los, ou colocá-los em berços abertos ou sob aquecedores radiantes. O contato pele a pele é menos comum em países de baixa renda e em países de renda média-baixa. Como essa prática pode ajudar as mães a amamentarem com sucesso, taxas mais baixas de contato pele a pele podem ser um dos motivos pelos quais os níveis de amamentação variam entre países com diferentes níveis de renda.

O que queríamos descobrir?

Nosso objetivo era ampliar a compreensão de como o contato pele a pele no momento do nascimento afeta a duração e a exclusividade do aleitamento materno, bem como a transição do bebê para a vida fora do útero. Especificamente, queríamos saber se o contato pele a pele é melhor do que o contato padrão para melhorar:

  • aleitamento materno exclusivo;

  • temperatura corporal do bebê;

  • níveis de açúcar no sangue em bebês;

  • Respiração e frequência cardíaca do bebê;

  • tempo até o expulsão da placenta;

  • Sangramento materno após parto vaginal.

O que nós fizemos?

Buscamos em importantes bases de dados por estudos randomizados sobre contato pele a pele imediato (iniciado em menos de 10 minutos após o nascimento) e contato pele a pele precoce (entre 10 minutos e 24 horas após o nascimento). Em estudos randomizados, os participantes são aleatoriamente colocados em dois ou mais grupos para garantir que os grupos sejam semelhantes. Resumimos os resultados e avaliamos nossa confiança nas conclusões com base em fatores como tamanho do estudo e métodos.

O que nós encontramos?

Encontramos 69 estudos com 7.290 pares mãe-bebê. A maioria dos estudos comparou o contato pele a pele imediato (dentro de 10 minutos após o nascimento) com o atendimento hospitalar padrão para mulheres com bebês saudáveis a termo. Em 15 estudos, as mulheres tiveram parto cesárea e, em 10 estudos, os bebês eram saudáveis, mas nasceram prematuros (entre 34 e 37 semanas de gestação). Trinta e dois estudos foram conduzidos em países de alta renda, 25 em países de renda média-alta e 12 em países de renda média-baixa, incluindo Índia, Nepal, Paquistão, Vietnã e Zâmbia. Não foram realizados estudos em países de baixa renda.

Principais resultados

Mulheres que têm contato pele a pele imediato com seus recém-nascidos provavelmente têm maior probabilidade de amamentar exclusivamente na alta hospitalar e até um mês após o parto (12 estudos, 1.556 pares mãe-bebê) e de seis semanas a seis meses após o parto (11 estudos, 1.135 pares mãe-bebê).

Bebês que têm contato pele a pele imediato com suas mães provavelmente apresentam temperaturas corporais mais altas de 30 minutos a 2,5 horas após o nascimento, embora a diferença não seja clinicamente significativa (11 estudos, 1.349 recém-nascidos). O contato pele a pele provavelmente aumenta os níveis de glicose no sangue dos bebês (3 estudos, 144 recém-nascidos) e pode melhorar sua respiração e frequência cardíaca (2 estudos, 81 recém-nascidos). O contato pele a pele pode ter pouco ou nenhum efeito sobre o tempo até a expulsão da placenta (4 estudos, 450 mulheres) ou sobre o sangramento materno após um parto vaginal (2 estudos, 143 mulheres), embora o resultado para o sangramento materno seja muito incerto.

Quais são as limitações das evidências?

Temos um nível moderado de confiança na maioria das conclusões, embora tenhamos menos confiança nos resultados relativos à respiração, frequência cardíaca e tempo até a expulsão da placenta, e não tenhamos confiança no resultado referente ao sangramento materno. As descrições e definições de contato pele a pele, amamentação, outras intervenções e contato padrão foram inconsistentes entre os estudos. Além disso, as mães e a equipe sabiam quais mães estavam recebendo contato pele a pele, o que pode ter afetado os resultados. Por fim, muitos estudos foram de pequena escala, com menos de 100 mulheres e recém-nascidos participantes.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane anterior. As evidências estão atualizadas até 22 de março de 2024.

Moore ER, Brimdyr K, Blair A, Jonas W, Lilliesköld S, Svensson K, Ahmed AH, Bastarache LR, Crenshaw JT, Giugliani ER J, Grady JE, Zakarija-Grkovic I, Haider R, Hill RR, Kagawa MN, Mbalinda SN, Stevens J, Takahashi Y, Cadwell K

Qual a precisão do Xpert Ultra para diagnosticar tuberculose e resistência à rifampicina (um antibiótico) em crianças?

2 months 3 weeks ago
Mensagens principais
  • O teste Xpert Ultra, realizado em amostras de escarro (muco expelido dos pulmões pela tosse), aspirado gástrico (muco e saliva aspirados do estômago) e fezes, é preciso para detectar tuberculose pulmonar em crianças.

  • O risco de não diagnosticar tuberculose pulmonar existe, mas o risco de diagnosticar incorretamente uma criança com tuberculose pulmonar é baixo.

Por que é importante melhorar o diagnóstico da tuberculose?

Em 2023, estima-se que 1,3 milhão de crianças adoeceram com tuberculose, uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis . A falta de reconhecimento da tuberculose (resultados falso-negativos) pode resultar em diagnóstico tardio, doença grave e morte. Um diagnóstico incorreto de tuberculose (resultados falso-positivos) pode levar a tratamento desnecessário.

Qual foi o objetivo desta revisão?

Avaliar a precisão do Xpert Ultra no diagnóstico de tuberculose que afeta os pulmões (tuberculose pulmonar), do sistema nervoso central e do cérebro (meningite tuberculosa) e dos gânglios linfáticos, bem como na detecção de resistência à rifampicina (um antibiótico usado para tratar a tuberculose), em crianças menores de 10 anos que apresentam sintomas de tuberculose.

O que foi estudado nesta revisão?

O Xpert Ultra detecta simultaneamente Mycobacterium tuberculosis e resistência à rifampicina. Para a detecção de Mycobacterium tuberculosis , avaliamos os resultados em relação a dois parâmetros: cultura (um método usado para cultivar o germe) e uma definição composta da doença com base em sintomas, radiografia de tórax e cultura. Para a detecção da resistência à rifampicina, avaliamos os resultados comparando-os com testes de suscetibilidade a medicamentos ou sequenciamento genômico (métodos para identificar mutações de resistência a medicamentos).

Quais foram os principais resultados desta revisão?

Incluímos um total de 23 estudos. A maioria dos estudos analisou a tuberculose pulmonar (21 estudos, 9.223 crianças). Três estudos investigaram a resistência à rifampicina, três investigaram a meningite tuberculosa e dois investigaram a tuberculose dos gânglios linfáticos.

Para uma população de 1.000 crianças, onde 100 têm tuberculose pulmonar (de acordo com os resultados da cultura):

No escarro:

  • Dos 112 indivíduos que apresentaram resultado positivo no teste Xpert Ultra, 75 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 37 não (falsos positivos).

  • Dos 888 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 863 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 25 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

No aspirado gástrico:

  • Dos 151 indivíduos que apresentaram resultado positivo no teste Xpert Ultra, 70 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 81 não (falsos positivos).

  • Dos 849 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 819 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 30 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

Nas fezes:

  • Dos 85 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria positivo, sendo que 68 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 17 não (falsos positivos).

  • Dos 915 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 883 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 32 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

Em aspirado nasofaríngeo:

  • Dos 68 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria positivo, sendo que 46 teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros positivos) e 22 não (falsos positivos).

  • Dos 932 indivíduos, o teste Xpert Ultra seria negativo, sendo que 878 não teriam tuberculose pulmonar (verdadeiros negativos) e 54 teriam tuberculose pulmonar (falsos negativos).

Nos três estudos que analisaram a resistência à rifampicina (em 76 crianças), apenas duas crianças apresentaram resistência à rifampicina.

A porcentagem de crianças com meningite tuberculosa detectada pelo Xpert Ultra variou entre 67% e 100% (215 crianças no total, 13 com meningite tuberculosa confirmada por cultura) em três estudos. Em dois estudos, o Xpert Ultra confirmou em 100% das crianças com tuberculose ganglionar confirmada por cultura (total de 58 crianças, sendo 21 com tuberculose ganglionar confirmada por cultura).

Quais são as limitações das evidências?

Para a tuberculose pulmonar, temos um nível moderado de confiança em nossos resultados. Incluímos estudos de diferentes países e utilizamos dois padrões de referência distintos, embora nenhum deles seja perfeito. Temos menos confiança nos resultados relativos à resistência à rifampicina, porque apenas três estudos investigaram esse aspecto e somente três crianças apresentaram resistência à rifampicina. Não foi possível combinar os resultados sobre tuberculose ganglionar ou meningite tuberculosa de diferentes estudos porque poucos estudos investigaram esses tipos de tuberculose.

Para quem os resultados desta revisão são relevantes?

A revisão aplica-se a crianças (do nascimento aos 9 anos) que vivem com HIV ou que são HIV negativas, com sinais ou sintomas de tuberculose pulmonar, meningite tuberculosa ou tuberculose ganglionar. Os resultados também se aplicam a crianças com desnutrição grave e sintomas de tuberculose. Os resultados aplicam-se principalmente a crianças que vivem em partes do mundo com altas taxas de tuberculose ou tuberculose e HIV.

Quais são as implicações desta revisão?

Os resultados sugerem que, em crianças com menos de 10 anos de idade, o Xpert Ultra apresenta precisão moderada na detecção de tuberculose pulmonar em amostras de escarro, aspirado gástrico e fezes. A precisão nas amostras de aspirado nasofaríngeo é menor.

Ao utilizar o Xpert Ultra, o risco de não diagnosticar tuberculose pulmonar (confirmada por cultura) ainda está presente, o que sugere que os médicos não devem confiar apenas no Xpert Ultra.

Até que ponto esta revisão está atualizada?

Esta revisão atualiza nossa revisão anterior e inclui evidência publicadas até 6 de outubro de 2023.

Kay AW, Madison M, Scandrett K, Ness T, Amuge P, Inbaraj LR, Sathya Narayanan MK, González Fernández L, Eisenhut M, Ismail N, Korobitsyn A, Verkuijl SE, Brands A, Viney K, Masini T, Mandalakas AM, Steingart KR, Takwoingi Y

Quais fatores aumentam o risco de uma convulsão após uma primeira convulsão não provocada (sem causa aparente)?

2 months 3 weeks ago
Mensagens principais

• Resultados anormais em um exame que registra a atividade cerebral (eletroencefalograma ou EEG) provavelmente estão associados a um risco aumentado de ter outra convulsão.
Outros fatores, como exames cerebrais anormais, convulsões durante o sono (convulsões noturnas), paresia de Todd (fraqueza após uma convulsão) ou histórico familiar de epilepsia, também podem aumentar o risco, mas as evidência são menos conclusivas.
• Precisamos de estudos de maior qualidade para ajudar os médicos a prever com maior precisão quem terá novas convulsões após uma primeira convulsão não provocada.

O que são convulsões não provocadas?

Uma convulsão é uma descarga súbita de atividade elétrica no cérebro. Pode causar tremores, rigidez corporal, olhar fixo, confusão ou perda de consciência. Uma convulsão não provocada é uma convulsão que ocorre sem uma causa imediata ou óbvia, como febre, infecção ou lesão recente. Pode ser um sinal de uma condição subjacente, como epilepsia.

Por que as convulsões não provocadas são motivo de preocupação?

Muitas pessoas terão pelo menos uma convulsão durante a vida — cerca de 1 em cada 20 até os 85 anos de idade. Após essa primeira convulsão, os médicos geralmente não conseguem prever quem terá outras no futuro. Essa incerteza dificulta a tomada de decisões sobre dirigir, trabalhar ou iniciar um tratamento.

Os médicos precisam de métodos confiáveis ​​para prever o risco de convulsão após uma primeira convulsão não provocada, a fim de orientar o diagnóstico e o tratamento. Isso é especialmente importante porque, em algumas pessoas, o diagnóstico de epilepsia pode ser feito após uma única convulsão, se a probabilidade de novas convulsões for alta.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se certas características — seja da pessoa, da sua primeira convulsão ou dos resultados de exames médicos — poderiam ajudar a prever se ela teria outra convulsão. Avaliamos:

• características pessoais, como idade, sexo e histórico familiar de epilepsia;
• exames médicos, incluindo exames cerebrais (ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC)) ou EEGs (exames de ondas cerebrais);
• Características da convulsão , incluindo se a convulsão ocorreu durante o sono ou se durou muito tempo.

O que fizemos?

Buscamos estudos de boa qualidade que acompanhassem pessoas após uma primeira convulsão não provocada para verificar se elas continuavam a ter convulsões. Incluímos estudos que acompanharam as pessoas por pelo menos seis meses e que contaram com pelo menos 30 participantes.

Em seguida, combinamos os resultados dos estudos para descobrir a força das evidência para cada possível fator de risco.

O que encontramos?

Encontramos 23 estudos envolvendo 5.918 pessoas. Alguns estudos incluíram adultos, outros crianças e outros ambos. A força das evidência para cada fator de risco variou.

Principais resultados

• Eletroencefalograma (EEG) anormal: pessoas com resultados anormais no EEG provavelmente têm um risco maior de ter outra convulsão.

Os seguintes fatores podem aumentar o risco de recorrência de convulsão:

• exame de imagem cerebral anormal;
• Paresia de Todd (fraqueza temporária após uma convulsão);
• histórico familiar de epilepsia;
• convulsões durante o sono (convulsões noturnas).

Não temos muita certeza se os seguintes fatores aumentam o risco de recorrência de convulsão:

• sinais neurológicos focais (problemas que afetam uma parte específica do corpo, causados por um problema em uma área específica do cérebro);
• convulsões febris (convulsões que ocorrem durante um período de febre) na infância;
• estado de mal epiléptico (quando uma convulsão não para sozinha, ou crises convulsivas repetidas sem que o paciente recupere totalmente a consciência entre elas);
• crises focais (uma convulsão que começa em uma parte do cérebro);
• sexo masculino.

Há evidência contraditórias sobre se ter menos de 16 anos é um fator de risco: alguns estudos sugerem um risco maior, outros sugerem um risco menor. Em geral, as evidência são incertas.

Quais são as limitações das evidências?

Muitos estudos mediram e relataram os resultados de maneiras diferentes, o que dificulta a comparação entre eles. Algumas eram pequenas ou não levavam em consideração todos os fatores importantes. A maioria dos estudos foi realizada em países de alta renda, portanto, as conclusões podem não ser aplicáveis em todos os lugares.

Estudos maiores e de alta qualidade que avaliem e relatem os fatores de risco de convulsão da mesma forma ajudariam os médicos a fazer previsões mais precisas.

Como os pacientes e cuidadores podem usar essas informações?

Compreender quais características podem estar relacionadas a um maior número de convulsões pode ajudar pacientes e familiares a terem conversas informadas com seus médicos. Isso pode auxiliar nas decisões relacionadas ao tratamento, direção de veículos, escola, trabalho e vida cotidiana.

Quão atualizada é esta avaliação?

A revisão inclui estudos publicados até dezembro de 2022.

Adan G, Neligan A, Nevitt SJ, Bonnett LJ, Sander JW, Marson AG

Dar probióticos para bebês reduz as alergias?

3 months ago
Mensagem principal
  • Os probióticos, que são bactérias vivas benéficas para o intestino, quando oferecidos a recém-nascidos como suplemento ou adicionados a fórmula infantil nos primeiros seis meses de vida, podem reduzir ligeiramente o desenvolvimento de eczema (pele seca, com coceira e inflamada) por volta dos dois anos de idade. No entanto, ainda não existem estudos de boa qualidade suficientes para confirmar esse resultado.

  • Os probióticos podem ter pouco ou nenhum efeito na prevenção de doenças alérgicas, como asma (uma doença respiratória com tosse, chiado, aperto no peito e falta de ar), rinite alérgica (também chamada de febre do feno) e alergias alimentares, incluindo alergia ao leite de vaca, durante a infância.

  • Os efeitos dos simbióticos, que são a combinação de probióticos com prebióticos (fibras que ajudam as bactérias a crescer), ainda são incertos.

O que são alergias?

As alergias a certos alimentos, como leite de vaca, amendoim e ovos, e também as alergias que não vêm da comida, são comuns. A sensibilidade a alimentos, incluindo o leite de vaca, pode surgir porque alguns bebês se tornam sensíveis através do intestino, e isso pode ser influenciado pelo tipo de bactéria que vive no trato gastrointestinal. Outros bebês podem desenvolver sensibilidade pela pele. A sensibilização aos alérgenos, que são as substâncias que causam alergia, costuma seguir um padrão. Primeiro surgem as alergias alimentares, geralmente nos primeiros dois a três anos de vida. Depois aparecem alergias a substâncias dentro de casa, como ácaros e animais de estimação. Por último, surgem alergias a alérgenos externos (por exemplo, centeio e grama Timothy) que podem causar asma, eczema ou rinite alérgica.

Como elas podem ser prevenidas?

Os probióticos ajudam as bactérias “boas” do intestino. Por isso, há interesse em saber se esses microrganismos podem evitar a sensibilização a alérgenos, reduzindo o risco de alergias alimentares e não alimentares.

O que nós fizemos?

Nosso objetivo era descobrir o impacto de administrar probióticos ou simbióticos (que são probióticos combinados com prebióticos (fibras não digeríveis que ajudam as bactérias a crescer)) a bebês nos primeiros seis meses de vida. Comparamos esse uso com a administração de um tratamento simulado ou nenhum tratamento, para avaliar se isso ajudaria a prevenir o desenvolvimento de doenças alérgicas, incluindo asma, eczema, rinite alérgica, alergias alimentares e alergia à proteína do leite de vaca.

Buscamos estudos que administraram probióticos ou simbióticos a bebês durante os primeiros seis meses de vida e os compararam com bebês que não receberam essas intervenções. Comparamos e resumimos os resultados desses estudos e avaliamos a certeza das evidências, levando em conta fatores como os métodos utilizados e o tamanho das amostras.

O que nós encontramos?

Incluímos 24 estudos com 7.077 pares de mãe-bebê.

Os probióticos podem não ter nenhum efeito na prevenção da asma, rinite alérgica e alergia à proteína do leite de vaca em crianças de até dois anos de idade. Os probióticos podem reduzir ligeiramente o risco de eczema a partir dos dois anos de idade, mas ainda não há estudos de boa qualidade suficientes para confirmar esse resultado. Os probióticos também podem ter pouco ou nenhum efeito na prevenção de alergias alimentares aos dois anos, mas a evidência disponível é muito incerta.

A evidência também é muito incerta sobre o efeito dos simbióticos no eczema em crianças de dois anos. Os simbióticos podem causar pouca ou nenhuma diferença na prevenção de alergia alimentar até os dois anos de idade. Não encontramos dados sobre o efeito dos simbióticos na asma, na rinite alérgica ou na alergia ao leite de vaca em crianças de até dois anos.

A suplementação com probióticos ou simbióticos pode causar pouca ou nenhuma diferença em relação aos efeitos indesejáveis, incluindo infecções causadas pelas próprias bactérias probióticas até os dois anos de idade. Nenhum estudo relatou efeitos colaterais graves relacionados ao uso de probióticos ou simbióticos.

Quais são as limitações dessas evidências?

Tivemos algumas preocupações sobre relacionadas a como alguns estudos foram conduzidos. Nem todos os estudos forneceram dados sobre os desfechos que nos interessavam. A maioria dos estudos avaliou o uso de probióticos e relatou resultados sobre eczema. Não havia estudos suficientes para termos certeza sobre os efeitos dos probióticos e dos simbióticos nas outras doenças alérgicas ou nas alergias alimentares.

Quão atuais são essas evidências?

As evidências estão atualizadas até dezembro de 2023.

Wang HZ, Hayles EH, Fiander M, Sinn JKH, Osborn DA

Quais são os benefícios e os riscos das diferentes vacinas contra o papilomavírus humano (HPV) na prevenção do câncer do colo do útero e de outras doenças relacionadas ao HPV?

3 months ago
Mensagem principal

- Em mulheres e meninas de 15 a 25 anos que receberam a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) com Cervarix, Gardasil ou Gardasil-9, em comparação com aquelas que não receberam a vacina, houve uma ligeira redução de lesões cervicais de alto grau (células anormais que podem evoluir para câncer se não tratadas) após quatro a seis anos de seguimento. Nas mulheres vacinadas com Gardasil ou Gardasil-9, em comparação com as não vacinadas, observou-se uma pequena redução de lesões pré-cancerosas da vulva e da vagina após quatro anos de seguimento. A vacinação contra o HPV reduziu o risco de verrugas anogenitais e a necessidade de tratamento para doenças relacionadas ao HPV. Nenhum dos estudos teve duração suficiente para relatar o desenvolvimento de casos de câncer.

- Alguma dor e inchaço no local da injeção foram comuns após a vacinação contra o HPV, mas não encontramos efeitos indesejáveis graves.

- A maioria dos estudos incluiu pessoas com 15 anos ou mais, que têm maior probabilidade de terem sido expostas à infecção e, portanto, menor probabilidade de se beneficiarem da vacinação. Os ensaios clínicos foram muito curtos para avaliar desfechos a longo prazo, como o desenvolvimento de câncer.

O que é o papilomavírus humano (HPV)?

O HPV é uma infecção comum. É transmitido entre pessoas por meio de contato íntimo, incluindo sexo vaginal, anal ou oral. Existem muitos tipos de HPV, e alguns tipos podem causar câncer. O câncer cervical é o tipo mais comum, mas o HPV também pode causar câncer vaginal, vulvar, peniano, anal e de cabeça e pescoço, além de verrugas anogenitais; portanto, o HPV pode afetar homens e mulheres. O câncer cervical geralmente leva mais de 10 anos para se desenvolver após a infecção inicial. Outros tipos de câncer relacionados ao HPV se desenvolvem mais lentamente.

Como as vacinas contra o HPV podem ajudar?

As vacinas contra o HPV têm como objetivo prevenir os tipos de infecções por HPV que, por vezes, causam câncer e verrugas anogenitais. As vacinas contra o HPV não são tão eficazes em pessoas que já foram expostas ao vírus, por isso a maioria dos programas de vacinação são direcionados a jovens antes do início da vida sexual.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se as vacinas contra o HPV:

- previnem o câncer e as lesões pré-cancerígenas (células com aparência anormal que podem se tornar cancerígenas se não forem tratadas);

- reduzem a necessidade de tratamento de doenças relacionadas ao HPV;

- previnem a ocorrência de verrugas anogenitais; e

- causam algum efeito indesejado.

O que nós fizemos?

Procuramos por estudos que comparassem:

- uma vacina contra o HPV com placebo (vacina simulada), uma vacina que não seja contra o HPV ou nenhuma vacina; ou

- diferentes vacinas contra o HPV ou número de doses de vacinas contra o HPV.

Comparamos e resumimos os resultados e classificamos nossa confiança nas evidências, com base em fatores tais como métodos e tamanhos dos estudos. Contamos com o apoio de um Grupo Consultivo Independente, incluindo consumidores.

O que nós encontramos?

Encontramos 60 estudos com 157,414 pessoas. O maior estudo envolveu 34.412 pessoas e o menor, 11 pessoas. Elas foram acompanhados por um período que variou de 4 dias a 11 anos. Os estudos foram realizados em todo o mundo. A maioria durou 12 meses. As empresas farmacêuticas financiaram 44 dos estudos.

Principais resultados

- Os estudos não foram suficientemente longos para nos informar diretamente sobre a prevenção do câncer e se concentraram em desfechos de curto prazo.

- Em mulheres e meninas de 15 a 25 anos, Cervarix e Gardasil reduziram todos os casos de pré-câncer cervical de alto grau (NIC2+) a curto prazo. Em mulheres com mais de 25 anos, houve pouca ou nenhuma diferença.

- Em pessoas com idades entre 15 e 25 anos, houve pouca ou nenhuma diferença na incidência de lesões pré-cancerosas de alto grau no ânus ou no pênis a curto prazo. As vacinas Gardasil e Gardasil-9 reduziram o pré-câncer vaginal ou vulvar de alto grau neste grupo de pessoas.

- A vacinação contra o HPV reduziu o risco de verrugas anogenitais e o número de pessoas entre 15 e 25 anos que necessitam de tratamento para possível câncer em estágio inicial relacionado ao HPV.

- Alguma dor e inchaço foram comuns após todas as vacinas contra o HPV, mas não houve efeitos colaterais graves. Não sabemos se existem diferenças nos riscos entre as diferentes vacinas.

Quais são as limitações das evidências?

Tínhamos algumas preocupações sobre a forma como alguns estudos foram realizados, o que poderia afetar alguns resultados. Temos um nível moderado de confiança nas evidência relativas a efeitos indesejáveis ​​graves, tratamento de doenças relacionadas ao HPV, lesões pré-cancerosas do colo do útero, da vagina e da vulva, e verrugas anogenitais. Temos menor confiança nas evidências sobre câncer e lesões pré-cancerosas penianas e anais porque houve poucos casos, os estudos tiveram seguimento muito curto para avaliar o desenvolvimento de câncer e as pessoas incluídas eram, em geral, mais velhas do que o público-alvo habitual das vacinas.

Muitos estudos foram financiados pela indústria, mas não encontramos diferenças em comparação com estudos financiados de forma independente.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

Estas evidências estão atualizadas até 18 de setembro de 2024.

Bergman H, Henschke N, Arevalo-Rodriguez I, Buckley BS, Crosbie EJ, Davies JC, Dwan K, Golder SP, Loke YK, Probyn K, Petkovic J, Villanueva G, Morrison J

Quais são os benefícios e os riscos das diferentes vacinas contra o papilomavírus humano (HPV) na prevenção do câncer do colo do útero e de outras doenças relacionadas ao HPV?

3 months 1 week ago
Mensagem principal

Vacinação contra o HPV:

- reduz a incidência de câncer do colo do útero em cerca de 80% em pessoas vacinadas até os 16 anos de idade;

- reduz a incidência de lesões pré-cancerosas cervicais de alto grau, bem como de verrugas anogenitais;

- não está associado a um risco aumentado de efeitos colaterais a longo prazo ou infertilidade;

- É mais eficaz quando administrado aos 16 de idade ou antes, idealmente antes do início da atividade sexual.

O que é o HPV?

O papilomavírus humano (HPV) é transmitido entre pessoas por meio de contato sexual, incluindo sexo vaginal, anal ou oral. Existem muitos tipos de HPV. Alguns tipos são inofensivos, mas outros podem causar câncer. O câncer cervical é o tipo mais comum de câncer que o HPV pode causar, mas ele também pode causar câncer vaginal, vulvar, peniano, anal e de cabeça e pescoço, além de verrugas anogenitais (uma infecção sexualmente transmissível causada por certos tipos de papilomavírus humano). A partir da infecção pelo HPV, o câncer cervical geralmente leva mais de 10 anos para se desenvolver, e outros tipos de câncer levam ainda mais tempo.

Quais os benefícios das vacinas contra o HPV?

Em meninas e meninos, as vacinas contra o HPV têm como objetivo prevenir a infecção pelo vírus, que às vezes pode causar câncer e verrugas anogenitais. As vacinas contra o HPV não são eficazes em pessoas que já foram expostas ao HPV. Por esse motivo, a maioria dos programas de vacinação visa oferecer a vacina aos jovens antes que se tornem sexualmente ativos.

O que queríamos descobrir?

Queríamos mais informações sobre questões relativas a desfechos de longo prazo e raros que não podem ser respondidas por ensaios clínicos randomizados (estudos em que as pessoas são atribuídas aleatoriamente a dois ou mais grupos de tratamento):

- Quais são os efeitos da introdução da vacinação contra o HPV nas taxas comunitárias de câncer de colo do útero, vagina, vulva, ânus e pênis, e nos estágios pré-cancerígenos da doença durante o desenvolvimento do câncer?

- Quais são os efeitos da introdução da vacinação contra o HPV no número de pessoas que desenvolvem verrugas anogenitais e no número de pessoas que se submetem a tratamento para doenças relacionadas ao HPV?

Também queríamos saber se as vacinas contra o HPV estavam associadas a algum efeito nocivo, especialmente aqueles mais frequentemente discutidos nas redes sociais.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que avaliassem o impacto da vacinação contra o HPV nos níveis populacionais de câncer cervical e outros tipos de câncer, lesões pré-cancerosas de alto grau (alterações celulares anormais que ocorrem após uma infecção persistente por HPV de alto risco e que podem evoluir para câncer se não tratadas), verrugas anogenitais, taxas de tratamento, infecções por HPV e eventos adversos ou indesejáveis. Esses estudos incluíram análises de grupos de pessoas após receberem a vacinação contra o HPV e estudos que observaram a mudança nessas doenças após a introdução da vacinação contra o HPV em nível nacional.

Também pesquisamos em sites de redes sociais (WebMD e X (antigo Twitter)) por eventos adversos comumente mencionados relacionados à vacinação contra o HPV. Buscamos e incluímos estudos que avaliassem o impacto da vacinação contra o HPV nesses eventos.

O que nós encontramos?

Encontramos 225 estudos adequados de todo o mundo que relataram os benefícios e os malefícios da vacinação contra o HPV, incluindo mais de 132 milhões de pessoas.

A vacinação contra o HPV provavelmente reduz a incidência de câncer do colo do útero em cerca de 80% em pessoas vacinadas até os 16 anos de idade. A redução é menor para pessoas vacinadas mais tarde.

A vacinação contra o HPV provavelmente reduz a incidência de lesões pré-cancerosas cervicais de alto grau (NIC3+, NIC3, NIC2+ e NIC2), bem como de verrugas anogenitais. Novamente, as reduções são maiores em pessoas que receberam a vacina contra o HPV aos 16 anos de idade ou antes.

Havia evidência de menor certeza quanto ao efeito da vacinação contra o HPV em doenças raras que levam muito mais tempo para se desenvolver, como adenocarcinoma in situ, outras lesões pré-cancerígenas e outros tipos de câncer relacionados ao HPV (por exemplo, câncer vaginal, vulvar, anal e peniano). Identificamos menos estudos sobre esses desfechos.

Para a maioria dos eventos adversos específicos que analisamos, incluindo síndrome da taquicardia ortostática postural, síndrome da fadiga crônica/encefalomielite miálgica, paralisia, síndrome da dor regional complexa, síndrome de Guillain-Barré e infertilidade, houve evidência de certeza moderada de que a vacinação contra o HPV provavelmente não aumenta o risco de desenvolvê-los. A vacinação contra o HPV também não aumentou a atividade sexual.

A vacinação contra o HPV também parece reduzir as taxas de tratamento associadas à doença causada pelo HPV, aumenta a adesão aos programas de rastreio do câncer do colo do útero e reduz as infecções por HPV.

Quais são as limitações das evidências?

Estamos moderadamente confiantes em nossos resultados para câncer cervical, doença cervical de alto grau, verrugas anogenitais e danos específicos. No entanto, estudos melhores e mais abrangentes poderiam apresentar resultados mais confiáveis e precisos sobre o nível de proteção.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até setembro de 2024.

Henschke N, Bergman H, Buckley BS, Crosbie EJ, Dwan K, Golder SP, Kyrgiou M, Loke YK, McIntosh HM, Probyn K, Villanueva G, Morrison J

Os cigarros eletrônicos podem ajudar as pessoas a parar de fumar e causam efeito indesejável quando usados para este fim?

3 months 1 week ago
Mensagens principais

Os cigarros eletrônicos com nicotina podem ajudar as pessoas a parar de fumar por pelo menos seis meses. Eles funcionam melhor do que a terapia de reposição de nicotina, e provavelmente funcionam melhor do que os cigarros eletrônicos sem nicotina.

Eles podem funcionar melhor do que não receber nenhum tipo de apoio ou apenas receber apoio comportamental (como aconselhamento). Eles também podem não estar associados a efeitos colaterais graves.

No entanto, ainda precisamos de mais estudos, especialmente sobre modelos mais novos de cigarros eletrônicos, que entregam nicotina de forma mais eficiente. Uma entrega melhor de nicotina pode ajudar mais pessoas a parar de fumar.

O que são cigarros eletrônicos?

Cigarros eletrônicos (e-cigarros) ou vapes são dispositivos portáteis que funcionam ao aquecer um líquido que geralmente contém nicotina e aromatizantes. Eles permitem que o usuário inale nicotina em forma de vapor, e não de fumaça. Como não queimam tabaco, os cigarros eletrônicos regulamentados não expõem os usuários aos mesmos níveis de substâncias químicas que causam doenças em pessoas que fumam cigarros tradicionais.

Usar o cigarro eletrônico é conhecido como vapes (vaping). Muitas pessoas usam vapes para ajudar a parar de fumar. Neste resumo, focamos especialmente nos cigarros eletrônicos que contêm nicotina.

Por que fizemos esta revisão Cochrane?

Parar de fumar reduz o risco de muitas doenças. Mas parar de fumar é difícil para muitas pessoas. Queríamos saber se os cigarros eletrônicos podem ajudar pessoas a deixar o cigarro e se causam efeitos indesejados quando usados para esse fim.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que investigaram o uso de cigarros eletrônicos para parar de fumar.

Buscamos ensaios clínicos randomizados, em que os participantes são sorteados para diferentes tratamentos. Esse tipo de estudo fornece evidências mais confiáveis sobre os efeitos dos tratamentos. Também analisamos estudos em que todos os participantes receberam cigarros eletrônicos, mesmo sem grupos comparativos, para aprender sobre possíveis efeitos à saúde.

Estávamos interessados em avaliar:

• quantas pessoas pararam de fumar por pelo menos seis meses; e

• quantas pessoas apresentaram efeitos indesejados após pelo menos uma semana de uso?

Data da busca

Incluímos evidência publicadas até 1º de março de 2025.

O que nós descobrimos

Encontramos 104 estudos que incluíam 30.366 adultos fumantes. Os estudos compararam cigarros eletrônicos com nicotina com:

• terapia de reposição de nicotina (ex: adesivos ou goma de mascar);

• vareniclina (um medicamento para ajudar as pessoas a parar de fumar);

• cigarros eletrônicos sem nicotina;

• produtos de tabaco aquecido (produtos que aquecem o tabaco a uma temperatura suficientemente alta para liberar vapor, sem queimá-lo ou produzir fumaça; estes diferem dos cigarros eletrônicos porque aquecem a folha de tabaco);

• sachês orais de nicotina (sachês que não contêm tabaco, mas liberam nicotina quando mantidos na boca);

• outros tipos de cigarros eletrônicos com nicotina (por exemplo, dispositivos pod, dispositivos mais novos);

• apoio comportamental (por exemplo, aconselhamento ou terapia); ou

• nenhum apoio para parar de fumar.

A maioria dos estudos ocorreu nos EUA (48 estudos) e no Reino Unido (21 estudos).

Quais são os resultados da nossa revisão?

As pessoas têm mais chance de parar de fumar por pelo menos seis meses quando usam cigarros eletrônicos com nicotina do que quando usam terapia de reposição de nicotina (9 estudos, 2.703 pessoas) ou do que quando usam cigarros eletrônicos sem nicotina (7 estudos, 1.918 pessoas).

Os cigarros eletrônicos com nicotina podem ajudar mais pessoas a parar de fumar do que não receber nenhum tipo de suporte ou receber apenas suporte comportamental (11 estudos, 6.819 pessoas).

Entre cada 100 pessoas que usam cigarros eletrônicos com nicotina para parar de fumar, de 8 a 11 conseguem parar com sucesso. Em comparação, apenas 6 em cada 100 conseguem parar usando terapia de reposição de nicotina, 6 em cada 100 usando cigarros eletrônicos sem nicotina e 4 em cada 100 quando não há suporte ou há apenas suporte comportamental.

Ainda não sabemos se existe diferença na quantidade de efeitos indesejados entre o uso de cigarros eletrônicos com nicotina e o uso de terapia de reposição de nicotina, ou em comparação com nenhum suporte ou apenas suporte comportamental. Encontramos alguma evidência sugerindo que efeitos indesejados não graves foram mais comuns em grupos que usaram cigarros eletrônicos com nicotina do que em grupos sem suporte ou com suporte comportamental. No entanto, essa evidência é incerta. Estudos que comparam cigarros eletrônicos com nicotina e terapia de reposição de nicotina relataram poucos efeitos indesejados, incluindo os efeitos considerados graves. Provavelmente não há diferença na quantidade de efeitos indesejados não graves quando comparamos cigarros eletrônicos com nicotina e cigarros eletrônicos sem nicotina.

Os efeitos indesejados relatados com mais frequência por pessoas que usaram cigarros eletrônicos com nicotina foram irritação na garganta ou na boca, dor de cabeça, tosse e náuseas. Esses efeitos parecem semelhantes aos que ocorrem com o uso de terapia de reposição de nicotina. Além disso, os efeitos indesejados diminuíram ao longo do tempo, conforme as pessoas continuaram usando cigarros eletrônicos com nicotina.

Até que ponto estes resultados são confiáveis?

Encontramos evidências de que cigarros eletrônicos com nicotina ajudam mais pessoas a parar de fumar do que a terapia de reposição de nicotina. Os cigarros eletrônicos com nicotina provavelmente ajudam mais pessoas a parar de fumar do que os cigarros eletrônicos sem nicotina, mas ainda precisamos de mais estudos para confirmar isso.

Os estudos que comparam cigarros eletrônicos com nicotina com suporte comportamental ou ausência de suporte também mostraram taxas de abandono maiores entre quem usou cigarros eletrônicos com nicotina. No entanto, esses resultados são menos confiáveis porque alguns estudos apresentaram problemas metodológicos.

A maioria dos resultados sobre efeitos indesejados pode mudar quando mais evidências forem publicadas.

Lindson N, Livingstone-Banks J, Butler AR, McRobbie H, Bullen CR, Hajek P, Wu AD, Begh R, Theodoulou A, Notley C, Rigotti NA, Turner T, Fanshawe T, Hartmann-Boyce J

As intervenções em saúde digital, orientadas ou assistidas por tecnologia, ajudam no controle da obesidade em crianças e adolescentes?

3 months 1 week ago
Mensagens principais

• As intervenções digitais podem ter pequenos efeitos benéficos de curto prazo na massa gorda, mas seus efeitos sobre outros desfechos ainda são incertos.

• Nenhum estudo relatou dados sobre a segurança das intervenções.

• Estudos futuros devem relatar seus resultados separados por idade, gênero, raça/etnia; apresentar dados completos; incluir dados de eventos adversos e outros desfechos; controlar para dieta e atividade física em suas análises; e explicar qual teoria de comportamento foi usada para orientar as intervenções.

Por que a obesidade na infância é um problema?

A obesidade na infância é um problema de saúde pública no mundo todo. Ela aumenta o risco de doenças crônicas, como diabetes e doenças do coração. Em 2016, mais de 340 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estavam com sobrepeso ou obesidade em todo o mundo.

O que são tecnologias digitais e como elas são usadas no manejo da perda de peso?

Pesquisadores estão explorando novas formas de manejar a obesidade em crianças e adolescentes utilizando tecnologias digitais. Essas tecnologias incluem: dispositivos vestíveis, intervenções baseadas na web, mensagens de texto, aplicativos para celulares ou tablet, "exergaming" e videogames ativos, e teleatendimento (ver ou falar com seu médico de casa, usando seu celular, computador ou tablet). As vantagens dessas tecnologias podem incluir:

• estar disponível a todo momento, ajudando amanter hábitos saudáveis por mais tempo;
• reduzir custos de tratamento;
• facilitar o acesso aos cuidados de saúde, alcançando mais pessoas, inclusive aquelas que vivem longe dos serviços médicos.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se o uso de tecnologias digitais ajuda crianças e adolescentes a perder peso, e se essas ferramentas são seguras.

O que fizemos?

Buscamos estudos que analisaram o uso de tecnologias digitais, como "wearables" (um dispositivo eletrônico pequeno e portátil que você usa no corpo para monitorar sua dieta, saúde e/ou atividade física), ferramentas baseadas na web, mensagens de texto, aplicativos móveis, exergaming ou teleatendimento, no manejo da obesidade em crianças e adolescentes com até 19 anos. Agrupamos os estudos em duas comparações:

• tecnologia digital mais cuidado usual versus o cuidado usual isolado;
• tecnologia digital isolado versus o cuidado usual isolado.

Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e avaliamos a certeza da evidência, considerando o métodos utilizados e o tamanho das amostras.

O que encontramos?

Incluímos 15 estudos, com 911 crianças e adolescentes. Cinco estudos incluíram crianças de 0 a 19 anos. Dez estudos incluíram apenas participantes com idades entre 10 e 19 anos. Nove estudos duraram menos de seis meses (estudos de curta duração) e seis estudos duraram pelo menos seis meses (estudos de longa duração).

Oito estudos compararam o uso da tecnologia digital mais cuidado usual com cuidado usual isolado. O uso da tecnologia digital pode reduzir a gordura corporal em média 2,63% ao final do estudo. Esta é uma melhoria pequena, mas importante. O efeito sobre outros desfechos permanece incerto.

Sete estudos compararam uma intervenção digital isolada com o cuidado usual isolado. O efeito sobre os desfechos avaliados foram incertos.

Nenhum estudo relatou sobre a segurança desses tratamentos.

Quais são as limitações das evidências?

O significado clínico em longo prazo da redução da gordura corporal alcançada por meio de tecnologia digital combinada ao cuidado usual nessa população permanece incerto devido às evidências limitadas disponíveis. Além disso, não há dados sobre a segurança dessas tecnologias digitais, e as informações existentes não são suficientes para saber se diferentes faixas etárias apresentaram desfechos diferentes.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até 14 de abril de 2025.

Palacios C, Hernandez J, Ajmal A, Rodriguez AJ, Hassan AY, Metzendorf M-I, Ramella-Roman JC.

Quais são os efeitos das intervenções psicossociais combinadas e dos medicamentos para ajudar pessoas que consomem uma quantidade excessiva de álcool?

3 months 1 week ago
Mensagens principais

• Em comparação com intervenções psicossociais isoladas, adicionar medicamentos é provavelmente seguro e útil para pessoas com transtorno por uso de álcool (TUA) na redução do consumo de álcool.

• Devido ao número limitado de estudos disponíveis, não sabemos se as intervenções psicossociais e farmacológicas combinadas, quando comparadas a medicamentos isolados ou a nenhuma intervenção ou tratamento usual, são úteis para pessoas com TUA.

• Mais estudos são necessários para analisar os efeitos de intervenções combinadas em comparação com medicamentos isolados ou nenhum tratamento ou cuidado usual.

O que é transtorno por uso de álcool (TUA)?

O TUA é um transtorno mental em que há incapacidade de controlar o consumo de álcool e episódios frequentes de uso descontrolado de álcool, relacionados a um risco aumentado de acidentes de carro, morte prematura e doenças como câncer, cirrose hepática e distúrbios neurológicos.

Como o TUA é tratado?

Intervenções psicossociais e medicamentos são usados para ajudar pessoas com TUA a reduzir o consumo de álcool. As intervenções psicossociais comumente usadas no tratamento de pessoas com TUA são:

• intervenções cognitivo-comportamentais (destinadas a ajudar as pessoas a reconhecer e modificar seus pensamentos e crenças negativas e comportamentos indesejados, por meio de tarefas comportamentais e habilidades para lidar com o desejo de consumir álcool);
• intervenções de manejo de contingências (destinadas a recompensar pessoas que reduzem o consumo de álcool por meio de dinheiro, vales ou prêmios);
• entrevista motivacional (destinada a aumentar a motivação para reduzir o consumo de álcool);
• facilitação de doze passos (intervenções que adaptaram os métodos dos Alcoólicos Anônimos e incentivaram a participação dos Alcoólicos Anônimos).

Dos medicamentos disponíveis, os seguintes foram aprovados pelas principais agências reguladoras:

• acamprosato (recomendado para manter a abstinência);
• dissulfiram (recomendado para manter a abstinência);
• naltrexona (recomendada para atingir e manter a abstinência e reduzir o consumo de álcool).

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se a combinação de medicamentos e intervenções psicossociais é mais eficaz do que apenas intervenções psicossociais, apenas medicamentos ou cuidados habituais (educação ou informação sobre o uso de álcool) para ajudar pessoas com TUA a reduzir ou parar de usar álcool.

O que fizemos?

Buscamos estudos nos quais as pessoas foram designadas aleatoriamente a um de dois ou mais grupos de tratamento que comparavam a combinação (medicamentos mais intervenções psicossociais) com intervenção psicossocial isolada, medicamento isolado ou tratamento usual. Resumimos e comparamos os resultados dos estudos, avaliando a certeza das evidências com base em fatores como os métodos utilizados e o tamanho das amostras.

O que encontramos?

Encontramos 21 estudos com 4.746 pessoas com TUA que foram tratadas ambulatorialmente por aproximadamente 4 meses.

Os participantes eram, em sua maioria, homens, com idade aproximada de 44 anos, que relataram beber aproximadamente 12 doses por dia de consumo, correspondendo a aproximadamente 70% dos dias de consumo. Os estudos foram conduzidos nos EUA, Europa e Canadá. A maioria dos estudos recebeu financiamento público.

Encontramos 20 estudos (4.498 participantes) comparando intervenções farmacológicas e psicossociais combinadas com uma intervenção psicossocial isolada. Encontramos apenas um número limitado de estudos e participantes que compararam o tratamento combinado apenas com a medicação (3 estudos; 1.871 participantes) ou com o tratamento usual (2 estudos; 1.623 participantes). Na maioria dos casos, o tratamento combinado consistiu em terapia cognitivo-comportamental como intervenção psicossocial e naltrexona como medicamento.

Comparado apenas às intervenções psicossociais, o tratamento combinado provavelmente reduz o número de pessoas que relatam consumo excessivo de álcool e pode aumentar o número de pessoas que mantêm abstinência contínua. O tratamento combinado provavelmente tem pouco ou nenhum efeito na taxa de dias de abstinência, no risco de efeitos indesejados graves (por exemplo, morte ou eventos que exigem hospitalização) e no número de pessoas que não concluem o tratamento. Pode ter pouco ou nenhum efeito na taxa de dias em que as pessoas consomem grandes quantidades de álcool, no número de doses por dia de consumo de álcool e no risco de efeitos indesejados.

Não temos certeza se o tratamento combinado, quando comparado apenas aos medicamentos, reduz o número de doses por dia. Pode ter pouco ou nenhum efeito na taxa de dias de abstinência e no número de pessoas que não concluem o tratamento por qualquer motivo. Não temos certeza sobre o efeito no número de pessoas que mantêm abstinência contínua, aquelas que consomem grandes quantidades de álcool e aquelas que não concluem o tratamento devido a efeitos indesejados.

Não temos certeza sobre o efeito do tratamento combinado, quando comparado ao tratamento usual, no número de pessoas que consomem grandes quantidades de álcool, que não concluem o tratamento e na taxa de dias de abstinência.

Limitações das evidências

Nossos resultados podem não se aplicar aos vários tipos de pessoas com TUA, a todas as intervenções psicossociais e farmacológicas e países, uma vez que os estudos não analisaram todos os tratamentos disponíveis para TUA e foram realizados principalmente nos EUA e na Europa.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até novembro de 2023.

Minozzi S, La Rosa GR, Salis F, Camposeragna A, Saulle R, Leggio L, Agabio R

Os antibióticos administrados durante o trabalho de parto previnem infecções em mães e bebês?

3 months 2 weeks ago
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  • Administrar antibióticos a mulheres em trabalho de parto (cujas gestações duraram pelo menos 28 semanas) provavelmente reduz o risco de desenvolver sepse, uma condição potencialmente fatal que ocorre quando o corpo reage exageradamente a uma infecção.

  • A administração de antibióticos desta forma resulta em pouca ou nenhuma diferença no número de bebês que desenvolvem sepse ou morrem, e provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença no número de mulheres que morrem.

  • A evidência sobre os efeitos adversos (ou seja, prejudiciais e indesejados) dos antibióticos preventivos é muito incerta, portanto, não sabemos se este tratamento contribui para o problema da resistência antimicrobiana – quando os antibióticos deixam de ser efetivos no combate a infecções bacterianas.

O que é profilaxia antibiótica e seus benefícios e riscos?

"Profilaxia antibiótica" significa administrar antibióticos para prevenir infecções antes que qualquer sinal apareça. Essa abordagem demonstrou algum benefício na redução de infecções em novas mães e recém-nascidos. No entanto, administrar antibióticos preventivos rotineiramente às mulheres durante o trabalho de parto é controverso devido a preocupações sobre o uso desnecessário de antibióticos e a resistência antimicrobiana.

O que queríamos descobrir?

Queríamos avaliar os efeitos da administração de antibióticos preventivos (ou seja, “profiláticos”) a mulheres durante o trabalho de parto, cujas gestações tinham pelo menos 28 semanas (ou seja, 28 semanas de gestação). Analisamos quantas mulheres e bebês tiveram infecções, particularmente sepse, e quantos morreram.

O que fizemos?

Pesquisamos ensaios que comparassem antibióticos profiláticos com placebo em mulheres grávidas em trabalho de parto após 28 semanas de gestação. Placebo é uma substância inativa que parece idêntica ao antibiótico, mas não tem efeito terapêutico. Isso permite aos pesquisadores medir o verdadeiro impacto da intervenção.

Os estudos incluíram mulheres que planejavam um parto vaginal, desde que não tivessem uma razão médica específica para receber antibióticos (como uma cesárea planejada ou uma infecção conhecida).

Comparamos e resumimos os resultados dos estudos, e avaliamos nossa confiança na evidência, com base em fatores como os métodos e os tamanhos dos estudos.

O que encontramos?

Identificamos quatro estudos envolvendo um total de 42.846 mulheres grávidas. Os estudos foram realizados em 10 países. Bangladesh, Burkina Faso, Camarões, a República Democrática do Congo, a Gâmbia, Guatemala, a Índia, o Quênia, a Zâmbia e o Paquistão, todos países de baixa e média renda.

Aproximadamente metade das mulheres recebeu antibiótico profilático (uma dose única por via oral) e metade recebeu um placebo.

Comparados ao placebo, os antibióticos profiláticos:

  • provavelmente reduz o número de mulheres que desenvolvem sepse;

  • provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença no número de mulheres que morrem;

  • resulta em pouca ou nenhuma diferença no número de recém-nascidos que desenvolvem sepse ou morrem;

  • resulta em pouca ou nenhuma diferença no número de mulheres que desenvolvem uma infecção da ferida perineal (uma infecção do tecido entre a vagina e o ânus);

  • resulta em pouca ou nenhuma diferença no número de bebês internados na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN).

Apenas um estudo analisou a resistência antimicrobiana, e não temos confiança em sua evidência. O estudo relatou aumentos de curto prazo em bactérias resistentes a antibióticos encontradas em algumas amostras (por exemplo, leite materno, esfregaços nasais ou vaginais) de mulheres que receberam antibióticos em comparação com aquelas que receberam placebo, mas essas diferenças desapareceram em 13 meses. Em recém-nascidos, a resistência antimicrobiana foi rara.

Quais são as limitações das evidências?

A confiança na evidência foi moderada ou alta para os desfechos relacionados a infecções (incluindo sepse) e mortalidade em mulheres e bebês. Como observado acima, não temos confiança na evidência sobre resistência antimicrobiana Os padrões de resistência antimicrobiana e as práticas de uso de antibióticos variam muito, e os estudos se concentraram principalmente na azitromicina, um antibiótico de amplo espectro, sem avaliar outras opções. O impacto a longo prazo na resistência aos antibióticos permanece muito incerto e requer mais pesquisas.

Quão atual é essa evidência?

A evidência está atualizada até julho de 2024.

Suzuki D, Yamaji N, Nishimura E, Suzuki H, Ishikawa K, Rahman MO, Makama M, Vogel JP, Ota E

Quais abordagens ajudam na recuperação após uma fratura no tornozelo em adultos?

3 months 2 weeks ago
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- Colocar peso sobre um tornozelo quebrado (fraturado) nas três primeiras semanas após a cirurgia pode melhorar a recuperação. No entanto, essa melhora pode não ser suficiente para resultar em um benefício clinicamente importante.

- Usar um suporte de tornozelo removível (que permite esticar (alongar) e movimentar o tornozelo lesionado) nas primeiras seis semanas após a cirurgia pode favorecer a recuperação. Mas, novamente, pode não ser suficiente para resultar em um benefício clinicamente importante.

- Não há evidência suficientes para avaliar o quanto as intervenções de fisioterapia pode ajudar na recuperação após uma fratura no tornozelo.

Tornozelos quebrados (fraturas de tornozelo)

Um tornozelo quebrado é um dos tipos mais comuns de fratura. Em alguns casos, é necessário fazer uma cirurgia para corrigir o osso quebrado; em outros, basta manter o tornozelo imobilizado por algumas semanas para permitir a cicatrização. Geralmente, o osso leva cerca de seis semanas para se recuperar (consolidar), mas o retorno total as atividades normais pode demorar bem mais Durante esse período de recuperação, diferentes estratégias podem ser usadas para melhorar a movimentação do tornozelo, fortalecer os músculos ou ambos.

Quais abordagens são usadas na recuperação?

- Apoio precoce ou tardio de peso. Algumas pessoas são orientadas a começar a apoiar o peso no tornozelo até três semanas após a cirurgia. Outras precisam evitar totalmente colocar peso sobre o pé nas primeiras seis semanas ou mais.

- Suporte de tornozelo removível ou não removível. Um suporte removível, como uma bota ortopédica ou uma tala, permite retirar o apoio regularmente para alongar e movimentar o tornozelo. Já um gesso tradicional impede qualquer movimento até sua retirada.

- Intervenções de fisioterapia. Incluem diferentes tipos de exercícios para o tornozelo, muitas vezes orientados por um fisioterapeuta, e podem envolver o uso de equipamentos específicos para o fortalecimento e mobilidade.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se alguma dessas abordagens era melhor que a outra para melhorar:

- A função do tornozelo (capacidade de se movimentar, realizar atividades e manejo da dor ou inchaço no tornozelo);

- qualidade de vida.

- satisfação com o tratamento (quão satisfeito alguém está com seu tratamento); e

- dor;

Também queríamos descobrir se alguma dessas abordagens estava associada a um risco maior de cirurgia adicional no tornozelo (em uma data posterior).

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que avaliaram diferentes abordagens para melhorar a recuperação após uma fratura de tornozelo. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos. Além disso, classificamos a certeza da evidência com base em fatores como o número de participantes e a qualidade dos métodos usados.

O que encontramos?

Encontramos 53 estudos envolvendo 4.489 adultos com tornozelo quebrado (fraturado). A maioria das pessoas incluídas nos estudos havia passado por cirurgia para ajudar a consertar o osso, enquanto outras usaram apenas suportes de tornozelo (sem cirurgia) nas primeiras semanas após a lesão.

Principais resultados

Apoio de peso precoce versus tardio. Apoiar o peso no tornozelo logo nas primeiras semanas após a cirurgia provavelmente melhora levemente a função do tornozelo (embora a diferença possa não ser o suficiente para ser clinicamente importante). Pode também haver uma leve melhora na qualidade de vida, embora, novamente, pode não ser clinicamente importante. Não foi possível saber se houve diferença entre os grupos em relação à satisfação com o tratamento ou à dor. Também parece haver pouca ou nenhuma diferença na quantidade de pessoas que precisaram de uma nova cirurgia.

Suporte de tornozelo removível versus não removível (como gesso).

- Para quem fez cirurgia, o suporte removível pode melhorar a função do tornozelo e a qualidade de vida, embora para ambos os casos, a diferença possa não ser clinicamente importante. Não conseguimos determinar se há diferença na dor entre os tipos de suporte. Além disso, pode haver pouca ou nenhuma diferença entre os suportes de tornozelo quanto à necessidade de nova cirurgia.

- Para quem não precisou de cirurgia, há pouca ou nenhuma diferença entre os tipos de suporte de tornozelo quanto à função do tornozelo ou à qualidade de vida. Também não é incerto se há diferença em relação à dor ou à necessidade de cirurgia mais tarde.

Nenhum dos estudos comparando esses suportes relatou o grau de satisfação dos participantes com o tratamento.

- Intervenções de fisioterapia. Os estudos avaliaram os efeitos de diferentes intervenções de fisioterapia (como diferentes programas de exercícios ou o uso de diferentes equipamentos para exercitar o tornozelo), e por isso, não foi possível comparar os resultados de forma confiável. A maioria dos estudos era pequena e não mostrou claramente se alguma abordagem era melhor que outra. Nenhum deles relatou quantas pessoas precisaram de cirurgia posteriormente.

Quais são as limitações das evidências?

Nem sempre foi possível ter confiança nas evidências, porque os participantes sabiam qual tratamento estavam recebendo. Algumas descobertas indicaram que pode ter havido pouca ou nenhuma diferença entre os grupos. Além disso, muitos estudos incluíram poucos participantes, e as intervenções eram muito diferentes umas das outras.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até março de 2023.

Lewis SR, Pritchard MW, Parker R, Searle HKC, Beckenkamp PR, Keene DJ, Bretherton C, Lin C-WC

Os programas oferecidos por organizações esportivas promovem comportamentos saudáveis e melhoram a saúde das pessoas?

3 months 2 weeks ago
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• Os programas de organizações esportivas provavelmente levam as pessoas a serem ligeiramente mais fisicamente ativas.

• Os programas de organizações esportivas podem fazer pouca ou nenhuma diferença na quantidade de tempo em que as pessoas ficam inativas (sedentárias). Eles podem aumentar a quantidade de frutas e vegetais que as pessoas comem.

• Não sabemos se os programas de organizações esportivas fazem alguma diferença no consumo de bebidas açucaradas, de bebidas alcoólicas ou o uso de tabaco, pois a evidência é muito incerta.

O que são comportamentos saudáveis e por que eles são importantes?

As doenças crônicas são a principal causa de morte e adoecimento no mundo. Essas doenças podem ser evitadas quando adotamos hábitos saudáveis, como ter uma boa alimentação e fazer atividade física regularmente As organizações esportivas são populares em muitos países. Por isso, podem ser um bom caminho para incentivar comportamentos saudáveis e melhorar a saúde das pessoas.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se os programas conduzidos dentro de organizações esportivas são efetivos na promoção de comportamentos saudáveis e na melhoria da saúde das pessoas. Esses programas podiam ser voltados a atletas, membros não praticantes, treinadores, torcedores, estudantes, pais de jogadores e outras pessoas ligadas às organizações esportivas.

O que nós fizemos?

Procuramos estudos que compararam grupos de pessoas que participaram de programas voltados a comportamentos saudáveis com grupos que não participaram desses programas (grupos de controle). Os estudos elegíveis precisavam testar um programa que visasse promover um comportamento saudável (como atividade física ou alimentação saudável), reduzir um comportamento não saudável (como o consumo de álcool ou tabagismo), ou melhorar desfechos como peso, pressão arterial ou conhecimento das pessoas relacionado à saúde.

O que nós encontramos?

Encontramos 20 estudos, envolvendo um total de 8179 pessoas. A maioria dos estudos foi direcionado a membros ou torcedores adultos de organizações esportivas e foram conduzidos em clubes de futebol (por exemplo, futebol, futebol americano, liga australiana de futebol). Quatorze estudos avaliaram programas direcionados a um ou mais comportamentos saudáveis ou não saudáveis. Todos os 20 estudos foram conduzidos em países de alta renda. Mais da metade dos estudos (11 estudos) incluiu apenas homens, e um estudo incluiu apenas mulheres.

Principais resultados

Em comparação com as pessoas que não participaram dos programas, aquelas envolvidas em programas de organizações esportivas:

• provavelmente aumentaram sua atividade física em 7,4 minutos por dia;
• podem não ter reduzido a quantidade de tempo em que permaneceram inativos (sedentários);
• podem ter comido mais frutas e vegetais.

No entanto, é incerto se os programas de organizações esportivas tiveram impacto no consumo de bebidas açucaradas, o consumo de álcool ou o uso de tabaco.

Também é incerto se os programas de clubes esportivos tiveram quaisquer consequências indesejadas e prejudiciais para as pessoas envolvidas. Poucos estudos avaliaram esse ponto, e os resultados foram diferentes entre eles.

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança na evidência variou de moderada a muito baixa; novos estudos podem mudar nossos resultados. Quatro fatores principais reduziram nossa confiança. Primeiro, alguns estudos se concentraram em populações específicas, enquanto a pergunta que queríamos responder era mais ampla. Por exemplo, a maior parte da evidência para nossos desfechos principais (incluindo quaisquer mudanças na atividade física/inatividade e consumo de frutas, vegetais e bebidas açucaradas) vieram de estudos que envolveram homens com fatores de risco relacionados à saúde, como sobrepeso e obesidade, e torcedores de futebol do sexo masculino. Em segundo lugar, em alguns estudos, as pessoas estavam cientes de qual tratamento estavam recebendo, e outros estudos não relataram claramente se os participantes estavam cientes do tratamento que estavam recebendo. Terceiro, os resultados foram muito inconsistentes entre os estudos para alguns desfechos. Por fim, alguns tinham poucos participantes.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até maio de 2024.

Hodder RK, O'Brien KM, Al-Gobari M, Flatz A, Borchard A, Klerings I, Clinton-McHarg T, Kingsland M, von Elm E

O treinamento em primeiros socorros para leigos é efetivo?

3 months 2 weeks ago
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  • Ainda não sabemos se o treinamento em primeiros socorros para leigos (pessoas sem educação formal na área da saúde) melhora os desfechos de saúde das pessoas que recebem primeiros socorros, a qualidade dos primeiros socorros prestados, ou o comportamento de ajuda (isto é, a ação de prestar socorro a outra pessoa) dos leigos que prestam esses socorros.

  • O treinamento em primeiros socorros para leigos provavelmente aumenta, no curto prazo (até um mês após o treinamento), o conhecimento, as habilidades e a confiança das pessoas em sua própria capacidade de agir em uma emergência. No entanto, ainda não sabemos se esse tipo de treinamento aumenta a disposição para ajudar em situações reais.

  • Pesquisas futuras devem focar em aspectos importantes para os tomadores de decisão, como:

    • padronizar questionários e outras medidas para avaliar o conhecimento, as habilidades e as atitudes relacionadas a primeiros socorros;

    • investigar os efeitos de longo prazo do treinamento, incluindo os custos e possíveis efeitos indesejados; e

    • avaliar o impacto do treinamento em primeiros socorros em países de baixa e média-baixa renda.

O que é o treinamento em primeiros socorros?

Os primeiros socorros envolvem cuidados básicos prestados a uma pessoa doente ou ferida antes da chegada de ajuda profissional. O treinamento em primeiros socorros é uma atividade de aprendizado (por exemplo, curso ou programa) com objetivo de melhorar o conhecimento, as habilidades ou as atitudes sobre a prestação de primeiros socorros.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se o treinamento em primeiros socorros para leigos é melhor do que outro tipo de treinamento, ou do que não receber nenhum treinamento, para melhorar:

  • a saúde das pessoas que recebem primeiros socorros;

  • a qualidade dos primeiros socorros prestados;

  • o comportamento de ajuda em situações reais de emergência; e

  • o conhecimento e as habilidades em primeiros socorros, a autoeficácia (definida como a crença do indivíduo em sua capacidade de prestar primeiros socorros) e a disposição para ajudar entre os participantes que receberam o treinamento.

Também queríamos saber sobre os custos do treinamento em primeiros socorros para leigos e se havia qualquer efeito indesejado.

O que fizemos?

Buscamos por estudos que compararam o treinamento em primeiros socorros para leigos com outro tipo de treinamento (como primeiros socorros em saúde mental ou prevenção do HIV) ou nenhum treinamento. Combinamos os resultados dos estudos encontrados e avaliamos a certeza da evidência, considerando os métodos e os tamanhos dos estudos.

O que encontramos?

Encontramos 36 estudos, com 15.657 pessoas sem formação profissional na área da saúde. Dezessete estudos incluíram adultos, e 19 estudos incluíram crianças ou adolescentes. Os estudos foram realizados em diferentes países. A maioria foi realizada em países de alta ou média renda (metade deles nos EUA). Apenas dois estudos foram realizados em um país de baixa renda (Nigéria).

Nenhum estudo apresentou evidências sobre os efeitos do treinamento em primeiros socorros nos desfechos de saúde de pessoas que recebem os primeiros socorros ou na qualidade dos primeiros socorros prestados em situações reais de emergência. Um estudo, com 3.070 pessoas, analisou o comportamento de ajuda de leigos, mas não apresentou dados suficientes para determinar se esse comportamento é afetado pelo treinamento em primeiros socorros.

Em comparação com outro tipo de treinamento ou nenhum treinamento, a curto prazo (até um mês após o treinamento), o treinamento em primeiros socorros para leigos provavelmente aumenta:

  • o conhecimento (8 estudos, 3.515 participantes);

  • as habilidades (12 estudos, 3.063 participantes); e a

  • autoeficácia (confiança da pessoa em sua capacidade de prestar socorro) (2 estudos, 285 participantes).

No entanto, não sabemos sobre o efeito, a curto prazo, do treinamento em primeiros socorros na disposição para ajudar (2 estudos, 1.083 participantes).

Quais são as limitações das evidências?

Não temos certeza se o treinamento em primeiros socorros aumenta o comportamento de ajuda, pois a evidência se baseia em apenas um estudo, que incluiu poucas oportunidades de ajudar. Temos confiança moderada de que o treinamento em primeiros socorros melhora, a curto prazo, o conhecimento, as habilidades e a autoeficácia de pessoas leigas. No entanto, nem todos os estudos descreveram claramente se a alocação dos participantes ao treinamento foi realizada de forma aleatória. Alguns participantes podem ter tido conhecimento sobre sua designação para o grupo de intervenção ou controle, e há insuficiência de informações acerca da validade e confiabilidade dos instrumentos de medição utilizados. Nossa confiança é baixa na evidência sobre o aumento da disposição para ajudar. Alguns participantes podem ter dito que estavam mais dispostos a ajudar apenas por acharem que essa era a resposta “correta”, mas não há estudos suficientes para confirmar este resultado.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até dezembro de 2024.

Kendall I, Laermans J, D'aes T, Borra V, McCaul M, Aertgeerts B, De Buck E

Que mudanças permanentes e temporárias nos ambientes aquáticos dos mosquitos imaturos funcionam melhor para reduzir a malária nas pessoas?

3 months 2 weeks ago
Porque é que é importante reduzir a malária nas pessoas?

A malária tem um impacto muito elevado na saúde pública, sobretudo nas populações de África e da Ásia. Há muitos anos que se estudam estratégias para reduzir a malária. A maioria das estratégias centra-se na redução do número de mosquitos imaturos (larvas e pupas) para evitar que se transformem em mosquitos adultos, uma vez que é o mosquito fêmea adulto que pode propagar a malária através da picada de pessoas.

Quais são as alterações permanentes e temporárias no ambiente dos mosquitos imaturos?

Os ambientes aquáticos onde vivem os mosquitos imaturos podem ser perturbados através de alterações permanentes (modificação) e temporárias (manipulação). Exemplos de alterações permanentes incluem a construção de canais de drenagem, o nivelamento do terreno e o enchimento de valas. Exemplos de alterações temporárias incluem a alteração do fluxo de água em cursos de água, a drenagem de canais, o corte de relva, o sombreamento de plantas que utilizam água. Estas intervenções podem ser utilizadas isoladamente ou em conjunto com outros tratamentos padrão, como a aplicação regular de insecticidas nas massas de água (larvicida).

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir que mudanças permanentes e temporárias no ambiente dos mosquitos imaturos reduzem a malária nas pessoas (resultados clínicos) e a quantidade de mosquitos imaturos e adultos (resultados entomológicos).

O que fizemos?

Procurámos estudos que analisaram alterações permanentes e temporárias no ambiente dos mosquitos imaturos, em comparação com nenhuma intervenção ou uma alteração permanente ou temporária diferente. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência, com base em fatores como os métodos de estudo.

O que descobrimos?

A revisão incluiu 16 estudos que utilizaram uma série de diferentes desenhos de estudos aleatorizados e não aleatorizados. Onze estudos foram realizados em África e cinco na Ásia. Apenas alguns estudos relataram resultados clínicos, com a maioria a centrar-se no número de mosquitos imaturos, ou mosquitos adultos, ou ambos (resultados entomológicos). Verificámos que existe alguma evidência que apoia a utilização de alterações permanentes (modificação) e temporárias (manipulação) nos ambientes aquáticos para reduzir o número de mosquitos imaturos em ambientes específicos. No entanto, quando se analisam os resultados clínicos, 1. o efeito da manipulação do habitat na prevalência do parasita da malária e na incidência clínica da malária não é claro; 2. a prevalência do parasita da malária pode ser reduzida quando se utiliza a manipulação do habitat com larvicida; 3. a combinação da manipulação e modificação com larvicida provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença na prevalência do parasita da malária e nos níveis de hemoglobina.

Quais são as limitações da evidência?

A revisão incluiu um vasto leque de diferentes alterações ao ambiente aquático dos mosquitos imaturos, tendo algumas delas sido combinadas com tratamentos de água (larvicida), o que significa que muito poucos estudos analisaram a mesma intervenção. Muitos dos estudos incluídos tinham problemas relacionados com a forma como foram conduzidos.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

Esta revisão atualiza uma revisão Cochrane de 2013. A evidência encontra-se atualizada até 30 de novembro de 2021.

Martello E, Yogeswaran G, Reithinger R, Leonardi-Bee J

Administração de medicamentos antimaláricos para prevenir a malária em lactentes

3 months 2 weeks ago
Qual é o objetivo desta revisão?

Esta Revisão Cochrane teve como objetivo descobrir se a administração de doses repetidas de tratamento antimalárico a lactentes que vivem na África Subsariana pode prevenir a malária. Encontrámos e analisámos os resultados de 12 estudos relevantes realizados entre 1999 e 2013 que abordaram esta questão em lactentes (definidos como crianças pequenas com idades compreendidas entre 1 e 12 meses).

Mensagens-chave

Tratamento preventivo intermitente com sulfadoxina-pirimetamina (SP)

A administração de SP como tratamento preventivo antimalárico a lactentes reduziu provavelmente o risco de paludismo clínico, anemia e internamentos hospitalares nos países africanos que foram avaliados. No entanto, este efeito foi atenuado em estudos mais recentes.

Tratamento preventivo intermitente com terapia combinada à base de artemisinina (ACT)

A administração de ACT como tratamento antimalárico preventivo a lactentes pode reduzir o risco de paludismo clínico. Pode também reduzir a proporção de lactentes com parasitas da malária no sangue.

O que foi estudado nesta revisão?

Em zonas onde a malária é comum, os lactentes sofrem frequentemente episódios repetidos de doença da malária. Em zonas onde a transmissão da malária ocorre durante todo o ano, algumas autoridades recomendam o tratamento preventivo intermitente, que requer a administração de medicamentos a intervalos regulares (nas visitas de vacinação da criança), independentemente de a criança ter ou não sintomas de malária, para prevenir a doença da malária.

Estudámos os efeitos da IPTi com SP e outros medicamentos (incluindo ACTs) nos resultados relacionados com a malária. Os resultados da revisão incluíram malária clínica, malária grave, morte, internamento hospitalar, parasitemia, anemia, alteração do nível de hemoglobina e efeitos secundários.

Quais são os resultados principais desta revisão?

Incluímos 12 estudos que incluíram 19.098 bebés. Todos os estudos foram realizados na África subsariana (Gabão, Gana, Quénia, Mali, Moçambique, Tanzânia e Uganda). Estes estudos compararam os lactentes que receberam IPTi com os que receberam comprimidos de placebo ou nada. Os lactentes do grupo IPTi receberam diferentes medicamentos, em diferentes doses e durante diferentes períodos de tempo.

Dez estudos avaliaram a IPTi com SP de 1999 a 2013. O efeito da SP parece diminuir com o tempo, com os ensaios realizados depois de 2009 a mostrarem pouco ou nenhum efeito da intervenção. Os estudos mostram que a IPTi com SP provavelmente resultou em menos episódios de malária clínica, anemia, internamento hospitalar e parasitas no sangue sem sintomas (grau de certeza moderado da evidência). A IPTi com SP provavelmente fez pouca ou nenhuma diferença no risco de morte (evidência de qualidade moderada).

Desde 2009, alguns pequenos estudos avaliaram os medicamentos combinados à base de artemisinina e indicaram o seu impacto na malária clínica e nos parasitas do sangue. Um pequeno estudo de IPTi com dihidroartemisinina-piperaquina em 2013 mostrou uma redução de até 58% nos episódios de malária clínica (evidência de qualidade moderada) e reduções na proporção de lactentes com parasitas no sangue (evidência de qualidade moderada).

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Os autores da revisão procuraram por estudos publicados até 3 de dezembro de 2018.

Esu EB, Oringanje C, Meremikwu MM
Checked
6 hours 12 minutes ago
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