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A riboflavina (vitamina B ₂ ) reduz a tensão arterial nos adultos?

2 months ago
Mensagens-chave
  • O efeito dos suplementos orais de riboflavina (vitamina B 2 ) na tensão arterial é incerto.

  • São necessários ensaios de grande dimensão e bem conduzidos para avaliar o efeito da riboflavina na redução da tensão arterial.

O que é a tensão arterial?

A tensão arterial é a pressão do sangue circulante contra as paredes dos vasos sanguíneos. A pressão arterial sistólica é a pressão mais elevada durante um batimento cardíaco e a pressão arterial diastólica é a pressão mais baixa entre os batimentos cardíacos. Uma pressão arterial sistólica e diastólica mais elevada aumenta o risco de doença cardíaca e de acidente vascular cerebral.

O que é a riboflavina?

A riboflavina é uma vitamina (vitamina B 2 ) que se encontra naturalmente em muitos alimentos, como o leite e os produtos lácteos, extratos de levedura, ovos, fígado e rim. A riboflavina também pode ser tomada como suplemento.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se a toma de suplementos de riboflavina reduz a tensão arterial.

O que fizemos?

Procurámos estudos em adultos que comparassem os efeitos da riboflavina com um placebo (comprimidos "fictícios") na pressão arterial. Fizemos juízos de valor sobre a qualidade dos estudos incluídos e resumimos os seus resultados. Em seguida, classificámos a nossa confiança na evidência.

O que encontrámos?

Incluímos quatro estudos com um total de 374 pessoas. A evidência é muito incerta sobre o efeito da riboflavina na tensão arterial sistólica e na tensão arterial diastólica. A evidência sugere que a riboflavina pode resultar em pouca ou nenhuma diferença nos acontecimentos adversos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

Procurámos toda a evidência disponível até outubro de 2024.

Quais são as limitações da evidência?

A nossa confiança na evidência de que a riboflavina reduz a tensão arterial foi muito baixa, porque os resultados de algumas das pessoas que participaram nos estudos incluídos não foram comunicados e porque os estudos incluídos eram relativamente pequenos.

O que significam estes resultados?

O efeito da riboflavina na tensão arterial é muito incerto. Além disso, são necessários estudos de grande dimensão e de elevada qualidade para determinar se a riboflavina reduz a tensão arterial.

Bradbury KE, Coffey S, Earle N, Ni Mhurchu C, Jull AB

A terapia cognitivo-comportamental para a insónia (TCC-I) ajuda as pessoas com cancro?

2 months ago
Mensagens-chave

- A terapia cognitivo-comportamental para a insónia (TCC-I) - um tipo de terapia de conversação que ajuda as pessoas a perceberem os pensamentos inúteis, a desafiá-los e a aprenderem formas mais saudáveis de pensar e de se comportar - pode reduzir ligeiramente a gravidade da insónia e pode melhorar ligeiramente a qualidade do sono em pessoas com cancro, em comparação com outros tratamentos, mas estamos muito incertos quanto a estes resultados.
- A CBT-I não parece conduzir a acontecimentos indesejáveis e prejudiciais, mas também não temos a certeza deste resultado.
- A investigação futura deve centrar-se na compreensão da forma como as pessoas com diferentes tipos de cancro e em diferentes fases do tratamento do cancro respondem à TCC-I.

Porque é que a insónia é um problema para as pessoas com cancro?

Muitas pessoas com cancro lutam contra a insónia, ou seja, têm dificuldade em dormir, mesmo quando têm oportunidade de dormir. As pessoas com cancro são mais propensas a ter insónias do que a população em geral. Podem ter dificuldade em dormir devido a dores, stress, preocupações ou efeitos secundários do tratamento do cancro. O facto de não dormirem bem pode fazer com que se sintam mais cansados, ansiosos ou deprimidos e pode tornar mais difícil lidar com o cancro e o seu tratamento.

Como é tratada a insónia nas pessoas com cancro?

Existem duas formas principais de tratar a insónia: medicação ou abordagens não-medicamentosas, como a TCC-I e o exercício físico. A TCC-I é uma terapia estruturada que ajuda as pessoas a aprenderem a pensar de forma diferente sobre o sono, a compreenderem como o sono funciona e a utilizarem ferramentas práticas, tais como:

- criar melhores hábitos de sono;
- Treinar o cérebro para ligar a cama ao sono;
- limitar o tempo na cama para melhorar a qualidade do sono.

Embora a TCC-I seja amplamente reconhecida como o tratamento de primeira escolha para o controlo da insónia na população em geral, a sua eficácia em pessoas com cancro necessita ainda de uma avaliação exaustiva, atualizada e pormenorizada.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber se a CBT-I era melhor do que (1) nenhum tratamento ativo ou (2) outros tratamentos para melhorar a gravidade da insónia, a qualidade do sono e os parâmetros do diário do sono, ou seja, coisas como a hora a que se deitaram, o tempo que demoraram a adormecer e o número de vezes que acordaram durante a noite. Também queríamos saber se a TCC-I levou a algum evento indesejado ou prejudicial grave.

O que fizemos?

Procurámos estudos que comparassem a TCC-I com outros tratamentos para pessoas com cancro. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência.

O que encontrámos?

Encontrámos 21 estudos que envolviam 2.431 pessoas, predominantemente mulheres adultas diagnosticadas com cancro da mama. Dezassete dos 21 estudos foram realizados na América do Norte. Identificamos cinco comparações. Neste resumo, apresentamos os resultados das duas principais comparações:

- CBT-I versus nenhum tratamento ativo;
- CBT-I versus atividades aeróbicas.

Principais resultados

- CBT-I versus nenhum tratamento ativo;

Em pessoas com cancro, a TCC-I pode melhorar ligeiramente a gravidade da insónia, a qualidade do sono e a maioria dos parâmetros do diário de sono sem introduzir eventos adicionais indesejados ou prejudiciais. No entanto, temos muitas dúvidas quanto aos resultados relativos à gravidade da insónia, à frequência ou rapidez com que as pessoas acordam depois de adormecerem e aos eventos indesejáveis e prejudiciais graves.

- CBT-I versus atividades aeróbicas.

A TCC-I pode melhorar ligeiramente a gravidade da insónia e a qualidade do sono sem introduzir outros eventos indesejáveis ou prejudiciais graves. No entanto, a TCC-I pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na maioria dos parâmetros do diário de sono. Temos muitas dúvidas quanto aos resultados relativos aos acontecimentos indesejáveis ou prejudiciais graves e à duração total do sono registada pelo diário de sono.

Quais são as limitações da evidência?

Não estamos confiantes na evidência porque as pessoas nos estudos podem ter sabido qual o tratamento que estavam a receber, o que poderia ter afetado a forma como responderam ao tratamento. Além disso, o número de estudos era demasiado reduzido para se poder ter certezas quanto aos resultados dos nossos resultados de interesse.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

Esta evidência é atual até abril de 2025.

Cai Z, Tang Y, Liu C, Li H, Zhao G, Zhao Z, Zhang B

O semaglutide é um tratamento eficaz para a perda de peso em adultos com obesidade e causa efeitos indesejáveis?

2 months ago
Mensagens-chave
  • Os adultos com obesidade perdem mais peso com o semaglutide do que com o placebo (um medicamento simulado). No entanto, o risco de acontecimentos indesejáveis é provavelmente mais elevado do que com o placebo após 24 meses. O semaglutide faz pouca ou nenhuma diferença - ou tem efeitos incertos - na qualidade de vida, eventos cardiovasculares major e morte.

  • O fabricante do semaglutide esteve envolvido em 17 dos 18 estudos incluídos, o que suscita preocupações quanto à fiabilidade dos resultados. É necessária mais investigação independente que incida sobre pessoas de diferentes origens e locais.

O que é obesidade?

A obesidade é uma condição crónica na qual a pessoa possui excesso de gordura corporal. Pode aumentar o risco de problemas de saúde como a diabetes tipo 2, doenças do coração e dos vasos sanguíneos (doenças cardiovasculares) e alguns tipos de cancro. Os níveis de obesidade estão a aumentar em todo o mundo, o que representa um grande encargo para os sistemas de saúde. A gestão da obesidade envolve frequentemente mudanças no estilo de vida, como uma dieta mais saudável e uma maior atividade física. No entanto, muitas pessoas têm dificuldade em manter estas mudanças, e os médicos podem prescrever medicamentos para apoiar a perda de peso.

O que é o semaglutide?
O semaglutide é um medicamento que imita uma hormona intestinal natural. Reduz o apetite, ajudando as pessoas a perder peso. Pode ser administrado por injeção ou por ingestão. Algumas pessoas que tomam semaglutide sofrem efeitos indesejáveis, como sentir-se ou estar doente, diarreia e indigestão. Medicamentos semelhantes incluem liraglutide e tirzepatide.

O que pretendíamos descobrir?
Queríamos saber até que ponto o semaglutide funciona bem em adultos com obesidade a médio prazo (6 a 24 meses) e a longo prazo (24 meses ou mais). Examinámos os seus efeitos na perda de peso, efeitos indesejáveis, problemas de saúde associados à obesidade, qualidade de vida e risco de morte.

Não analisámos o que acontece depois de as pessoas deixarem de tomar semaglutide.

O que fizemos?
Procurámos estudos que comparassem o semaglutide com um placebo (medicamento simulado), mudanças no estilo de vida ou outro medicamento para perder peso em pessoas com obesidade. Comparamos e analisamos os resultados e avaliamos nossa confiança nas evidência.

O que encontrámos?
Incluímos 18 estudos com 27.949 homens e mulheres, com idades entre 41 e 69 anos, que tomaram semaglutide entre 6 meses e 4 anos ou mais. Os estudos foram realizados principalmente em países de rendimento médio-alto ou alto e incluíram sobretudo pessoas brancas e asiáticas. Compararam o semaglutide com placebo, liraglutide e tirzepatide. A principal comparação com o placebo apresenta os seguintes resultados.

  • A médio prazo (16 estudos, 10.041 pessoas): o semaglutide leva a uma maior perda de peso em percentagem do peso corporal e a um maior número de pessoas que perdem 5% do seu peso corporal do que o placebo. As pessoas podem sentir efeitos indesejáveis ligeiros a moderados com o semaglutide, mas estes efeitos indesejáveis provavelmente fazem pouca ou nenhuma diferença para as pessoas que decidem parar o tratamento. Os efeitos do semaglutide nos efeitos indesejáveis graves não são claros. É provável que o semaglutide faça pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida e pode não reduzir significativamente os eventos cardiovasculares major ou as mortes.

  • A longo prazo (2 estudos, 17.908 pessoas): a perda de peso provavelmente continua com o semaglutide em percentagem do peso corporal e no número de pessoas que perdem 5% do seu peso corporal. É provável que o semaglutide faça pouca ou nenhuma diferença nos efeitos indesejáveis graves, e não temos a certeza dos seus efeitos nos efeitos indesejáveis ligeiros a moderados. No entanto, estes efeitos indesejáveis fazem provavelmente com que mais pessoas decidam interromper o tratamento. É provável que o semaglutide faça pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida, nos eventos cardiovasculares major ou na morte.

Quais são as limitações da evidência?

Estamos muito confiantes de que as pessoas que tomam semaglutide perdem mais peso do que as que tomam placebo. No entanto, o fabricante do semaglutide esteve envolvido na maioria dos estudos, pelo que a nossa confiança nos resultados é limitada. Os locais de estudo e os participantes eram bastante semelhantes, pelo que não sabemos como o semaglutide funciona em pessoas de diferentes origens e locais.

Quão atualizada se encontra esta revisão?
A evidência encontra-se atualizada até 17 de dezembro de 2024.

Bracchiglione J, Meza N, Franco JVA, Escobar Liquitay CM, Novik A V, Ocara Vargas M, Lazcano G, Poloni D, Rinaldi Langlotz F, Roqué-Figuls M, Munoz SR, Madrid E

Quais são os benefícios e os riscos do uso de metilxantinas (fármacos com leve efeito estimulante) em bebês prematuros que apresentam pausas respiratórias durante o sono (apneia)?

2 months ago
Mensagens-chave

- Em comparação com nenhum tratamento ou um medicamento placebo (inativo), as metilxantinas provavelmente levam a menos episódios de apneia (pausas na respiração), provavelmente reduzem a necessidade de aparelhos de respiração e reduzem a ocorrência de lesão pulmonar em bebês prematuros.
- As metilxantinas provavelmente fazem pouca ou nenhuma diferença no risco de bebês prematuros morrerem antes de receberem alta do hospital. Houve pouca evidência sobre os efeitos colaterais das metilxantinas.
- Mais pesquisas são necessárias sobre os efeitos a longo prazo desses medicamentos.

O que é apneia da prematuridade?
Apneia da prematuridade é quando bebês nascidos muito cedo (prematuros) param de respirar por pelo menos 20 segundos durante o sono. Mais da metade de todos os bebês prematuros têm apneia. Episódios de apneia podem resultar em baixa frequência cardíaca e baixo nível de oxigênio no sangue, levando à necessidade de suporte com respirador artificial (ventilação mecânica). Bebês prematuros, especialmente aqueles nascidos antes de 28 semanas no útero (gestação), têm maior risco de morrer ou ter doenças pulmonares, dificuldades intelectuais, cegueira ou surdez do que bebês nascidos na data prevista para o parto ou próximos a ela.

Como é tratada a apneia em bebês prematuros?
É comumente tratada com metilxantinas – substâncias encontradas no chá, café e chocolate. Três tipos de metilxantinas são cafeína, aminofilina e teofilina. Eles agem como estimulantes leves para acelerar os sistemas do corpo e facilitar a respiração. Os médicos administram metilxantinas aos bebês por três razões principais: (1) para prevenir episódios de apneia; (2) para tratar/reduzir episódios de apneia e, assim, evitar que o bebê precise usar aparelhos de respiração (ventilação mecânica); e (3) para aumentar as chances de que os bebês que já estão usando aparelhos de respiração consigam ser “desmamados” desses aparelhos (extubação) e voltem a respirar sozinhos. Em todos os casos, o objetivo é minimizar as chances dos bebês desenvolverem os problemas descritos acima.

O que se buscou descobrir?
Queríamos descobrir se a administração de metilxantinas a bebês prematuros por qualquer um dos motivos descritos acima reduz os episódios de apneia e o risco de morte e melhora o desenvolvimento a longo prazo destes bebês.

O que nós fizemos?
Buscamos estudos que administraram metilxantinas a recém-nascidos prematuros com risco de apneia da prematuridade ou com ela. Comparamos e resumimos os resultados destes estudos, classificando nossa confiança nas evidências com base em critérios como os métodos utilizados e o tamanho das amostras.

O que encontramos?
Encontramos 18 estudos em que participaram 2.705 bebês prematuros com ou em risco de apneia. O maior e mais longo estudo incluiu 2.006 bebês de 9 países ao longo de 5 anos, o qual relatou os desfechos de alguns dos bebês até eles se tornarem adolescentes. Os 17 estudos restantes foram muito menores, variando de 18 a 86 bebês; esses estudos foram conduzidos nos EUA (6 estudos), Reino Unido (3 estudos), Canadá, Irã (2 estudos em cada país), Austrália, França, Espanha e Suíça (1 estudo em cada país). A maioria desses estudos concentrou-se em desfechos imediatos e de curto prazo e não analisou o desenvolvimento dos bebês a longo prazo. Dos 18 estudos, 14 foram conduzidos nas décadas de 1980 e 1990.

O uso de metilxantina nos estudos variou: 6 estudos exploraram a prevenção da apneia; 5 estudos exploraram o tratamento da apneia; 6 estudos investigaram a metilxantina para desmame de respiradores (extubação); e 1 estudo (o maior) investigou a metilxantina administrada para todos os 3 motivos.

Resultados principais
Comparado a não administrar nenhum tratamento ou administrar um medicamento placebo (inativo), administrar metilxantinas a bebês prematuros por qualquer motivo:

- provavelmente leva a uma redução no risco de episódios de apneia;
- provavelmente aumenta o número de bebês que apresentam menos episódios de apneia após 2 a 7 dias;
- provavelmente reduz a necessidade de respiradores após o início do tratamento;
- reduz a displasia broncopulmonar, uma forma de lesão pulmonar.

Um único estudo de grande porte demonstrou que administrar metilxantinas (especificamente, cafeína) melhora o desenvolvimento de crianças entre 18 e 24 meses de idade.

Quais são as limitações das evidências?
Nossa confiança nas evidências varia. O grande estudo usou métodos robustos: os bebês foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos de tratamento, e os pesquisadores que coletavam as informações sobre os resultados não sabiam a qual grupo cada bebê pertencia (procedimento chamado de “mascaramento” ou cegamento). Estes métodos tendem a produzir evidências de alta qualidade. Este estudo dominou a revisão e forneceu a única evidência sobre o desenvolvimento cerebral dos bebês na infância. Os métodos dos estudos restantes foram de qualidade variável. Muitos não mascararam os pesquisadores, e a maioria relatou desfechos que não são críticos para o desenvolvimento dos bebês a longo prazo. Entretanto, não tínhamos razão para acreditar que esses estudos omitiram erroneamente qualquer informação ou relataram apenas resultados favoráveis, apesar de não relatarem desfechos de longo prazo, como morte.

Quão atuais são essas evidências?
As evidências estão atualizadas até novembro de 2022.

Marques KA, Bruschettini M, Roehr CC, Davis PG, Fiander M, Soll RF

O treinamento cardiovascular alivia a fadiga relacionada ao câncer antes, durante ou depois da terapia anticâncer?

2 months ago
Mensagens principais
  • O treinamento cardiovascular durante a terapia anticâncer provavelmente reduz ligeiramente a fadiga relacionada ao câncer por até 12 semanas.

  • Os efeitos a longo prazo do treinamento cardiovascular na fadiga relacionada ao câncer e na qualidade de vida são incertos e não há evidência sobre os efeitos do treinamento cardiovascular antes da terapia anticâncer.

  • Encontramos quase 50 estudos sobre treinamento cardiovascular antes, durante e depois do tratamento do câncer que estão em andamento e que aumentarão as evidência quando os resultados forem publicados.

O que é a fadiga relacionada ao câncer?

A fadiga relacionada ao câncer é uma sensação extrema de cansaço por um longo período de tempo. Pode ser causado pelo tratamento do câncer ou pelo próprio câncer. É o sintoma mais comum entre pessoas com câncer. Não pode ser aliviada pelo repouso e afeta o corpo e a mente.

O que é treinamento cardiovascular?

O treinamento cardiovascular é qualquer atividade que utiliza os grandes grupos musculares das nádegas e coxas e aumenta a frequência cardíaca e respiratória. Exemplos são caminhada, corrida, ciclismo e natação.

Por que o treinamento cardiovascular é possivelmente efetivo para a fadiga relacionada ao câncer?

A fadiga relacionada ao câncer está ligada à resposta do corpo às citocinas, que regulam o aumento de tamanho dos tecidos e órgãos (chamado crescimento celular). O câncer ou a terapia contra o câncer podem produzir proteínas chamadas citocinas pró-inflamatórias, que causam ou pioram a inflamação (a resposta do corpo a uma lesão ou doença, que inclui sintomas como inchaço e dor). O treinamento cardiovascular pode ajudar a reduzir a inflamação.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se o treinamento cardiovascular reduz a fadiga relacionada ao câncer em comparação com nenhum treinamento. Exploramos os efeitos em curto (até 12 semanas), médio (até seis meses) e longo prazo (mais de seis meses). Também analisamos a qualidade de vida, efeitos indesejados, ansiedade e depressão.

O que fizemos?

Buscamos estudos que investigassem o treinamento cardiovascular antes, durante ou depois da terapia anticâncer em comparação com nenhum treinamento. Esses estudos precisavam avaliar a fadiga relacionada ao câncer ou a qualidade de vida ou ambas. O treinamento cardiovascular deveria ter pelo menos cinco sessões de exercícios e ser ministrado por meio de instruções presenciais (por vídeo ou pessoalmente). Não consideramos estudos com menos de 20 pessoas por grupo ou que estavam disponíveis apenas em forma de resumo curto.

O que encontramos?

Encontramos 23 estudos com 2135 pessoas. A maioria dos estudos foi conduzida em países de alta renda (97%; onde as pessoas têm fácil acesso a cuidados de saúde de boa qualidade). Um total de 1101 pessoas receberam treinamento cardiovascular e 1034 pessoas não receberam nenhum treinamento. As pessoas incluídas nos estudos eram, em sua maioria, mulheres e tinham câncer de mama.

Também encontramos 36 estudos em andamento e 12 estudos concluídos que ainda não foram publicados.

Principais resultados

Não houve estudos comparando o treinamento cardiovascular antes da terapia anticâncer com nenhum treinamento. Incluímos 10 estudos sobre treinamento cardiovascular durante terapia anticâncer, mas só pudemos usar os resultados de oito. Para treinamento cardiovascular após terapia anticâncer versus nenhum treinamento, encontramos 13 estudos para inclusão, mas só pudemos usar os resultados de nove.

Treinamento cardiovascular durante a terapia anticâncer versus nenhum treinamento:
  • provavelmente reduz ligeiramente a fadiga a curto prazo relacionada ao câncer (6 estudos, 593 pessoas);

  • provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida a curto prazo (6 estudos, 612 pessoas);

  • não sabemos se o treinamento cardiovascular aumenta ou diminui a fadiga relacionada ao câncer a médio e longo prazo , a qualidade de vida e quaisquer efeitos indesejados.

Treinamento cardiovascular após terapia anticâncer versus nenhum treinamento:
  • não sabemos se o treinamento cardiovascular aumenta ou diminui a fadiga relacionada ao câncer a curto e longo prazo , a qualidade de vida e quaisquer efeitos indesejados;

  • não conseguimos encontrar dados sobre fadiga relacionada ao câncer e qualidade de vida em médio prazo .

Quais são as limitações das evidências?

Temos moderada confiança nas evidências sobre o efeito do treinamento cardiovascular durante a terapia anticâncer na fadiga relacionada ao câncer e na qualidade de vida a curto prazo . Nossa confiança nas outras evidência é muito baixa, pois houve menos estudos ou estudos menores, e as pessoas sabiam qual tratamento receberam. Não houve evidência de treinamento cardiovascular antes da terapia anticâncer e de treinamento cardiovascular após a terapia anticâncer na fadiga relacionada ao câncer e na qualidade de vida em médio prazo.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Nossas evidências estão atualizadas até 16 de outubro de 2023.

Wagner C, Ernst M, Cryns N, Oeser A, Messer S, Wender A, Wiskemann J, Baumann FT, Monsef I, Bröckelmann PJ, Holtkamp U, Scherer RW, Mishra SI, Skoetz N

Intervenções terapêuticas e sociais dirigidas às perturbações conversivas e dissociativas

2 months ago

O objetivo desta revisão consiste em proporcionar uma melhor compreensão do que é uma intervenção (tratamento) eficaz e útil para pessoas com perturbações conversivas e perturbações dissociativas. As intervenções analisadas são não-farmacológicas. Em alternativa, dizem antes respeito a terapia e intervenções sociais.
 
Contexto

As perturbações conversivas e dissociativas são doenças em que as pessoas apresentam sintomas neurológicos invulgares (relacionados com os nervos e o sistema nervoso) ou alterações da consciência ou da identidade. Estes sinais clínicos não são explicados por doenças neurológicas ou outras patologias médicas; frequentemente, encontram-se presentes fatores de stress ou trauma psicológico (que afetam ou surgem na mente). Os sintomas são reais e podem causar angústia ou perturbar o funcionamento da vida quotidiana das pessoas que os apresentam.

Esta revisão procura ajudar estes doentes, bem como os clínicos, os decisores políticos e os serviços de saúde que lidam com estas perturbações.

Pergunta de revisão

Qual a evidência da intervenção psicossocial (relacionada com fatores sociais e com o pensamento e comportamento individuais) nas perturbações conversivas e dissociativas?

Data da pesquisa

Pesquisámos bases de dados médicas entre 16 de julho e 16 de agosto de 2019.

Resultados da pesquisa

Lemos 3.048 resumos de artigos, o que resultou em 17 estudos que preencheram os nossos critérios para as perturbações, grupos de pessoas, intervenções e para os tipos de estudos que são o foco desta revisão.

Os 17 estudos tinham 894 participantes e cada estudo era relativamente pequeno. 

Estão em curso mais estudos, que serão incluídos nas atualizações desta revisão.

Caraterísticas dos estudos

Os estudos foram realizados em nove países diferentes de todo o mundo, com adultos de idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos, com diagnóstico de perturbação conversiva ou dissociativa por qualquer período de tempo. Alguns estudos foram realizados em contexto psiquiátrico ou neurológico. Alguns incluíam pessoas já hospitalizadas, outros incluíam pessoas em contexto ambulatório. 

As intervenções eram todas psicossociais, o que significa que se centravam em intervenções psicológicas ou sociais tais como terapia, hipnose ou simplesmente educar as pessoas relativamente à sua doença. O número de sessões foi variável.

Todos os estudos incluídos compararam a intervenção ao grupo de controlo para verificar se as intervenções resultavam nalguma diferença. Os grupos de controlo receberam uma intervenção psicossocial diferente, medicação ou os cuidados que as pessoas habitualmente receberiam se tivessem a mesma doença mas não fizessem parte de um estudo de investigação.

O resultado primário que procurámos obter foi a redução de sinais físicos.

Resultados-chave

Investigámos o efeito de diferentes tipos de intervenções psicossociais, desde a hipnose à terapia comportamental. Nenhum dos estudos foi efetuado com um nível de qualidade suficientemente elevado para se poder concluir algo sobre a evidência dos resultados.

Verificou-se uma redução dos sinais físicos no final do tratamento em três das intervenções.

A hipnose reduziu a gravidade da disfunção em comparação com as pessoas em lista de espera para tratamento; a terapia comportamental complementar aos cuidados de rotina em doentes internados reduziu o número de convulsões semanais e a gravidade dos sintomas, em comparação com as pessoas que foram sujeitas apenas a cuidados de rotina; e a psicoterapia precedida de entrevista motivacional (uma terapia que tenta fazer com que uma pessoa passe de um estado de indecisão ou incerteza para uma atitude positiva) reduziu a frequência das convulsões, em comparação com a psicoterapia isoladamente.

Qualidade da evidência

A maioria dos estudos incluídos apresentavam falhas metodológicas e a qualidade da evidência utilizada para avaliar a eficácia dos diferentes tratamentos foi considerada baixa ou muito baixa. Devido a esta evidência de baixa qualidade, não podemos dizer o quão fiáveis são os resultados.

Conclusão

Os resultados da meta-análise e dos estudos individuais sugerem que há falta de evidência relativamente aos efeitos de qualquer tipo de intervenção psicossocial na perturbação conversiva e nas perturbações dissociativas em adultos. Consequentemente, não é possível retirar dos estudos incluídos quaisquer conclusões sobre os potenciais benefícios ou prejuízos .

No entanto, a revisão evidencia que é possível a investigação nesta área.

Ganslev CA, Storebø OJ, Callesen HE, Ruddy R, Søgaard U

Videojogos para a esquizofrenia

2 months ago
Questão da revisão

Serão os videojogos um tratamento eficaz (por si só ou de forma complementar) a fim de melhorar o bem-estar e o funcionamento das pessoas com esquizofrenia ou perturbação esquizoafetiva?

Contexto

A esquizofrenia é uma doença mental grave que afeta pessoas por todo o mundo. As pessoas com esquizofrenia têm frequentemente uma visão distorcida da realidade - percecionando coisas que não estão presentes (alucinações) e acreditando em coisas que não são verdadeiras (delírios). As pessoas com esquizofrenia podem ter dificuldade em se auto-motivar, experienciar ansiedade e depressão, e apresentar sintomas cognitivos, tendo frequentemente dificuldade em se manter concentradas nas atividades do dia-a-dia e desorientando-se. As alucinações e os delírios são habitualmente tratados com medicamentos antipsicóticos, enquanto que os outros sintomas podem ser difíceis de gerir apenas com medicação isoladamente.

As terapias psicológicas são por vezes utilizadas em conjunto com a medicação para ajudar a tratar alguns sintomas da esquizofrenia. No entanto, estas terapias podem ser complexas e financeiramente dispendiosas. Os videojogos são um tratamento relativamente pouco dispendioso e, para muitos, cativante. Estes foram propostos como potencial ajuda para melhorar as disfunções cognitivas, como a falta de concentração ou o défice de memória, que frequentemente apresentam as pessoas com esquizofrenia. Se eficazes, os videojogos poderão providenciar um tratamento adicional simples e relativamente barato para as pessoas com esquizofrenia.

Pesquisa

Procurámos ensaios clínicos controlados e aleatorizados (um tipo de estudo em que os participantes são atribuídos a um de dois ou mais grupos de tratamento através de um método aleatório) que envolvessem pessoas com esquizofrenia a receber ora uma intervenção com o uso de videojogos, ora outro tipo de tratamento, como terapia (cognitiva) ou placebo (tratamento simulado). Realizámos a pesquisa em março de 2017, agosto de 2018 e agosto de 2019.

Resultados

Sete ensaios preencheram os nossos critérios de inclusão e forneceram dados viáveis. As intervenções com o uso de videojogos foram classificadas em intervenções que envolviam movimentos do corpo ("exergames") e intervenções que não envolviam estes movimentos ("não-exergames"). Os ensaios que utilizaram «não-exergames» compararam a intervenção com videojogos com uma forma de terapia de "treino cerebral", conhecida como reabilitação cognitiva. Um ensaio comparou os «exergames» ao tratamento habitual e outro ensaio comparou os «não-exergames» com os «exergames». Todas as intervenções dos ensaios clínicos incluídos foram administradas em complementaridade aos cuidados habituais.

A evidência atualmente disponível sugere que os «não-exergames» podem não ser tão benéficos para o funcionamento cognitivo como a reabilitação cognitiva, mas não existiram outras diferenças evidentes entre os «não-exergames» e a reabilitação cognitiva na melhoria do funcionamento em pessoas com esquizofrenia. Os videojogos mais dirigidos para o exercício físico podem ter algum benefício, em comparação com o tratamento habitual, na melhoria da aptidão física. Não podemos retirar nenhuma conclusão significativa relativamente aos efeitos dos videojogos até que evidência de maior qualidade esteja disponível.

Roberts MT, Lloyd J, Välimäki M, Ho GWK, Freemantle M, Békefi AZ

Poderão os programas nas redes sociais ajudar a população a melhorar a sua saúde?

2 months ago
Mensagens-chave

Programas nas redes sociais (como o Facebook ou o Twitter) que visam aumentar a atividade física podem ajudar as pessoas a tornarem-se mais fisicamente ativas e podem melhorar o seu bem-estar.

São necessários estudos futuros para averiguar se existem efeitos indesejáveis associados à participação em programas interativos nas redes sociais.

O que são as redes sociais?

As redes sociais são tecnologias computacionais que ajudam as pessoas a partilhar ideias, pensamentos e informações através da criação de redes e comunidades virtuais na Internet; exemplos incluem Facebook, Twitter ou WhatsApp. As redes sociais são "interativas": o utilizador comunica diretamente com um computador ou outro dispositivo para partilhar e receber informação.

O que pretendíamos descobrir?

As pessoas que utilizam as redes sociais podem trocar ideias e partilhar atualizações sobre os seus comportamentos, tais como se tornar mais ativo ou a comer de forma mais saudável. Queríamos descobrir se os programas de saúde que utilizam as redes sociais interativas podem mudar comportamentos e melhorar a saúde das pessoas.

O que fizemos?

Procurámos estudos que testassem os efeitos de programas em redes sociais interativas na saúde das pessoas. Estávamos interessados em como os programas podem afetar, nas pessoas:

- os seus comportamentos na saúde (como fumar, beber álcool, amamentar, seguir uma dieta, atividade física; procurar e utilizar serviços de saúde);

- a sua saúde (por exemplo, condição física, função pulmonar, episódios de asma);

- a sua saúde mental (por exemplo, instrumentos de avaliação de depressão, stress, capacidade de lidar com as situações);

- o seu bem-estar; e

- se as pessoas comunicaram quaisquer efeitos indesejáveis associados aos programas das redes sociais interativas.

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Incluímos evidência publicada até 1 de junho de 2020.

O que descobrimos?

Encontrámos 88 estudos que envolveram 871.378 adultos (com 18 anos ou mais). A maioria dos estudos (49) foram realizados nos EUA; todos os estudos foram realizados tanto em países de elevado rendimento como em países de rendimento médio-alto. O Facebook foi a plataforma de redes sociais mais utilizada; outros incluíram o WeChat, Twitter, WhatsApp e o Google Hangouts.

Na maioria dos estudos, os efeitos dos programas nas redes sociais interativas foram comparados com programas não-interativos, incluindo programas em papel ou presenciais, ou com nenhum programa. Dez estudos compararam dois programas de redes sociais entre si; para estes estudos, escolhemos o programa mais interativo dos dois como o "programa de redes sociais interativas".

Quais são os principais resultados da nossa revisão?

Em comparação com os programas não-interativos, os programas nas redes sociais:

- podem melhorar alguns comportamentos na saúde, como o aumento do número de passos diários efetuados ou a participação em testes de rastreio, mas podem evidenciar pouco ou nenhum efeito noutros, como uma melhor dieta ou na redução do consumo de tabaco (evidência de 54 estudos em 20 139 pessoas).

- podem causar pequenas melhorias na saúde, tais como um pequeno aumento quantitativo na perda de peso e uma pequena redução na frequência cardíaca em repouso (evidência de 30 estudos em 4.521 pessoas).

- podem melhorar o bem-estar das pessoas (evidência de 16 estudos em 3.792 pessoas).

- podem ter pouco ou nenhum efeito na saúde mental das pessoas, como na depressão (evidência de 12 estudos em 2.070 pessoas).

Nenhum estudo relatou quaisquer efeitos indesejáveis associados à utilização das redes sociais.

Quais são as limitações da evidência?

De um modo geral, a nossa confiança na evidência é baixa. Muitos estudos não reportaram claramente como tinham sido concretizados. Na maioria dos estudos, as pessoas sabiam se estavam a participar num programa interativo, e isso pode ter afetado os resultados do estudo. Alguns dos estudos não reportaram todos os seus resultados, e houve grandes variações nos resultados de alguns estudos. É provável que mais investigação aumente a nossa confiança na evidência.

Petkovic J, Duench S, Trawin J, Dewidar O, Pardo Pardo J, Simeon R, DesMeules M, Gagnon D, Hatcher Roberts J, Hossain A, Pottie K, Rader T, Tugwell P, Yoganathan M, Presseau J, Welch V

Quais são os benefícios e os malefícios dos medicamentos utilizados para tratar a tensão arterial ligeiramente elevada?

2 months ago
Mensagens-chave
  • Em pessoas com tensão arterial ligeiramente elevada, mas que não sofrem de doenças cardiovasculares (por exemplo, ataques cardíacos) ou outros riscos de saúde relacionados (por exemplo, diabetes), os medicamentos para baixar a tensão arterial podem não reduzir o risco de morte ou o risco de desenvolver doenças cardiovasculares (coração e vasos sanguíneos) graves.

  • Os medicamentos para baixar a tensão arterial podem reduzir o risco de AVC, mas também podem aumentar o risco de efeitos indesejáveis que resultam na suspensão do estudo.

  • É necessária investigação adicional para compreender os efeitos dos medicamentos para baixar a tensão arterial em pessoas com tensão arterial ligeiramente elevada sem doença cardiovascular ou outros riscos relacionados com a saúde (por exemplo, diabetes).

O que é a hipertensão?

A hipertensão é a pressão arterial consistentemente elevada.

Como é que a hipertensão é tratada?

Dependendo da gravidade da hipertensão de um indivíduo e de outras condições médicas que possa ter, a hipertensão pode ser tratada com um estilo de vida saudável, incluindo dieta e atividade física regular. Também é frequente serem prescritos medicamentos.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber os benefícios e os riscos dos medicamentos que baixam a tensão arterial prescritos a pessoas com hipertensão ligeira (tensão arterial sistólica 140 a 159 mmHg, tensão arterial diastólica 90 a 99 mmHg) e que não sofriam de doenças cardiovasculares (coração e vasos sanguíneos) graves ou de outros riscos de saúde relacionados.

O que fizemos?

Procurámos estudos sobre medicamentos para baixar a tensão arterial em pessoas com hipertensão ligeira para saber se estes reduzem o risco de morte e de doenças cardiovasculares graves (incluindo acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos). Também analisámos o risco de efeitos indesejáveis. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como a metodologia e o tamanho dos estudos.

O que descobrimos?

Incluímos cinco estudos que envolveram um total de 9.124 pessoas, 4.593 que receberam medicamentos para baixar a pressão arterial e 4.531 que receberam placebo (tratamento simulado) ou nenhum tratamento. Descobrimos que os medicamentos podem não reduzir o risco de morte ou de doenças cardiovasculares graves. Os medicamentos para baixar a tensão arterial podem reduzir o risco de AVC, mas também podem aumentar o risco de efeitos indesejáveis que resultam na suspensão do estudo.

Principais resultados

O benefício de um menor risco de AVC com medicamentos para a tensão arterial em pessoas com hipertensão ligeira e sem outras doenças cardíacas ou condições que aumentem o risco de doenças cardiovasculares tem de ser ponderado em relação aos efeitos indesejáveis destes medicamentos.

Quais são as limitações da evidência?

Temos pouca confiança na evidência porque os estudos não abrangeram todas as pessoas em que estávamos interessados; os estudos eram muito pequenos; e não havia estudos suficientes para ter a certeza sobre os resultados. Um dos estudos que demonstrou uma redução do risco de AVC foi realizado em pessoas com doença renal, pelo que pode não ser aplicável a todas as pessoas com hipertensão ligeira. Apenas um estudo relatou efeitos indesejáveis dos medicamentos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até junho de 2024.

Wang D, Wright JM, Adams SP, Cundiff DK, Gueyffier F, Grenet G, Ambasta A

Quais são os benefícios e os riscos dos suplementos de ómega-3 no tratamento de lesões nervosas em adultos com diabetes?

2 months ago
Mensagens-chave
  • Muito poucos ensaios clínicos avaliaram os benefícios e os malefícios dos suplementos de ácidos gordos ómega 3 no tratamento das lesões dos nervos periféricos (lesões dos nervos fora do cérebro e da espinal medula) associadas à diabetes.

  • São ainda necessários estudos maiores e melhor desenhados para compreender se os suplementos de ácidos gordos ómega-3 podem reduzir o risco de desenvolver deficiências, como a perda de funções ou capacidades normais, e sintomas associados a lesões nervosas em pessoas com diabetes.

  • Poderá haver pouca ou nenhuma diferença entre os suplementos de ácidos gordos ómega-3 e o placebo (tratamento “simulado”) na ocorrência de efeitos secundários indesejáveis entre as pessoas com diabetes, quando o tratamento é tomado ao longo de seis meses, mas estamos muito incertos quanto aos resultados.

O que é a polineuropatia simétrica distal difusa?

A polineuropatia simétrica distal difusa é uma doença dos nervos que pode ocorrer em pessoas com diabetes. Afeta os nervos que transmitem a sensação e os nervos que controlam os movimentos musculares. Os sintomas mais comuns incluem formigueiro, ardor, dormência e dor nas mãos e nos pés. As pessoas com esta doença podem também sofrer de fraqueza muscular, perda de reflexos, feridas ou úlceras nos pés que não cicatrizam bem, ou perda de sensibilidade nas mãos e nos pés, o que pode afetar a coordenação e a marcha.

Como é tratada a polineuropatia simétrica distal difusa?

A polineuropatia simétrica distal difusa é atualmente tratada através do controlo dos sintomas, como a dor, e da prevenção de mais lesões nervosas, controlando os níveis de açúcar no sangue através de dieta, exercício e medicamentos para a diabetes. Atualmente, não existem tratamentos que possam prevenir, reverter ou curar eficazmente a lesão do nervo em si.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir se os suplementos orais de ómega-3 eram melhores do que o tratamento com placebo ou nenhum tratamento para melhorar a incapacidade e os sintomas associados a lesões nervosas na diabetes.

O que fizemos?

Procurámos ensaios clínicos que analisaram suplementos de ómega-3, em comparação com placebo ou nenhum tratamento, em adultos com diabetes com polineuropatia simétrica distal difusa. Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e classificamos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos de estudo.

O que descobrimos?

Encontrámos dois estudos que, em conjunto, envolveram 87 pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2, que receberam suplementos de ómega-3 ou um tratamento com placebo durante seis meses.

Em comparação com o tratamento com placebo, os suplementos de ácidos gordos ómega-3 tomados durante seis meses podem fazer pouca ou nenhuma diferença no comprometimento da neuropatia periférica, nos sintomas da neuropatia periférica ou no bem-estar. Embora não seja um dos principais resultados desta revisão, é possível que os suplementos de ómega-3 possam melhorar a saúde dos nervos na córnea (a parte transparente da frente do olho) em comparação com os suplementos placebo. No entanto, estas conclusões baseiam-se nos resultados de um único ensaio clínico, uma vez que o segundo ensaio não estudou este resultado. Consequentemente, não sabemos ao certo se estes resultados são generalizáveis a todas as pessoas com diabetes ou até que ponto quaisquer benefícios podem ser clinicamente significativos.

Os suplementos de ácidos gordos ómega-3 podem não causar mais efeitos indesejáveis em comparação com o tratamento com placebo, mas estamos muito inseguros quanto aos resultados.

Quais são as limitações da evidência?

Temos pouca confiança na evidência, uma vez que apenas dois ensaios clínicos avaliaram os benefícios e os danos da suplementação com ómega-3 no tratamento de lesões nervosas em adultos com diabetes, e ambos os estudos envolveram apenas um pequeno número de pessoas. Apenas um dos dois estudos estava disponível como publicação científica e era o único estudo que fornecia dados sobre as medidas de eficácia em que estávamos interessados. Mais evidência pode muito bem alterar estes resultados.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até junho de 2024.

Britten-Jones AC, Linstrom TA, Makrai E, Singh S, Busija L, MacIsaac RJ, Roberts LJ, Downie LE

Que medicamentos, tomados por via oral ou injetados, funcionam melhor para tratar a psoríase em placas (uma condição de pele com manchas elevadas)?

2 months ago
Mensagens-chave
  • Após seis meses de tratamento, os medicamentos chamados "biológicos" parecem funcionar melhor para eliminar as manchas elevadas de psoríase na pele.

  • São necessários estudos mais longos para avaliar os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de um tratamento mais longo com medicamentos injetáveis ou administrados por via oral para tratar a psoríase.

  • São necessários mais estudos que comparem diretamente estes tipos de medicamentos entre si.

O que é a psoríase?

O sistema imunitário mantém os germes e outras substâncias estranhas fora do corpo e destrói as que entram. A psoríase é uma doença imunitária em que o sistema imunitário não funciona como deveria. A psoríase afeta a pele e, por vezes, as articulações. A psoríase acelera a produção de novas células da pele, que se acumulam para formar manchas elevadas na pele, conhecidas como "placas". As placas podem ser escamosas, com prurido e avermelhadas na pele branca e manchas mais escuras nos tons de pele mais escuros. A psoríase em placas é a forma mais comum de psoríase.

Como é que a psoríase é tratada?

Os tratamentos dependem da gravidade dos sintomas. Cerca de uma em cada 10 a duas em cada 10 pessoas com psoríase moderada ou grave terão de tomar medicamentos que afetam o sistema imunitário para ajudar a controlar a psoríase. Estes medicamentos são chamados tratamentos sistémicos, porque afetam todo o organismo. Estes são normalmente tomados por via oral ou injetados.

Porque é que fizemos esta revisão Cochrane?

Existem três tipos diferentes de medicamentos sistémicos para tratar a psoríase.

  • "Biológicos" - proteínas, como os anticorpos, que têm como alvo as interleucinas e as citocinas (partes do sistema imunitário que afetam o comportamento das células).

  • Tratamentos sintéticos direcionados - medicamentos produzidos por seres humanos que afetam as células imunitárias (por exemplo, apremilast).

  • Medicamentos não direcionados - medicamentos utilizados há muito tempo no tratamento da psoríase, como o metotrexato, a ciclosporina e os retinoides.

Queríamos compreender os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de tomar medicamentos sistémicos para tratar a psoríase, e ver se alguns medicamentos funcionam melhor do que outros.

O que fizemos?

Procurámos estudos que testaram medicamentos sistémicos em adultos com psoríase em placas moderada a grave.

O que encontrámos?

Encontrámos 204 estudos, incluindo 26 novos estudos desde a nossa última pesquisa em julho de 2024. Os estudos testaram 26 medicamentos diferentes, abrangendo 67.889 adultos com psoríase (idade média de 44,4 anos) e tiveram uma duração de dois a seis meses. Dos 177 estudos que indicaram a sua fonte de financiamento, 157 foram financiados por empresas farmacêuticas e 27 não indicaram a fonte de financiamento.

A maioria dos estudos compararam os medicamentos sistémicos com um placebo (um tratamento inativo que não contém qualquer medicamento, mas que parece idêntico ao medicamento que está a ser testado). Utilizaram uma escala de medição comum denominada Índice de Gravidade da Área de Psoríase para comparar a forma como cada medicamento eliminava as placas de psoríase da pele, procurando uma melhoria de 90%. Poucos estudos referiram o bem-estar das pessoas.

Comparámos todos os medicamentos entre si.

Quais são os principais resultados da nossa revisão?

Todos os medicamentos testados funcionaram melhor do que um placebo no tratamento da psoríase, quando medido como uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase.

Os medicamentos biológicos (que tinham como alvo moléculas denominadas interleucinas 17, 23, 12/23 e a citocina TNF-alfa) trataram a psoríase melhor do que os tratamentos sintéticos dirigidos e os medicamentos não dirigidos.

Em comparação com o placebo, cinco medicamentos biológicos funcionaram melhor no tratamento da psoríase, com poucas diferenças entre eles:

  • infliximab (tem como alvo o TNF-alfa);

  • ixekizumab, bimekizumab, xeligekimab (têm como alvo a interleucina-17); e

  • risankizumab (tem como alvo a interleucina-23).

Não encontrámos evidência de uma diferença no número de acontecimentos indesejáveis graves para todos os medicamentos sistémicos testados quando comparados com um placebo. No entanto, os estudos não apresentaram de forma consistente resultados sobre danos, tais como acontecimentos indesejáveis graves. Por conseguinte, não temos certezas quanto a esta questão.

Limitações da evidência

Descobrimos que, em comparação com o placebo, os medicamentos biológicos infliximab, xeligekimab, bimekizumab, ixekizumab e risankizumab foram os tratamentos mais eficazes para alcançar uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase em pessoas com psoríase moderada a grave. Estamos confiantes nos nossos resultados para o bimekizumab e moderadamente confiantes nos nossos resultados para o infliximab, ixekizumab, xeligekimab e risankizumab.

Estamos menos confiantes nos nossos resultados relativamente aos acontecimentos indesejáveis graves, devido ao número reduzido de casos notificados.

Também estamos menos confiantes nos resultados relativos aos medicamentos não-alvo devido a preocupações sobre a forma como alguns dos estudos foram conduzidos. É provável que novos estudos venham a alterar estes resultados.

Não encontrámos muitos estudos para alguns dos 26 medicamentos incluídos na nossa revisão. As pessoas que participaram nos estudos tinham frequentemente psoríase grave no início do estudo, pelo que os nossos resultados podem não ser úteis para pessoas cuja psoríase é menos grave. Os nossos resultados referem-se apenas ao tratamento com medicamentos sistémicos durante um período máximo de seis meses.

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Incluímos estudos até julho de 2024.

Nota editorial: esta é uma revisão sistemática viva. As revisões sistemáticas vivas oferecem uma nova abordagem à atualização de revisões, na qual a revisão é continuamente atualizada, incorporando evidência nova relevante à medida que a mesma se torna disponível.

Sbidian E, Chaimani A, Guelimi R, Tai CC, Beytout Q, Choudhary C, Mubuanga Nkusu A, Ollivier C, Samaran Q, Hughes C, Afach S, Le Cleach L

Quão eficazes são vacinas contra o papilomavírus humano para as mulheres que foram submetidas a um procedimento cirúrgico para remover células anormais do colo do útero, e se têm efeitos indesejáveis?

2 months ago
Mensagens-chave
  • A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização (remoção de um cone de tecido que contém células anormais, também conhecida como biópsia de cone) pode reduzir o risco de alterações celulares pré-cancerosas do colo do útero (principalmente CIN 2+).

  • Devido a limitações nos dados, não temos a certeza se a vacinação contra o HPV (administrada pouco antes, durante ou após a conização), em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, afeta o risco de cancro do colo do útero ou a infeção persistente pelo HPV.

  • São necessários mais estudos de elevada qualidade para avaliar a eficácia e os efeitos indesejáveis da vacinação contra o HPV em mulheres com conização. Estes ensaios devem também ter em conta grupos específicos, como as mulheres que já tinham sido vacinadas contra o HPV e os diferentes grupos etários.

O que é o papilomavírus humano e como é tratado?

O cancro do colo do útero é o quarto cancro mais comum que afeta mulheres em todo o mundo. É causada por uma infeção persistente com tipos específicos de papilomavírus humano (HPV). Embora as infeções por HPV sejam comuns e normalmente desapareçam sem qualquer problema, as infeções persistentes por HPV podem progredir para alterações celulares anormais no colo do útero (ou seja, condições pré-cancerosas), denominadas neoplasia intra-epitelial cervical (CIN). Estas condições pré-cancerosas podem ser classificadas em lesões de baixo grau (designadas CIN 1) e lesões de alto grau (designadas CIN 2 e CIN 3). Enquanto as lesões de baixo grau geralmente diminuem espontaneamente sem tratamento, as lesões de alto grau têm uma maior probabilidade de progredir para cancro do colo do útero. O CIN 3 corresponde ao carcinoma in situ (células anormais confinadas ao local onde surgiram inicialmente) e ao adenocarcinoma in situ (células anormais que se deslocaram para as glândulas); é bem aceite que estes precedem imediatamente o cancro do colo do útero.

Existem mais de 200 tipos de HPV e mais de 40 deles infetam a zona genital. Sete em cada 10 cancros do colo do útero são causados pelos tipos 16 e 18 do HPV. As mulheres diagnosticadas com CIN 2 e CIN 3 são normalmente consideradas para conização cervical (também conhecida como biópsia em cone), um procedimento cirúrgico para remover células anormais e evitar a progressão para cancro do colo do útero.

Na Europa, existem três vacinas contra o HPV aprovadas: uma vacina bivalente (que protege contra dois tipos de HPV), uma quadrivalente (que protege contra quatro tipos de HPV) e uma nonavalente (que protege contra nove tipos de HPV). A vacina contra o HPV é utilizada para prevenir o cancro do colo do útero, mas a sua eficácia nas mulheres com conização continua a ser incerta. De notar que utilizamos o termo "com conização" de forma indistinta para nos referirmos a sempre que a vacinação contra o HPV foi administrada na altura do procedimento de conização, ou seja, antes, durante ou após o procedimento.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos saber quão eficaz é a vacina contra o HPV nas mulheres que fizeram ou fazem conização para remover lesões pré-cancerosas do colo do útero e se esta tem efeitos indesejáveis.

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinaram os efeitos da vacinação contra o HPV em mulheres de qualquer idade com conização para tratar alterações pré-cancerosas das células cervicais causadas pelo HPV. Resumimos os resultados, avaliámos a sua fiabilidade e classificámos a nossa confiança na evidência.

O que encontrámos?

Encontrámos 13 estudos que incluíram 21.453 mulheres com conização. Os estudos variam em termos de conceção e qualidade. A maioria dos estudos foi realizada na Europa (10 estudos) e utilizou a vacina quadrivalente (sete estudos) ou nonavalente (um estudo) contra o HPV. Alguns estudos acompanharam as mulheres durante mais de 60 meses.

Principais resultados
  • A vacinação contra o HPV, em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, pode reduzir o risco de lesões pré-cancerosas. No entanto, os resultados têm de ser interpretados com precaução.

  • Não temos a certeza de que a vacinação contra o HPV, em comparação com a não vacinação contra o HPV em mulheres com conização, tenha um efeito no cancro do colo do útero e na infeção persistente pelo HPV.

  • Não existiam dados sobre novas infeções por HPV, adenocarcinoma in situ e qualidade de vida, e a restante evidência era, na sua maioria, inconclusiva.

  • Os efeitos indesejáveis incluíram reações ligeiras (vermelhidão e erupção cutânea: 92 em cada 100 mulheres; dor de cabeça: 8 em cada 100 mulheres) e alergias graves (1 em cada 100 mulheres).

Quais são as limitações da evidência?

A evidência provinha principalmente de estudos que tinham potenciais problemas com a forma como foram efetuados. Apenas dois estudos foram concebidos para produzir evidência mais sólida. Os estudos não forneceram informações suficientes para saber se uma vacinação anterior contra o HPV significa que outra vacinação e o seu momento em relação ao procedimento de conização dão resultados diferentes. Precisamos também de saber mais sobre os efeitos nos diferentes grupos etários.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência encontra-se atualizada até maio de 2023.

Kapp P, Schmucker C, Siemens W, Brugger T, Gorenflo L, Röbl-Mathieu M, Grummich K, Thörel E, Askar M, Brotons M, Andersen PH, Konopnicki D, Lynch J, Ruta S, Saare L, Swennen B, Tachezy R, Takla A, Učakar V, Vänskä S, Zavadska D, Adel Ali K, Olsson K,…

Pergunta da revisão

2 months ago
Qual é a eficácia das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso ou da obesidade em crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos?Mensagens-chave

- Não é claro se as intervenções baseadas no microbioma intestinal (intervenções nutricionais que visam os micróbios intestinais) têm um efeito no índice de massa corporal (IMC), peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, medidas da pressão arterial e eventos adversos em crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade.

- É necessária mais investigação, incluindo ensaios de maior dimensão, para compreender os efeitos das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso e da obesidade em crianças e adolescentes.

O que é o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso é uma condição de depósitos excessivos de gordura, e a obesidade é uma doença crónica caracterizada por depósitos excessivos de gordura que podem afetar a maioria dos sistemas do corpo, prejudicar a qualidade de vida e reduzir a esperança de vida. O IMC, calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilogramas pela sua altura em metros, ao quadrado, é frequentemente utilizado para definir o excesso de peso e a obesidade.

Como se controla o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso ou a obesidade podem ser tratados através de alterações na dieta, aconselhamento comportamental para modificar o estilo de vida, medicamentos ou cirurgia. Apesar destas abordagens, esta epidemia mundial afeta mais de 390 milhões de crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 5 e os 19 anos e 37 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade em 2022. O excesso de peso ou a obesidade estão associados a um metabolismo anormal e a um desequilíbrio do microbioma intestinal. Trabalhos publicados demonstraram que as intervenções nutricionais que visam o "microbioma intestinal" podem ter efeitos benéficos no peso corporal e na percentagem de gordura corporal. O microbioma intestinal é a comunidade de bactérias inofensivas e outros microorganismos no intestino humano necessários para uma saúde ótima.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir o efeito de várias intervenções nutricionais dirigidas à comunidade microbiana intestinal sobre o IMC, o peso corporal, o perímetro da cintura, a percentagem total de gordura corporal, a pressão arterial e os eventos adversos associados às intervenções entre crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos.

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinaram os efeitos de intervenções baseadas no microbioma intestinal, incluindo prebióticos (ingredientes alimentares que promovem micróbios benéficos no intestino), probióticos (micróbios vivos que são bons para a saúde), simbióticos (uma combinação de prebióticos e probióticos), ácidos gordos de cadeia curta (ou seja pequenas moléculas de gordura produzidas por bactérias intestinais através da fermentação de fibras alimentares e hidratos de carbono não digeríveis) e transplante de microbiota fecal (ou seja, uma cápsula contendo micróbios das fezes de um dador saudável), em comparação com os cuidados habituais, placebo, controlo ou nenhuma intervenção em crianças e adolescentes até aos 19 anos de idade. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos 17 estudos que envolviam 838 crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade. Os estudos foram realizados em diferentes países, incluindo Espanha, China, Taiwan, Canadá, México, Itália, Polónia, Turquia, Irão, Tailândia, Dinamarca, Nova Zelândia e EUA.

Adolescentes dos 10 aos 19 anos

As intervenções nutricionais dirigidas aos micróbios intestinais podem ter pouco ou nenhum efeito sobre o IMC, o peso corporal, o tamanho da cintura, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os acontecimentos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Crianças e adolescentes dos 0 aos 19 anos

Não é claro se os prebióticos têm um efeito no tamanho da cintura, na percentagem de gordura corporal, na pressão arterial e nos eventos adversos, em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os prebióticos, quando comparados com um tratamento simulado (ou seja, uma intervenção que não contém qualquer medicamento, mas que tem um aspeto ou sabor idêntico ao da intervenção que está a ser testada), podem resultar numa pequena redução do IMC e do peso corporal, mas a evidência é muito incerta.

Os probióticos comparados com um tratamento simulado podem ter pouco ou nenhum efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial e eventos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os simbióticos têm um efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial diastólica e eventos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os simbióticos podem resultar numa redução da pressão arterial sistólica, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os ácidos gordos de cadeia curta têm um efeito sobre o peso corporal, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os efeitos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os ácidos gordos de cadeia curta podem resultar numa redução do IMC e do perímetro da cintura, mas a evidência é muito incerta.

Os efeitos secundários das intervenções não foram, em geral, relatados nos estudos incluídos, mas um estudo observou potenciais efeitos secundários, como cólicas abdominais, desconforto abdominal, dor abdominal, diarreia, vómitos e enxaqueca no grupo dos prebióticos; no entanto, a ocorrência foi muito baixa. Náuseas e dores de cabeça foram notificadas noutro estudo no grupo dos ácidos gordos de cadeia curta, mas foram mínimas.

Quais são as limitações da evidência?

As conclusões da revisão são limitadas pelo pequeno número de participantes, pelo reduzido número de estudos disponíveis para cada uma das comparações, pela falta de dados a longo prazo e pela insuficiente notificação de efeitos adversos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência inclui estudos publicados até janeiro de 2025.

Fahim SM, Huey SL, Palma Molina XE, Agarwal N, Ridwan P, Ji N, Kibbee M, Kuriyan R, Finkelstein JL, Mehta S

Efeitos dos percursos clínicos nos hospitais sobre os resultados dos doentes, a duração do internamento, os custos e encargos hospitalares e a adesão às práticas recomendadas.

2 months ago
Qual é o objetivo desta revisão?

Os percursos clínicos (CPW) são ferramentas baseadas em documentos que estabelecem uma ligação entre as melhores evidências disponíveis e a prática clínica. Fornecem recomendações, processos e calendários para a gestão de condições ou intervenções médicas específicas. Esta atualização da revisão teve como objetivo resumir a evidência e avaliar o efeito dos percursos clínicos nos resultados dos doentes (mortalidade intra-hospitalar, mortalidade (até 6 meses), complicações intra-hospitalares e readmissões hospitalares (até 6 meses)), duração do internamento, custos e encargos hospitalares e prática profissional (ou seja, adesão dos profissionais de saúde às práticas recomendadas), em comparação com os cuidados hospitalares habituais. Além disso, identificámos e comparámos diferentes estratégias de implementação. Incluímos pacientes em hospitais que foram tratados de acordo com (1) as recomendações de um CPW, ou (2) um CPW que foi implementado juntamente com outras intervenções, como um gestor de caso ou iniciativas de melhoria da qualidade. Foram analisados 58 estudos (24.841 pacientes e 2027 profissionais de saúde), dos quais 27 foram incluídos numa revisão publicada anteriormente (Rotter 2010) e 31 foram recuperados para esta atualização. Esta é a primeira atualização da revisão anterior.

Mensagens-chave

Os CPWs podem ter o potencial de melhorar os resultados dos pacientes e podem reduzir a duração do internamento hospitalar, os custos hospitalares e melhorar a adesão às práticas recomendadas. Mas ainda precisamos de mais estudos de alta qualidade que informem sobre as estratégias de implementação utilizadas durante o desenvolvimento e a implementação do percurso.

O que foi estudado nesta revisão?

A tomada de decisões nos hospitais deixou de se basear em opiniões e passou a assentar em provas científicas sólidas (ou seja, na prática baseada em provas). Os hospitais incorporam as evidências nos percursos clínicos a seguir pelos profissionais de saúde. Foram implementados em todo o mundo, mas os dados sobre o seu impacto provenientes de ensaios individuais são contraditórios. A publicação permanente de novas evidências, combinada com as exigências da prática quotidiana, torna difícil para os profissionais de saúde manterem-se actualizados.

Os desenhos dos estudos incluídos foram estudos aleatórios individuais e por grupos, estudos não aleatórios, estudos controlados antes e depois (CBA) e estudos de séries temporais interrompidas (ITS). Em ensaios clínicos aleatórios individuais, os participantes do estudo foram alocados ao grupo CPW ou ao grupo de cuidados habituais por acaso, o que se designa por alocação aleatória. Os ensaios aleatorizados por clusters dividiram todos os participantes do estudo em grupos mais pequenos, conhecidos como clusters. Estes grupos foram depois distribuídos ao acaso pelo grupo CPW ou pelo grupo de cuidados habituais. Nos ensaios não aleatórios, os participantes foram distribuídos pelos investigadores em grupos diferentes de forma quase aleatória. A atribuição quase aleatória significa que os participantes no estudo foram atribuídos ao grupo CPW ou ao grupo de cuidados habituais com base em critérios como a sua data de nascimento ou o dia da semana. Os estudos CBA são estudos experimentais sem um processo de atribuição aleatório ou quase aleatório. Os dados foram recolhidos do grupo CPW e do grupo de cuidados habituais antes da implementação do CPW, tendo sido recolhidos outros dados após a introdução do CPW. Os estudos ITS representam um método robusto de medir o efeito de um CPW como uma tendência ao longo do tempo.

Todos os estudos incluídos testaram o impacto dos percursos clínicos utilizados nos hospitais sobre um ou mais dos resultados pré-especificados: mortalidade intra-hospitalar, mortalidade (até 6 meses), complicações intra-hospitalares, readmissões hospitalares (até 6 meses), duração do internamento, custos e encargos hospitalares e adesão às práticas recomendadas. Os estudos centraram-se na alteração das medidas de resultados após a implementação de um percurso clínico autónomo ou de um percurso clínico multifacetado combinado com outras intervenções, em comparação com os cuidados habituais.

Quais são os resultados principais desta revisão?

Encontrámos 58 estudos que mediram os efeitos dos percursos clínicos nos resultados incluídos. Os principais resultados são que, em comparação com os cuidados habituais, é incerto se a implementação de uma via clínica autónoma tem algum efeito na mortalidade intra-hospitalar e na mortalidade (até 6 meses) (baixa certeza). É provável que os CPW autónomos reduzam as complicações intra-hospitalares (certeza moderada), mas é muito incerto se fazem alguma diferença nas readmissões hospitalares (até 6 meses) (certeza muito baixa). Os CPW autónomos são suscetíveis de reduzir o tempo de internamento hospitalar (certeza moderada). Em nove dos dez estudos incluídos nesta comparação, os custos e as taxas foram geralmente mais baixos nos CPW (certeza muito baixa). Os CPW autónomos podem também aumentar ligeiramente a adesão às práticas recomendadas (baixo grau de certeza).

Relativamente aos percursos clínicos multifacetados comparados com os cuidados habituais, não é certo que haja uma redução da mortalidade intra-hospitalar (baixa certeza) e podem fazer pouca ou nenhuma diferença na mortalidade (até 6 meses) (baixa certeza). É incerto se os CPWs que foram combinados com outras intervenções reduzem as complicações intra-hospitalares (baixa certeza) ou as readmissões hospitalares (até 6 meses) (baixa certeza). Também não é certo que reduzam a duração do internamento hospitalar (baixo grau de certeza), os custos e encargos hospitalares (grau de certeza muito baixo) e a adesão às práticas recomendadas (baixo grau de certeza), em comparação com os cuidados habituais.

Quão atualizada se encontra esta revisão?

Esta atualização da revisão procurou novos estudos até 26 de julho de 2024.

Rotter T, Kinsman LD, Alsius A, Scott SD, Lawal A, Ronellenfitsch U, Plishka C, Groot G, Woods P, Coulson C, Bakel LA, Sears K, Ross-White A, Machotta A, Schultz TJ

Terapias cognitivas e comportamentais baseadas na Internet na perturbação de stress pós-traumático (PSPT) em adultos

2 months 1 week ago
Porque é que esta revisão foi importante?

A perturbação de stress pós-traumático, ou PSPT, é uma doença mental comum que pode surgir após um acontecimento traumático grave. Os sintomas incluem a revivência do trauma sob a forma de pesadelos, flashbacks e pensamentos angustiantes; evitamento de memórias do evento traumático; vivenciar alterações negativas nos pensamentos e no humor; e hiperexcitabilidade, que inclui sentir-se nervoso, assustadiço, irritado, ter dificuldades no sono e de concentração. A PSPT pode ser tratada eficazmente com psicoterapia centrada no trauma. Algumas das terapias mais eficazes são as baseadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC). Infelizmente, existe um número limitado de terapeutas qualificados habilitados a realizar estas terapias. Existem ainda outros fatores que limitam o acesso ao tratamento, tais como a necessidade de faltar ao trabalho para ir às consultas e dificuldades no transporte.

Uma alternativa é a realização de psicoterapia pela Internet, com ou sem a orientação por um terapeuta. As terapias cognitivo-comportamentais baseadas na Internet (I-C/BT) têm sido objeto de grande foco e são atualmente utilizadas por rotina para o tratamento da depressão e da ansiedade. Existem menos estudos sobre I-C/BT dirigido à PSPT. No entanto, a investigação científica encontra-se em expansão, com uma evidência crescente quanto à sua eficácia.

Quem poderá estar interessado nesta revisão?

- Pessoas com PSPT e as suas famílias e amigos.

- Profissionais que trabalham em serviços de saúde mental.

- Clínicos gerais.

- Comissários.

A que questões pretendeu esta revisão responder?

Em adultos com PSPT, tentámos descobrir se o I-C/BT:

- foi mais eficaz do que a ausência de terapia (lista de espera);

- foi tão eficaz quanto as psicoterapias realizadas por um terapeuta;

- foi mais eficaz do que outras psicoterapias realizadas online; ou

- foi mais eficaz do que a psicoeducação online sobre a doença na redução dos sintomas de PSPT e na melhoria da qualidade de vida; ou

- foi custo-efetivo, em comparação com a terapia presencial?

Quais os estudos incluídos na revisão?

Procurámos ensaios controlados e aleatorizados (estudos clínicos em que as pessoas são colocadas aleatoriamente num de dois ou mais grupos de tratamento), publicados entre 1970 e 5 de junho de 2020, que examinaram o uso de I-C/BT em adultos com PSPT.

Incluímos 13 estudos com 808 participantes. 

O que é que a evidência desta revisão nos diz?

- Análises incluindo 10 estudos concluíram que a I-C/BT foi mais eficaz do que a ausência de terapia (lista de espera) na redução da PSPT. No entanto, o grau de certeza desta evidência foi considerado muito baixo, o que significa que temos muito pouca confiança nesta conclusão.

- Análises incluindo dois estudos concluíram que não existia diferença entre a I-C/BT e outro tipo de psicoterapia realizada online. No entanto, o grau de certeza desta evidência foi considerado muito baixo, o que significa que temos muito pouca confiança nesta conclusão.

- Um estudo concluiu que a psicoterapia não cognitivo-comportamental presencial era mais eficaz do que I-C/BT. No entanto, os níveis basais dos sintomas de PSPT não estavam controlados e o grau de certeza desta evidência foi muito baixo, o que limita a nossa confiança neste resultado.

- Não encontrámos estudos que utilizassem medidas de aceitabilidade estandardizadas ou validadas que nos permitissem saber se as pessoas que receberam I-C/BT sentiram que foi um tratamento aceitável.

- Não encontrámos nenhum estudo que avaliasse a relação custo-eficácia de I-C/BT.

O que deveria acontecer a seguir?

A evidência atual encontra-se em crescimento, mas ainda é pequena. São necessários mais estudos para decidir se a I-C/BT deve ser utilizado por rotina no tratamento da PSPT.

Simon N, Robertson L, Lewis C, Roberts NP, Bethell A, Dawson S, Bisson JI

A liraglutida é um tratamento efetivo para a perda de peso em adultos com obesidade? Ela causa efeitos colaterais indesejáveis?

2 months 1 week ago
Mensagens principais
  • A liraglutida, comparada com o placebo (um medicamento sham), aumenta provavelmente o número de pessoas que perdem pelo menos 5% do peso corporal, mas o seu impacto nos efeitos indesejados, na qualidade de vida e nos principais eventos cardiovasculares, parece pequeno ou incerto tanto a médio prazo (6 a 24 meses) como a longo prazo (mais de 24 meses).

  • A nossa confiança nas evidência é limitada devido à forma como os estudos foram conduzidos e à falta de informações. Os fabricantes da liraglutida estiveram envolvidos em 22 dos 24 estudos incluídos, o que levanta preocupações sobre a confiabilidade dos resultados.

  • Estudos futuros devem analisar os resultados de longo prazo em diversos tipos de pessoas e ser independentes dos fabricantes de liraglutida.

O que é obesidade?

A obesidade é uma condição crônica na qual a pessoa possui excesso de gordura corporal. Pode aumentar o risco de problemas de saúde como diabetes tipo 2, doenças do coração e dos vasos sanguíneos (doenças cardiovasculares) e alguns tipos de câncer. Os níveis de obesidade estão aumentando em todo o mundo, representando um fardo significativo para os sistemas de saúde. O controle da obesidade geralmente envolve mudanças no estilo de vida, como adotar uma alimentação mais saudável e ser mais ativo fisicamente. No entanto, muitas pessoas têm dificuldade em manter essas mudanças, e os médicos podem prescrever medicamentos para auxiliar na perda de peso.

O que é liraglutida?

A liraglutida é um tipo de medicamento que ajuda as pessoas a sentirem-se saciadas mais rapidamente e, consequentemente, a comerem menos. Originalmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2, o medicamento foi aprovado em muitos países para auxiliar na perda de peso. É administrado por injeção diária. Algumas pessoas que tomam liraglutida apresentam efeitos indesejáveis, como náuseas ou vômitos, diarreia e prisão de ventre. A liraglutida é um “agonista do receptor GLP-1” (GLP-1RA). Medicamentos semelhantes incluem semaglutida e tirzepatida.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber quão eficaz é a liraglutida em adultos com obesidade a médio prazo (6 a 24 meses) e a longo prazo (24 meses ou mais). Analisamos os seus efeitos no peso, nos efeitos indesejados, nos problemas de saúde relacionados à obesidade, na qualidade de vida e no risco de morte. Não analisamos o que acontece depois que as pessoas param de tomar liraglutida.

O que nós fizemos?

Realizamos buscas por estudos que investigaram o uso de liraglutida para adultos que vivem com obesidade. Os estudos podiam investigar qualquer dose de liraglutida comparada com placebo (medicamento sham), nenhum tratamento, mudanças no estilo de vida ou outro medicamento para perda de peso. Incluímos estudos nos quais as pessoas tomaram liraglutida por pelo menos 6 meses. Comparamos e analisamos os resultados e avaliamos nossa confiança nas evidência.

O que nós descobrimos?

Encontramos 24 estudos com 9937 homens e mulheres com obesidade, com idades entre 31 e 64 anos. Algumas pessoas tinham problemas de saúde relacionados ao peso, como diabetes ou doenças hepáticas. A maioria dos estudos comparou a liraglutida com placebo. Elas ocorreram principalmente em países de alta e média renda.

Liraglutida comparada ao placebo
  • Perda de peso: as pessoas que tomaram liraglutida tiveram maior probabilidade de perder pelo menos 5% do seu peso corporal do que aquelas que tomaram um placebo a médio (18 estudos, 6651 pessoas) e longo prazo (2 estudos, 1262 pessoas). No entanto, não temos certeza sobre os efeitos da liraglutida na variação percentual geral do peso das pessoas desde o início do estudo até o médio prazo (16 estudos, 6050 pessoas) e pode haver pouca ou nenhuma diferença na variação percentual do peso a longo prazo (2 estudos, 1262 pessoas).

  • Efeitos indesejáveis: a médio prazo, as pessoas que tomam liraglutida podem apresentar mais efeitos indesejáveis de qualquer tipo (16 estudos, 8147 pessoas) e efeitos indesejáveis mais graves (20 estudos, 8487 pessoas) do que aquelas que tomam placebo. Não temos certeza sobre efeitos indesejáveis leves a moderados (17 estudos, 7440 pessoas) ou se os efeitos indesejáveis levaram as pessoas a interromper o tratamento (19 estudos, 8628 pessoas). A longo prazo (2 estudos, 2640 participantes), a liraglutida pode aumentar os efeitos indesejáveis e as pessoas podem ter maior probabilidade de interromper o tratamento devido a eles. Não temos certeza sobre eventos indesejados em geral e sobre efeitos indesejados leves a moderados.

  • Qualidade de vida : a liraglutida provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida, tanto a médio prazo (6 estudos, 3733 pessoas) quanto a longo prazo (1 estudo, 863 pessoas).

  • Outros resultados: a liraglutida provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença em relação a eventos cardiovasculares importantes a médio prazo (6 estudos, 5762 pessoas). Não temos certeza sobre seus efeitos em eventos cardiovasculares importantes a longo prazo e sobre as mortes a médio e longo prazo.

Quais são as limitações das evidências?

Estamos moderadamente confiantes de que as pessoas que tomam liraglutida perdem mais peso do que aquelas que tomam placebo. No entanto, nossa confiança nas outras evidências são limitadas devido à forma como os estudos foram conduzidos e às informações que estavam faltando. Poucos estudos analisaram os efeitos a longo prazo ou incluíram pessoas diferentes de locais diferentes, portanto, os resultados podem não ser aplicáveis a todos. Os fabricantes da liraglutida estiveram envolvidos na concepção, condução ou análise de 22 dos 24 estudos, o que limita nossa confiança nos resultados. São necessários mais estudos independentes.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até dezembro de 2024.

Meza N, Bracchiglione J, Escobar Liquitay CM, Madrid E, Varela LB, Guo Y, Urrútia G, Er S, Tiller S, Shokraee K, Alvarez Busco F, Solà I, Ocara Vargas M, Novik A V, Poloni D, Franco JVA

A tirzepatida é um tratamento eficaz para a perda de peso em adultos vivendo com obesidade? Ela causa efeitos colaterais indesejáveis?

2 months 1 week ago
Mensagem principal
  • Em comparação com o placebo (um medicamento simulado), a tirzepatida provavelmente ajuda adultos com obesidade a perder peso a médio prazo (até 2 anos), e essa redução de peso provavelmente se mantém a longo prazo (mais de 2 anos). A tirzepatida pode aumentar o risco de efeitos indesejáveis não graves a médio e longo prazo, mas pode ter pouco ou nenhum efeito sobre os efeitos indesejáveis graves, incluindo aqueles que levam as pessoas a interromper o tratamento com tirzepatida. Pode ter pouco ou nenhum efeito sobre a qualidade de vida, eventos cardiovasculares graves e mortalidade.

  • O fabricante da tirzepatida esteve envolvido no financiamento, delineamento, execução e divulgação dos resultados de todos os nove estudos incluídos. Isto levanta preocupações sobre conflitos de interesse que podem afetar os resultados. Mais estudos independentes são necessários.

O que é obesidade?

A obesidade é uma condição na qual uma pessoa tem excesso de gordura corporal, o que pode aumentar o risco de problemas de saúde como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer. Controlar a obesidade geralmente envolve mudanças no estilo de vida, como adotar uma alimentação mais saudável e ser fisicamente ativo. Em alguns casos, os médicos podem prescrever medicamentos para auxiliar na perda de peso.

O que é tirzepatida?

A tirzepatida é um medicamento desenvolvido para tratar pessoas que vivem com obesidade ou problemas de saúde relacionados ao peso. Ele funciona imitando dois hormônios que ajudam a regular o apetite, o esvaziamento do estômago, a sensação de saciedade, o açúcar no sangue e o metabolismo. É administrado por injeção semanal. Algumas pessoas que tomam tirzepatida apresentam efeitos indesejáveis, como indigestão, náuseas, diarreia e prisão de ventre. Outros medicamentos semelhantes são a liraglutida e a semaglutida.

Por que realizamos esta revisão?

Queríamos saber quão eficaz é a tirzepatida em adultos com obesidade a médio prazo (até 2 anos) e a longo prazo (2 anos ou mais). Analisamos seus efeitos na perda de peso, nos problemas de saúde associados à obesidade, nos efeitos indesejáveis, na qualidade de vida e no risco de morte. Não analisamos o que acontece depois que as pessoas param de tomar tirzepatida.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que comparassem a tirzepatida com placebo (um tratamento simulado), nenhum tratamento, mudanças no estilo de vida ou outro medicamento para perda de peso. Nos concentramos em estudos que compararam a tirzepatida com placebo. Incluímos estudos que acompanharam os participantes por pelo menos seis meses. Analisamos os resultados e avaliamos nossa confiança nas evidência.

O que nós descobrimos?

Incluímos nove estudos envolvendo 7111 adultos com obesidade, com idades entre 36 e 65 anos, principalmente de países de renda média e alta. Oito estudos compararam a tirzepatida com placebo e um estudo comparou a tirzepatida com a semaglutida. A tirzepatida foi administrada por injeção semanal em doses que variaram de 5 mg a 15 mg. A principal comparação com placebo (8 estudos, 6361 pessoas) apresentou os seguintes resultados.

  • É provável que a tirzepatida resulte em perda de peso significativa a médio prazo (até cerca de 1,5 anos) e provavelmente mantenha esse efeito a longo prazo (em torno de 3,5 anos).

  • Pessoas que tomam tirzepatida podem apresentar efeitos colaterais não graves, mas a probabilidade de interromperem o tratamento devido a esses efeitos pode ser igual ou semelhante à de pessoas que tomam um placebo. Pode haver pouca ou nenhuma diferença em relação aos efeitos colaterais graves.

  • A tirzepatida pode resultar em pouca ou nenhuma diferença nos eventos cardiovasculares, mas pode não melhorar a qualidade de vida nem diminuir a mortalidade.

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança na evidência é limitada devido a preocupações sobre a forma como alguns dos estudos foram conduzidos. As conclusões a longo prazo baseiam-se em apenas um estudo. O fabricante da tirzepatida financiou todos os estudos, o que levanta preocupações sobre a confiabilidade dos resultados. Mais estudos independentes são necessários.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até Dezembro de 2024.

Franco JVA, Guo Y, Varela LB, Aqra Z, Alhalahla M, Medina Rodriguez M, Salvador Oscco EL, Patiño Araujo B, Banda S, Escobar Liquitay CM, Bracchiglione J, Meza N, Madrid E

Colírios ou pomadas com antibióticos podem prevenir infecções oculares após uma abrasão da córnea?

2 months 1 week ago
Mensagens principais
  • Pessoas com abrasões na córnea (arranhões na camada externa transparente e protetora do olho) têm maior risco de desenvolver infecções oculares.

  • Atualizamos a revisão publicada anteriormente, mas não encontramos evidência suficientes de que colírios ou pomadas contendo antibióticos apresentem benefícios em comparação com placebo (tratamento simulado) ou com outro tipo de antibiótico na prevenção de infecções oculares ou na aceleração da cicatrização após abrasão da córnea.

  • Um número semelhante de pessoas apresentou efeitos colaterais leves causados por antibióticos, como irritação ou reações alérgicas, independentemente do antibiótico recebido.

O que é uma abrasão da córnea?

A córnea é a camada externa transparente e protetora do olho. Uma abrasão da córnea é um arranhão na córnea, geralmente causado por trauma mecânico, corpo estranho no olho, queimaduras químicas ou lentes de contato.

Como é tratada a abrasão da córnea?

A abrasão da córnea causa dor e irritação, por isso os profissionais de saúde prescrevem analgésicos para ajudar a aliviar a dor. Alguns também podem prescrever antibióticos para prevenir infecções oculares.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se colírios ou pomadas antibióticas podem prevenir infecções oculares após uma abrasão da córnea. Reunimos e analisamos todos os estudos relevantes para responder a esta pergunta. Queríamos também descobrir se os antibióticos causam efeitos indesejáveis.

O que nós fizemos?

Realizamos uma busca na literatura médica por estudos que testaram antibióticos para prevenir infecções oculares após abrasão da córnea. Comparamos e resumimos os resultados desses estudos e avaliamos nossa confiança nas evidência com base em fatores como método de estudo e tamanho da amostra.

O que encontramos?

Encontramos quatro ensaios clínicos randomizados (estudos em que os participantes são aleatoriamente designados para um de dois ou mais grupos de tratamento) com um total de 998 pessoas. Dois estudos foram conduzidos no Reino Unido, um na Dinamarca e um na Coreia do Sul. A maioria dos participantes apresentava abrasões na córnea causadas por trauma ou após a remoção de um corpo estranho do olho. Os estudos compararam colírios ou pomadas contendo antibióticos com outro antibiótico ou com um placebo sem antibiótico (tratamento simulado). Todos os estudos foram realizados há mais de duas décadas. Dois estudos receberam apoio de empresas farmacêuticas.

Os estudos apresentaram evidência muito incertas sobre se os antibióticos ajudam a prevenir infecções oculares em pessoas com abrasões na córnea. Em um estudo, os antibióticos podem ter aumentado ligeiramente o número de pessoas que desenvolveram infecções oculares, mas as evidências não foram suficientemente robustas para se chegar a conclusões definitivas. Provavelmente houve pouca ou nenhuma diferença na cicatrização em 48 horas entre as pessoas que usaram antibióticos e aquelas que usaram placebo ou outros tipos de antibióticos. Nenhum dos estudos incluídos examinou a redução da dor pela metade ou mais após um dia, alterações na visão após um mês, mudanças no nível de dor durante o primeiro dia e qualquer problema causado por abrasão da córnea durante o período do estudo.

Os efeitos indesejáveis do tratamento, como irritação ou reações alérgicas, foram geralmente leves e ocorreram em um número semelhante de pessoas em todos os grupos de tratamento. Em um estudo, cerca de um em cada três participantes relatou desconforto ou coceira, independentemente do tratamento recebido.

De forma geral, os resultados sugerem que não existem evidência suficientes de alta qualidade para apoiar ou refutar o uso de antibióticos tópicos na prevenção de infecções ou na melhora da cicatrização em pessoas com abrasões da córnea.

O que significam as evidência ?

Devido à falta de evidência robustas, não sabemos se o uso de antibióticos pode prevenir infecções oculares em pessoas com abrasão da córnea ou se um antibiótico é melhor que outro para esse fim.

Até que ponto estas evidências estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até 28 de março de 2025.

Ng SM, Leslie L, Tzang CC, Algarni AM, Kuo IC, Lawrenson AL, supported by the Cochrane Eyes and Vision Review Group

Programas com múltiplos componentes comportamentais melhoram o uso regular de medicamentos para baixar a pressão ocular em pessoas com glaucoma?

2 months 1 week ago
Mensagem principal
  • Programas comportamentais multifacetados, destinados a melhorar o uso regular de colírios para baixar a pressão ocular em pessoas com pressão ocular elevada ou diagnosticadas com glaucoma, podem incluir uma combinação de lembretes, educação multimídia, educação presencial, auxílio na dosagem, redução do estresse baseada em “mindfulness”, incentivos financeiros, simplificação do regime de colírios e educação médica.

  • A eficácia desses programas não é clara; alguns dados mostram efeitos favoráveis em comparação com o tratamento padrão, enquanto outros não.

  • Precisamos de pesquisas: 1) com métodos uniformes de medição do uso de colírios; 2) que incluam outros aspectos importantes que os médicos utilizam para verificar o estado da doença; e 3) que incluam desafios ou problemas relacionados ao paciente que possam afetar o uso de colírios ou outros fatores, como a estabilidade da doença.

O que é glaucoma e por que a adesão ao tratamento é importante?
O glaucoma é uma doença que pode levar à perda da visão e à cegueira. Resulta de múltiplos fatores que causam a degeneração do nervo óptico, um feixe de fibras nervosas que transporta informações visuais para o cérebro. A pressão elevada dentro do olho é o único fator de risco conhecido para o glaucoma que pode ser tratado. O uso regular de colírios para glaucoma pode ajudar, mas muitas vezes a adesão é baixa porque as pessoas:

  • se esqueçem de utilizá-los;

  • têm atividades concorrentes;

  • têm dificuldade em manter a dosagem e os horários corretos;

  • têm dificuldades físicas ou mentais (por exemplo, medo, ansiedade) para aplicar colírio; ou

  • têm dificuldade em comprá-los devido ao custo dos colírios.

O que queríamos descobrir?

Nosso objetivo era descobrir se dois ou mais componentes comportamentais, quando usados em conjunto, melhoram o uso regular de colírios para baixar a pressão ocular em pessoas com pressão ocular elevada ou glaucoma.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que comparassem combinações de pelo menos dois tipos de programas comportamentais com o atendimento padrão ou com uma única intervenção comportamental. Os programas comportamentais podem incluir lembretes por meio de ligações telefônicas, mensagens de texto, calendários, uso de um dispositivo auxiliar de dosagem, dispositivos que ajudam na aplicação de colírios, vídeos educativos, materiais escritos e educação presencial. O atendimento padrão envolve um médico explicando a doença, o objetivo do tratamento e detalhes sobre o tratamento ou colírios (por exemplo, com que frequência usá-los, horário do dia, em qual olho), o que geralmente é feito durante a consulta presencial na clínica.

Resumimos os resultados desses estudos e classificamos nossa confiança nas evidência com base em fatores como métodos de estudo e tamanho da amostra.

O que nós encontramos?

Encontramos 17 estudos que incluíram 4.536 pessoas com glaucoma ou pressão ocular elevada que utilizavam colírios para reduzir a pressão. A idade média dos participantes nesses estudos variou de 42 a 76 anos. A maioria das pessoas nos estudos era branca (62%), mas também havia negros (26%), hispânicos (1%), asiáticos (7%) e outros (3%). A maioria dos estudos incluídos foi realizada nos EUA (47%), mas também em outros países da Europa e da Ásia.

Os resultados de nossas análises foram mistos. A maioria dos estudos utilizou algum tipo de componente educacional. Nossas análises constataram que ter múltiplos componentes comportamentais pode ajudar ligeiramente as pessoas com o uso regular de colírios medicamentosos, mas pode não aumentar o uso desses colírios. Não se sabe ao certo se programas com múltiplos componentes comportamentais têm efeito sobre os desfechos relacionados à doença (por exemplo, progressão da doença ou prevenção da perda de visão) referentes às medidas de pressão ocular.

Quais são as limitações das evidências?

A qualidade dos estudos incluídos variou. Um desafio nesse tipo de pesquisa comportamental é a dificuldade de impedir que as pessoas saibam qual intervenção estão utilizando (ou seja, a que grupo de estudo foram designadas). A forma como os estudos mediram a adesão e outros desfechos variou, dificultando a combinação e comparação dos resultados. Muitos estudos não avaliaram fatores clínicos que seriam de interesse para os profissionais de saúde, como pressão ocular, perda de visão periférica ou estabilidade da doença, além de questões ou barreiras relacionadas ao paciente, como a capacidade de compreender seu próprio estado de saúde ou suas finanças pessoais. Pesquisas futuras que incluam relatórios consistentes, métodos padronizados de mensuração de desfechos e desafios relacionados aos pacientes contribuiriam para o avanço do conhecimento científico na área.

Quão atuais são essas evidências?

Estas evidências estão atualizadas até 31 de março de 2024.

Kruoch Z, Amin P, Shelton E, Zimmerman AB, Stephey E, Hunter M, Downie LE, Qureshi R

Quais são os tratamentos para o prurido (coceira) pós-queimadura e qual a sua eficácia?

2 months 1 week ago
Mensagens principais

Agentes neuromoduladores, como gabapentina e pregabalina, são medicamentos que podem ajudar a controlar a maneira como o corpo detecta e responde ao prurido. Esses medicamentos podem reduzir o prurido pós-queimadura em comparação aos anti-histamínicos orais.

As modalidades físicas mostraram variação na eficácia na redução do prurido pós-queimadura. A massoterapia e a terapia por ondas de choque extracorpóreas provavelmente reduzem o prurido pós-queimadura em comparação com controles relevantes, enquanto o toque terapêutico pode aumentar o prurido pós-queimadura em comparação com a presença da enfermagem.

Intervenções tópicas também mostraram variação na eficácia na redução da coceira pós-queimadura. A pomada de enalapril provavelmente reduz o prurido pós-queimadura em comparação ao controle com placebo, enquanto o hidratante Provase pode não ter efeito no prurido pós-queimadura em comparação ao hidratante de controle.

O que é prurido pós-queimadura?

O prurido (coceira) pós-queimadura é uma condição comum e bem reconhecida que geralmente se apresenta em dois períodos e contextos clínicos distintos. O primeiro é o prurido transitório na cicatrização de feridas, que ocorre no início da fase aguda da cicatrização, sendo muito comum, mas de curta duração. O segundo é o prurido da cicatriz de queimadura, que é duradouro e um pouco resistente ao tratamento.

O que queríamos descobrir?

Queríamos analisar quais intervenções, em comparação com seus respectivos comparadores, poderiam reduzir o prurido relacionado a queimaduras.

Para cada intervenção, analisamos:

- alteração no prurido relacionado à queimadura;

- efeitos adversos (por exemplo, sonolência) após o tratamento;

- custo-benefício;

- dor;

- satisfação percebida pelos participantes em relação à intervenção;

- cicatrização de feridas;

- qualidade de vida.

O que fizemos?

Incluímos estudos que recrutaram participantes de qualquer idade e sexo, que apresentaram prurido na queimadura, na área enxertada ou doadora, e foram tratados em qualquer ambiente de atendimento. Buscamos estudos em que:

- os participantes apresentaram prurido relacionado à queimadura (mas não aqueles que estavam em risco de prurido relacionado à queimadura);

- os participantes foram randomizados para avaliar o efeito de diferentes intervenções em relação aos comparadores relevantes.

O que encontramos?

Incluímos 25 estudos que avaliaram 21 intervenções, com um total de 1166 participantes. Seis estudos compararam agentes neuromoduladores com anti-histamínicos ou placebos. Quatro estudos compararam diferentes tipos de laser com nenhuma intervenção ou com placebo. Dois estudos compararam a estimulação elétrica com o tratamento padrão ou com a estimulação simulada. Seis estudos compararam diferentes tipos de modalidades físicas (por exemplo, massoterapia, toque terapêutico, terapia por ondas de choque extracorpóreas, educação aprimorada sobre placas de gel de silicone) com comparadores relevantes. Cinco estudos compararam diferentes tipos de terapias tópicas (por exemplo, gel de silicone, hidrogel, pomada de enalapril, hidratante Provase e creme de cera de abelha e óleo de ervas) com comparadores relevantes. Os outros dois estudos compararam diferentes terapias combinadas e fitoterápicas.

- Embora todos os estudos tenham relatado mudanças no prurido relacionado a queimaduras, apenas quatro relataram efeitos adversos. O custo-benefício, a satisfação percebida pelos participantes com a intervenção e a cicatrização de feridas não foram relatados em nenhum dos estudos incluídos.

- Em relação aos agentes neuromoduladores, embora gabapentina, pregabalina e doxepina possam ser mais eficazes na redução do prurido pós-queimadura em comparação com anti-histamínicos orais, temos maior confiança de que a ondansetrona provavelmente reduz o prurido pós-queimadura em comparação com anti-histamínicos orais.

- Em relação às terapias tópicas, o CQ-01 (hidrogel) pode ser mais eficaz na redução do prurido pós-queimadura em comparação com controles relevantes. A pomada de enalapril provavelmente reduz o prurido pós-queimadura em comparação com placebo. O creme de gel de silicone e o hidratante Provase podem ter pouco ou nenhum efeito no prurido pós-queimadura. O impacto do creme de cera de abelha e óleo de ervas no prurido pós-queimadura não pôde ser determinado devido à indisponibilidade de dados.

- Em relação às modalidades físicas, a educação aprimorada sobre placas de gel de silicone pode ser mais eficaz na redução do prurido pós-queimadura em comparação à educação convencional. A massoterapia e a terapia por ondas de choque extracorpóreas podem ser mais eficazes na redução do prurido pós-queimadura em comparação com controles relevantes.

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança nas evidências é limitada, pois havia apenas um ou dois estudos disponíveis para cada comparação e a maioria dos estudos recrutou um pequeno número de participantes (46 participantes em média). A maioria dos estudos utilizou métodos que poderiam introduzir erros em seus resultados, como os participantes estarem cientes do grupo de tratamento ao qual foram designados.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Este resumo está atualizado até setembro de 2022.

Sinha S, Gabriel VA, Arora RK, Shin W, Scott J, Bharadia SK, Verly M, Rahmani WM, Nickerson DA, Fraulin FOG, Chatterjee P, Ahuja RB, Biernaskie JA
Checked
12 hours 16 minutes ago
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